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Felipão cogita voltar no tempo, usando esquema do penta

Técnico admite a possibilidade de escalar time com três zagueiros na sexta, contra a Colômbia, colocando mais um defensor no lugar de Luiz Gustavo

Além da ausência de Luiz Gustavo, os problemas de Marcelo e principalmente Daniel Alves na marcação são outro fator que pode levar Felipão a recorrer ao 3-5-2

Uma seleção vulnerável na defesa, com laterais consagrados mas pouco eficazes na marcação, e com problemas na criação das jogadas. Poderia ser o Brasil na Copa do Mundo de 2014, mas também a equipe das Eliminatórias para o Mundial de 2002, quando o técnico Luiz Felipe Scolari assumiu o comando do time pela primeira vez. E, passados doze anos, Felipão pode recorrer à mesma estratégia para tentar consertar a equipe: na noite de segunda-feira, ele admitiu a possibilidade de mudar de esquema tático no meio da competição, adotando justamente o 3-5-2 que usou na campanha do penta. Ao contrário daquela Copa, quando �o Brasil passou a jogar com três zagueiros antes mesmo de ir ao Mundial, Felipão quase não testou essa variação tática nas partidas que disputou desde o retorno ao cargo. Ainda assim, ele acredita que essa pode ser a melhor forma de resolver a ausência de Luiz Gustavo, suspenso, e reforçar a marcação para a partida decisiva contra a habilidosa Colômbia, na sexta-feira, no Castelão, em Fortaleza.

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Para Felipão, o sofrimento também pode ser um bom treino​

“Tenho duas possibilidades: ou continuo jogando da forma que vinha jogando, com a entrada de outro jogador no setor, dentro daquela situação normal que o Brasil já vinha praticando, ou mudo o sistema todo e aí posso iniciar a partida como jogava na Copa de 2002, com três zagueiros, liberando mais os laterais”, disse Felipão em entrevista ao canal pago Sportv. O técnico revelou também que a condição física de seus titulares, alguns deles muito desgastados depois de quatro jogos muito duros no torneio, vai pesar na decisão. “A gente vai ver nos dias que antecedem o jogo quais são as situações de alguns jogadores, quanto tempo teremos para treinar, quem vai treinar, como se apresentarão nesses treinos, para depois definir.” Em caso de mudança no esquema, Dante deverá ser o substituto de Luiz Gustavo, com David Luiz como o mais cotado para o papel que era de Edmílson em 2002, como o zagueiro encarregado de sair para o jogo e levar a bola aos meias. Fernandinho seria o único volante fixo, como Gilberto Silva.

Irregulares – Caso opte pela manutenção do esquema que vem usando desde que reestreou na seleção, Felipão escolherá entre Paulinho, Hernanes e Ramires para a vaga de segundo volante, com Fernandinho recuado para a posição de Luiz Gustavo. O problema é que o trio ainda não mostrou o futebol que Felipão espera: Paulinho, em má fase, perdeu a condição de titular, e Hernanes e Ramires não foram bem quando tiveram a oportunidade de entrar. Além disso, os problemas de Marcelo e principalmente Daniel Alves na marcação são outro fator que pode levar Felipão a recorrer ao 3-5-2. Com esse esquema os laterais poderiam jogar mais soltos, aproveitando suas principais virtudes, que são os lances de apoio ao ataque. Seria, ainda, uma maneira de amenizar os problemas de criação da linha de três armadores formada por Neymar, Oscar e Hulk. Enquanto o camisa 10 fez jogos brilhantes, os outros dois têm sido muito irregulares na Copa, alternando alguns bons momentos com longos períodos sem preparar nenhuma jogada para Fred concluir.

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A criação, porém, não é a única preocupação do técnico brasileiro, que elogiou bastante o adversário de sexta e seu principal jogador, James Rodríguez, o artilheiro do Mundial. “Não adianta só parar o James, temos de parar o time todo da Colômbia, sua sistemática de jogo, uma série de qualidades que eles possuem. É uma equipe que joga fácil, joga futebol bonito, tem boa organização, e isso é importante no futebol. Vamos mostrar alguns pontos fortes da Colômbia e algumas dificuldades que eles possam ter e que possam ser exploradas por nós, para ver se conseguimos ter uma postura melhor que nos jogos anteriores”, disse Felipão em sua entrevista, reconhecendo que os torcedores têm motivos para se preocupar. “É normal que estejam cobrando que a gente tenha atuações melhores. Em um ou dois jogos da Copa fomos um pouco diferentes do que estávamos acostumados a apresentar. Mas estamos vendo que na Copa do Mundo há muito equilíbrio, está muito nivelada. Vamos ver se conseguimos equilibrar a equipe do começo ao fim, sem os altos e baixos dos jogos anteriores.”