Isolada em Teresópolis, a seleção pode se sentir em casa

Na cidade onde fica a Granja Comary, os moradores reclamam dos protestos

“Essas pessoas não estão sendo civilizadas”, comentou Romário da Cunha Zimbrão, que torce para que Neymar seja o nome da competição – e do hexa

O pequeno protesto que recebeu a seleção brasileira em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, na tarde desta segunda-feira, rapidamente se esvaneceu. O que predomina no município onde fica a Granja Comary, local onde os jogadores ficarão concentrados durante toda a Copa do Mundo, é a hospitalidade. “Teresópolis, casa da seleção” é o que diz o pórtico da entrada, com caricaturas de jogadores históricos, como Pelé e o capitão do penta, Cafu. Um pouco mais à frente, cerca de 40 crianças e adolescentes, todos vestindo verde e amarelo, esperavam animadas pela passagem do ônibus que levava os atletas convocados para tentar conquistar o hexa. Fernando Miguel Ribeiro da Silva, de 12 anos, era um dos mais animados. “A cidade sempre fica agitada com a seleção, mas desta vez está muito mais”, comparou.

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Nem tudo está pronto. Postes de toda a região central da cidade ainda recebiam cavaletes com desenhos dos jogadores e a mensagem de boas-vindas. Um hotel cobria sua fachada com a bandeira brasileira, enquanto a feirinha da Praça Higino da Silveira dava os últimos retoques nas fitas e bandeirinhas penduradas de ponta a ponta. Mauri Fonseca Pecene Júnior, de 36 anos, preferiu se programar. Há cerca de dois meses, convocou amigos e alunos para estilizar a loja de skates que administra, logo na entrada da cidade. “Acho importante recepcionar bem os nossos jogadores”, destaca ele, aproveitando a visibilidade para mostrar o radar comunitário instalado em frente ao estabelecimento, para tentar obrigar os motoristas a reduzir a velocidade em uma área onde circulam muitas crianças. “Queremos chamar a atenção para nosso problema, claro, mas de um jeito bom”, explica.

Foi com tristeza que ele e os amigos acompanharam pela televisão a saída dos atletas do aeroporto do Galeão – sob vaias, protestos, gestos obscenos e até gritos pela arquirrival Argentina. “É uma covardia”, lamentou. Um jovem batizado com o nome do ídolo do tetra, que nasceu no ano da conquista (1994) e cresceu aprendendo a amar o futebol, também criticou a forma como os protestos se viraram contra os jogadores e o Mundial. “Esses protestos tinham que ter sido feitos na época que fomos escolhidos como a sede do Mundial. Agora não adianta, menos ainda quebrando tudo e partindo para a violência. Essas pessoas não estão sendo civilizadas”, comentou Romário da Cunha Zimbrão, que torce para que Neymar seja o nome da competição – e do hexa.

Os protestos nesta segunda também foram comentados pelo coordenador técnico da seleção, Carlos Alberto Parreira, em sua entrevista coletiva na tarde desta segunda. Parreira disse que os jogadores não se abalaram com os protestos e garantiu que as manifestações de carinho, como as que receberam em Teresópolis, são maiores. “Foi emocionante ver a felicidade deles ao descer do ônibus. É um reencontro, com os amigos, com a seleção. Todos estão muito empolgados. E tenho certeza que o torcedor será nosso 12º jogador em campo. Ninguém está protestando contra a seleção.”