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Em batalha épica, Espanha bate Itália e decide com Brasil

Equilibrada durante os 120 minutos, partida é decidida nos pênaltis - Bonucci desperdiçou sua cobrança e Navas colocou a Fúria na final de domingo, no Rio

Em um empate sem gols mais quente que a temperatura de Fortaleza, a Espanha suou para bater a Itália, nos pênaltis, por 7 a 6, nesta quinta-feira, e carimbar sua passagem para a finalíssima da Copa das Confederações. A decisão contra o Brasil, no Maracanã, era esperada por nove entre dez amantes do futebol. O que não era esperada era a brava resistência italiana ao jogo da poderosa campeã mundial nesta emocionante semifinal na Arena Castelão. Foram 120 minutos de um jogo tenso e completamente indefinido, com alternâncias de domínio. Um épico instantâneo. Bonucci, que desperdiçou a sétima cobrança da Azzurra, determinou a vitória da Fúria – que, contudo, esteve longe de mostrar seu vistoso futebol durante a partida.

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Como se esperava, a Espanha tomou a iniciativa das ações, avançando para o campo da Itália, que postou-se em bloco na retaguarda. Andrés Iniesta, sempre com a bola grudada nos pés, buscava furar o bloqueio da Azzurra e servir Fernando Torres, artilheiro do torneio, que desta vez começou como titular. No entanto, bem posicionada por Cesare Prandelli, a seleção italiana, já a partir dos 10 minutos, neutralizou o ímpeto espanhol e começou a flertar com o ataque. Tornaram-se constantes as descidas do ala direito Maggio, as infiltrações de Giaccherini e os lançamentos de Pirlo para o atacante Gilardino – o veterano substituto do lesionado Mario Balotelli quase marcou aos 15 minutos, na jogada que inaugurou, oficialmente, a jornada ofensiva da Itália. Daí para frente, só deu Azzurra. Quatro minutos depois, nova chance. Em uma belíssima jogada pela esquerda do abusado Giaccherini, bola alçada na área para Maggio; o lateral ajeitou de cabeça para Marchisio, que testou firme para bela defesa de Casillas. Acompanhada apenas pelo olhar dos espanhóis, a Itália acumulava chances. Aos 36, Maggio obrigou o camisa 1 espanhol a fazer um milagre. A única chance real da Fúria aconteceu um minuto depois, quando Torres, em jogada individual, deixou Barzagli na saudade e bateu cruzado, de canhota – mas a bola saiu à esquerda de Buffon. Ao final do primeiro tempo, as estatísticas mostravam nove chutes a gol para a Itália e apenas dois para a Espanha – e o toque de bola da Azzurra arrancou o “olé” da torcida cearense, em um retrato fidedigno da etapa inicial.

Os personagens

  • O maestro Pirlo

    Mesmo fora de suas condições físicas ideais, regeu a Azzurra com seus lançamentos milimétricos e sua notável capacidade de ditar o ritmo de uma partida

  • O peladeiro Piqué

    Não mostrou a segurança costumeira na defesa e, quando se aventurou no ataque – uma de suas especialidades -, desperdiçou chances incríveis

  • O gladiador De Rossi

    O volante começou formando dupla com Pirlo no meio, mas foi recuado para a zaga e ajudou sua seleção a suportar a pressão espanhola no final

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Faltou Balo – Consciente de suas limitações físicas, a Itália diminuiu o ritmo no início da segunda etapa – sem, contudo, deixar de lado a impressionante aplicação tática mostrada desde o início. Como o time de Del Bosque também não arriscava muito, limitando-se a um improdutivo toque de bola na meia cancha, o jogo ficou morno. Aos 13, Jesus Navas, em chute cruzado pela direita, obrigou Buffon a fazer sua primeira defesa na partida. Com a entrada de Montolivo – que substituiu Barzagli no intervalo -, Prandelli recuou o combativo De Rossi para a zaga e deixou o atleta do Milan na armação com Pirlo. E, na metade da segunda etapa, a Itália já dominava amplamente as ações mais uma vez. A Espanha só ameaçou em uma sensacional jogada individual de Iniesta, que arrancou da intermediária, driblou três zagueiros mas bateu à esquerda da meta italiana. Apesar de seu predomínio no jogo, a Itália ressentia-se da ausência de um goleador de bom preparo como Super Mario. E, aos poucos, a implacável dedicação dos atletas ao esquema de Prandelli cobrou seu tributo. Nos minutos finais, a Itália apresentou uma queda acentuada em seu ritmo da Itália, acusando claramente o cansaço. Enxergando uma brecha para tentar decidir a partida nos minutos finais, a Espanha saiu de sua resignação e foi para cima do adversário. E, por pouco, uma perigosa triangulação da Fúria não termina em gol: aos 40 minutos, Piqué teve a chance mas, descalibrado, mandou longe da meta de Buffon. Fatigada e sofrendo com as investidas tardias da Fúria, a Itália, silenciosamente, comemorou o apito final de Howard Webb.

Depois de um tempo normal que não chegou exatamente a honrar a tradição das duas camisas, o jogo que todos esperavam finalmente apareceu na prorrogação. Como dois lutadores à procura do nocaute, Espanha e Itália – esta tirando forças não se sabe de onde – resolveram partir para decidir o jogo. A Fúria pressionava e levava mais perigo, mas os contraataques da Itália arrepiavam o espesso bigode de Del Bosque. Todo e qualquer esquema de jogo foi jogado para o alto – o zagueiro Piqué, por exemplo, estava mais na grande área de ataque do que na sua; já o volante Javi Martínez ocupava o lugar do centroavante Fernando Torres, em uma verdadeira salada tática espanhola. Como última cartada, Prandelli mandou a campo o minúsculo Giovinco, de 1,64 metros, que havia marcado o gol decisivo da emocionante vitória contra o Japão. Mas foi outro baixinho, Juan Mata, que teve chance de decidir, aos quatro do segundo tempo da prorrogação – mas, depois de dominar sozinho na entrada da área, bateu para fora.

Confira todas as estatísticas e lances do duelo entre Espanha e Itália

E as oportunidades da Espanha ficavam cada vez mais frequentes – e claras. Em um belo chute de fora da área, aos dez, Xavi acertou a trave; um minuto depois, é Jesus Navas que quase decide. Em coro, a torcida brasileira e o banco italiano pediam o fim do jogo. E, em dois ou três minutos que pareceram uma eternidade, foram atendidos: a partida ia para a disputa de pênaltis. Gianluigi Buffon versus Iker Casillas. Na meta, dois campeões do mundo – que, na série regular, não tiveram a menor chance. Candreva, Xavi, Aquliani, Iniesta, De Rossi, Piqué, Giovinco, Sergio Ramos, Pirlo e Juan Mata – todas as cobranças perfeitas. Na primeira série alternada, Montolivo e Busquets converteram. Na segunda, Bonucci se dirigiu à grande área para bater o décimo-terceiro pênalti do dia. Azar da Itália: bola para o alto, ao melhor estilo Roberto Baggio. Com tranquilidade, Jesus Navas acertou o seu e selou a vitória espanhola. Agora, todos para o Maracanã.