Leão busca ajuste de ataque inoperante e defesa errante no 3-6-1

Em 2004, Emerson Leão apostou em uma formação com três zagueiros e, na ocasião, levou o São Paulo do sétimo lugar no Campeonato Brasileiro à zona de classificação para a Libertadores. O desafio nas últimas seis rodadas nas atual edição do torneio é o mesmo, assim como a solução encontrada pelo técnico. A dificuldade está nos problemas nos dois extremos do campo.

O ataque do Tricolor vive seu pior jejum com a competição na fórmula de pontos corridos: já são quatro partidas sem balançar as redes no Brasileiro. Já a defesa evitou gols nas duas últimas rodadas, mas ainda apresenta falhas de posicionamento que deixam o treinador preocupado.

Contra o Vasco, por exemplo, Leão cansou de dizer que foi principalmente devido à grande atuação de Denis, autor de duas defesas à queima-roupa, que o ponto foi conquistado em São Januário. Causou irritação o fato de as ações decisivas do goleiro terem ocorrido em cabeçadas de Elton, jogada aérea que irritou o técnico por escalar zagueiros altos como João Filipe, Rhodolfo e Xandão.

‘Cometemos erros de posicionamento que não podem acontecer em uma zaga de três homens com mais de 1,90m. Como não foram erros individuais, eu que preciso corrigir’, afirmou Leão, tão confiante no esquema para este momento que não vai mudá-lo e já avisou que Xandão, suspenso, será substituído por Luiz Eduardo.

A entrada do zagueiro de 18 anos mantém o 3-4-2-1 que entrou em campo no domingo e é treinado desde sexta-feira. Uma das tarefas do ex-goleiro é acostumar um time que já não atua com três na defesa há um bom tempo, principalmente os defensores. ‘Ele fala para não ficarmos muito em linha. Não estamos muito entrosados’, admitiu Luiz Eduardo.

No ataque, o treinador parece estar também convencido da formação com um centroavante na frente – Luis Fabiano ou, caso o 9 esteja vetado, Willian José – e dois jogadores abertos que devem jogar de forma vertical, saindo da lateral para se aproximar à área e ficar de frente ao gol – Lucas e Dagoberto ou Marlos na vaga de um dos dois.

Diante da dificuldade de balançar as redes, o técnico quer evitar que os três fiquem sozinhos e cobra mais proximidade dos laterais. Neste ponto, o desafio é colocar o defensivo Piris em condições de aparecer bem na frente. Leão tem cobrado bastante o paraguaio, que admite suas dificuldades ofensivas, nos treinos de cruzamentos e finalizações.

‘Mas estou preparado para jogar porque é o meu setor, o meu lado, pela direita. E tenho a mesma condição de voltar para marcar e subir, só fico um pouquinho mais na frente. Não tem muita diferença’, minimizou Piris, satisfeito por ter três zagueiros na equipe. ‘O Vasco é um grande time, que joga em cima do adversário, e conseguimos segurá-lo sem sofrer muito.’

Em toda a equipe, o setor que menos preocupa é o de marcação no meio-campo. Leão está bastante feliz com a dinâmica dada por Carlinhos Paraíba, que pressiona os adversários e leva a bola ao campo de ataque. O meio-campista tem até um status de intocável na visão do técnico.

Já Wellington agrada por sua disposição em não aparecer para perseguir rivais. ‘Vou fazer tudo que ele pedir. Eu me sinto muito bem. Se precisar, corro por Dagoberto, Luis [Fabiano] e Lucas’, prometeu o volante, elogiando o chefe. ‘Ele viu a qualidade do grupo, se temos qualidade para atuar com três zagueiros. Estamos bem atentos, trabalhando forte.’