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Eliminado no Mineiro, Cruzeiro demite o técnico Deivid

Em sua primeira experiência como treinador, ex-atacante de 35 anos teve 70% de aproveitamento e não conseguiu chegar à final do Estadual

O novato técnico Deivid não resistiu à eliminação do Cruzeiro na semifinal do Campeonato Mineiro, neste domingo, diante do América-MG, e sofreu a primeira demissão de sua nova carreira. A decisão foi comunicada pela diretoria do Cruzeiro em reunião horas depois do empate em 0 a 0 no Mineirão – o América havia vencido o jogo de ida por 2 a 0.

Campeão pelo Cruzeiro como jogador, na Tríplice Coroa de 2003, Deivid, de 35 anos, retornou ao time em junho do ano passado como auxiliar técnico de Vanderlei Luxemburgo. Apesar da demissão do treinador ao final de agosto, o ex-atacante permaneceu no clube como membro permanente da comissão técnica e assistente de Mano Menezes no clube. Com a saída de Mano para o futebol chinês, em dezembro de 2015, Deivid foi efetivado como técnico, a pedido dos próprios jogadores do elenco.

Em sua primeira chance como treinador, o ex-atacante buscou adotar um estilo de jogo ofensivo e técnico, mas jamais conseguiu transformar a sua teoria em atuações convincentes. Mesmo com bons resultados, Deivid não resistiu à insatisfação dos torcedores e da própria diretoria, que já havia condicionado a permanência do técnico a uma classificação à final do Campeonato Mineiro.

Demitido, o jovem treinador deixa a Toca da Raposa com 18 jogos disputados, 11 vitórias, cinco empates e duas derrotas, num aproveitamento total de 70%. O clube não confirma o nome de nenhum eventual substituto para Deivid, mas Marcelo Oliveira, Jorginho e Abel Braga são os principais candidatos.

Carta – Já no fim do domingo, Deivid utilizou as redes sociais para se despedir do clube e agradecer o apoio dado pela torcida cruzeirense por meio de um comunicado. Ele, porém, criticou o “imediatismo” do futebol nacional e a falta de paciência com os treinadores. Confira, na íntegra, a mensagem deixada por Deivid:

“Tenho uma história de 18 anos no futebol, estou acostumado a lidar com pressão e essa será a primeira de muitas no meu futuro como treinador. Futebol hoje é resultado, não temos tempo de trabalhar e colocar novos conceitos em prática com o imediatismo que o futebol brasileiro exige, mas continuarei acreditando que esse cenário vai mudar, precisamos profissionalizar e evoluir. Infelizmente não foi o resultado que esperava, tivemos alguns desfalques no time que comprometeu o nosso rendimento, mas no geral, acredito que fiz um bom trabalho e como líder da equipe consegui unir o time e aproveitar o melhor de cada jogador.

Quero agradecer a todos os integrantes da comissão técnica, Thiago, Bruno e Presidente, que acreditaram no meu trabalho e me deram essa oportunidade, à minha família, que sempre me deu todo suporte necessário, e à torcida cruzeirense, que desde que eu vim para o clube como auxiliar técnico, me recebeu de volta ao clube com todo carinho. O que para muitos pode parecer o fim, para mim é o começo de uma carreira que abri com chave de ouro aqui no Cruzeiro. Agora é matar a saudade da família, e focar em aprimorar o meu trabalho.”

(com Gazeta Press)