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Final comprova: o futebol, apaixonante, não é matemática

O jogo em números

Ao longo da Copa das Confederações, o site de VEJA mostrou as estatísticas detalhadas de todas as dezesseis partidas no banco de dados da Opta, líder mundial no registro detalhado dos grandes jogos do futebol internacional. A análise dos números e gráficos oferecidos pelo sistema ajudou a explicar por que Brasil e Espanha chegaram à grande final, neste domingo, no Maracanã. Como qualquer torcedor sabe, porém, futebol não é matemática – e, às vezes, as estatísticas simplesmente não são capazes de explicar o imponderável que transforma esse esporte na modalidade mais apaixonante do planeta. Quem vê os números da decisão no Estádio do Maracanã sem olhar para o placar final pode achar que a Fúria dominou o jogo e superou os pentacampeões mundiais em pleno Rio de Janeiro. Senão vejamos: a Espanha teve maior posse de bola, 56% contra 44% do Brasil; ganhou 54% das disputas, contra 46% dos brasileiros; e levou a melhor em seis entre cada dez jogadas aéreas. No quesito passe, a Fúria de novo leva a melhor: mais interceptações (23 a 16), mais passes trocados (521 a 412), mais passes certos (88% contra 84%), mais passes certos no ataque (81% a 71%). A Espanha também tentou mais cruzamentos (24 a 7), conseguiu mais escanteios (oito a um), finalizou mais (17 a 14), bloqueou mais chutes do rival (3 a 1) e foi mais precisa nos desarmes (85% a 83%). De quebra, cometeu menos faltas (16 contra 27 dos brasileiros). Como é possível, então, que o Brasil tenha feito uma apresentação tão nitidamente superior, tão indiscutivelmente melhor? O segredo talvez esteja fora das estatísticas, no futebol mais aguerrido, criativo, aplicado, inspirado e, claro, vencedor do tetracampeão da Copa das Confederações. Coisas que os números, por mais precisos e reveladores que sejam, nem sempre são capazes de elucidar.

(Giancarlo Lepiani, do Rio de Janeiro)

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