Judoca Mayra Aguiar supera decepção e conquista o bronze na garra

A judoca brasileira Mayra Aguiar superou a decepção por ter perdido na semifinal da categoria até 78 kg dos Jogos Olímpicos de Londres e conquistou nesta quinta-feira a medalha de bronze, a quarta do país na capital britânica.

Na disputa pelo terceiro lugar, ela superou a holandesa Marhinde Verkerk ao aplicar um ippon com um pouco mais de um minuto de luta, garantindo o pódio um dia antes de completar 21 anos.

Quando a luta acabou, ela levantou os braços para cima antes de pegar uma bandeira do Brasil para dar uma volta olímpica no Excel Centre de Londres e saudar todos os torcedores do país, que foram ao delírio com a terceira medalha do judô brasileiro em Londres.

“Independentemente da cor, é uma medalha olímpica, então tem mais é que comemorar mesmo. Amanhã é o meu aniversário, então é mais uma comemoração”, declarou Mayra, abrindo um grande sorriso.

Um fator decisivo na conquista da medalha foi o fato de a brasileira ter conseguido se reconcentrar pouco menos de uma hora após a frustração de deixado escapar o ouro na semifinal contra sua arquirrival, a americana Kayla Harrison, que acabou se sagrando campeã ao superar a britânica Gemma Gibbons na final.

Mayra e Harrison já se enfrentaram dez vezes e a americana venceu seis. Na semifinal, Mayra levou um yuko da americana e acabou sendo imobilizada com uma chave de braço, faltando menos de 20 segundos para o fim do combate.

“Confesso que tive muita vontade de chorar quando perdi para a americana”, revela Mayra. O que fez a diferença naquela hora foi o apoio de pessoas muito especiais que souberam achar as palavras certas para motivá-la.

O primeiro a falar com a judoca foi Aurélio Miguel, primeiro campeão olímpico do judô brasileiro, em Seul-1988. “Aurélio me falou: ‘Mayra, não acabou ainda, tem outra competição, vamos buscar esta medalha'”, lembrou a gaúcha.

O outro apoio que ela recebeu teve um forte valor simbólico. Foi de Leandro Guilheiro, que como Mayra é líder do ranking da sua categoria, e que na terça-feira se encontrou na mesma situação que ela depois de ter perdido na semifinal, mas não conseguiu levar o bronze.

“Depois de Aurélio chegou Guilheiro que me disse ‘Mayra, não abaixe a cabeça, você é muito melhor que essa guria (a holandesa), vai lutar e levar essa medalha para casa'”, explica.

A técnica da seleção brasileira, Rosicleia Campos, também teve um papel determinante neste intervalo entre a semifinal e a disputa pelo bronze.

“Rosi me disse: ‘Esqueça tudo o que aconteceu antes, só pense na luta'”, relatou Mayra. “Aquilo realmente me incentivou e o choro parou na hora. Falei: não, essa aí não vou deixar escapar”.

E foi o que ela fez, com muita maestria, aplicando um ippon espetacular em Verkerk antes de olhar para o céu para comemorar sua conquista.

Ela já tinha mostrado todo o seu talento nas rodadas anteriores. Nas quartas de final, Mayra Aguiar havia superado a polonesa Daria Pogorzelec com dois waza-ari, o segundo deles por imobilização.

Em sua primeira luta, Mayra derrotou a tunisiana Hana Mareghni. Ela dominou totalmente o combate e venceu com dois waza-ari, incluindo um por acúmulo de punições para a rival.

A gaúcha, que conquistou a prata no Mundial de Tóquio-2010 e o bronze no Mundial de Paris-2011, estreou diretamente na fase das oitavas de final por ser uma das cabeças de chave.

Londres foi sua segunda Olimpíada. Em Pequim-2008, ela competiu com apenas 17 anos de idade, e perdeu a primeira luta para a espanhola Leire Iglesias e não confirmou as expectativas de medalha.

“Ela fez a diferença pela sua técnica e soube construir este resultado com o trabalho de muitos anos. A gente sabia que a luta contra Harrison seria uma final antecipada. Sinceramente, esperava que ela chegasse à final, mas o importante foi que ela conseguiu a medalha dela”, elogiou Rosicleia Santos

Com o pódio de Mayra, o Brasil soma quatro medalhas na capital britânica, três no judô, com o ouro de Sarah Menezes e o bronze de Felipe Kitadai, e uma na natação, com a prata de Thiago Pereira.