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Ex-presidente da Conmebol acusa Teixeira de liderar esquema de propinas; brasileiro nega

Uruguaio Eugenio Figueredo revelou que ex-presidente da CBF e o argentino Julio Grondona controlavam a corrupção nas federações sul-americanas

Preso no Uruguai, o ex-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), Eugenio Figueredo, deu detalhes sobre como funcionava o esquema de propina no futebol da América do Sul que vem sendo investigado nos Estados Unidos. Em depoimento ao FBI, Figueredo acusou o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de ser um dos líderes do esquema. O dirigente brasileiro negou as acusações.

Figueredo depôs ao FBI no dia 24 de dezembro e, em suas respostas, alertou que não iria aceitar ser o único a responder pelas suspeitas de corrupção. O dirigente uruguaio de 83 anos foi preso na Suíça no dia 27 de maio de 2015 e extraditado no fim do ano passado para Montevidéu. Ele é acusado de corrupção e fraude pela corte uruguaia.

Ao falar sobre as propinas pagas por empresas de TV e marketing para garantir contratos de televisão na Conmebol, Figueredo revelou que tudo começou com Ricardo Teixeira e Julio Grondona, o ex-presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA) e também ex-vice-presidente da Fifa.

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Figueredo foi presidente da Conmebol entre 2013 e 2014, quando Teixeira já havia abandonado a CBF – ficou na presidência entre 1989 e 2012 -, mas informou aos juízes que o sistema de propinas foi criado quando ele ainda era apenas o presidente da Associação Uruguaia de Futebol (AUF). Figueredo presidiu a entidade uruguaia entre 1997 e 2006.

“Era tão natural, a pessoa que entrava no grupo recebia o dinheiro que cada um sabia que ia receber. Grondona e Ricardo Teixeira começaram a ampliar os benefícios a todos. Nunca houve licitação nem concorrência para os contratos. A empresa Full Play entregou a cada um dos dez presidentes (das federações nacionais na América do Sul) 300.000 dólares para assinar um contrato”, revelou Figueredo.

Segundo o depoimento do uruguaio, Grondona mandava mais no futebol sul-americano do que Nicolás Leoz, o ex-presidente da Conmebol por anos, e era um grande aliado de Teixeira. O argentino morreu em 2014, antes da eclosão dos casos de corrupção no futebol mundial.

Figueredo disse no depoimento que, quando já comandava a Conmebol, “o presidente da CBF” sugeriu que ele aumentasse seu próprio salário como chefe da entidade para permitir que todos os demais membros do Comitê Executivo da organização também ganhassem mais. Em 2013 e 2014, período em que dirigiu a Conmebol, o presidente da CBF era José Maria Marin.

“O presidente do Brasil queria que eu cobrasse 50.000 dólares, assim eles ganhariam 25.000 dólares. Fechamos em 40.000, porque era ‘dinheiro doce'”, explicou, usando um termo em espanhol para designar propina.

Figueredo disse ainda aos juizes que todo o escândalo “nasce das declarações de J. Hawilla”, em uma referência ao acordo de delação premiada que o empresário brasileiro, dono da Traffic, fechou com a Justiça americana após ser acusado de corrupção nos contratos de marketing e direitos de televisão com a Conmebol

Uruguaio Eugenio Figueredo, novo presidente da CONMEBOL

Uruguaio Eugenio Figueredo, novo presidente da CONMEBOL (VEJA)

​Resposta – Procurado, Ricardo Teixeira negou participação no esquema de propinas na Conmebol. O ex-presidente da CBF disse que a revelação de Figueredo “é estapafúrdia, sem nenhuma lógica, se é que verdade que ele falou isso”.

“Raciocina comigo. Eu deixei a CBF em abril de 2012 e fui para os Estados Unidos. O Figueredo assumiu a Conmebol em maio de 2013. Como eu poderia participar da assinatura de contratos com a Full Play em 2013 se eu já estava fora da CBF e não era membro da Conmebol? Não tem lógica.”

O contrato a que Teixeira se refere é o dos direitos de marketing da Copa América de 2015 e de 2016 celebrado pela Datisa (empresa uruguaia criada por um acordo entre a Traffic, de J. Hawilla, e as argentinas Full Play e Torneos y Competencias) com a Conmebol, em maio de 2013.

“Como eu poderia fazer parte de um contrato se não tinha cargo na Sul-Americana? Não é verdade que teria recebido esses 300.000 dólares que o Figueredo teria declarado. Esse dinheiro não entrou na minha conta. Se ele disse que eu recebi, então cadê o meu dinheiro? Na minha conta, não entrou”, disse o dirigente de 68 anos.

Processos – As revelações feitas por Eugenio Figueredo diante da Justiça podem comprometer Ricardo Teixeira ainda mais. Ministérios públicos da América do Sul fecharam um acordo para compartilhar informação e agir de forma coordenada no caso da corrupção no futebol.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos suspeita que Teixeira tenha controlado três contas secretas em bancos na Suíça e, além das propinas em casos relativos aos torneios da Conmebol, o acusam de corrupção no contrato entre a Nike e a CBF.

O FBI ainda levou da Suíça cerca de 50 caixas de documentos sobre as investigações relativas ao pagamento de propinas para Teixeira por meio da empresa ISL. A companhia de marketing da Fifa quebrou em 2001, e um caso apontou para o uso da empresa como uma espécie de banco paralelo para permitir que o brasileiro recebesse propinas. O caso foi arquivado em 2012 depois que Teixeira pagou uma indenização em um acordo, mas agora os americanos querem reabri-lo.

(com Estadão Conteúdo)