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Diretor vê pressa com Fabrício e abalo psicológico, mas Leão nega

A constatação da terceira contusão de Fabrício em pouco mais de quatro meses no São Paulo preocupa Adalberto Baptista. O diretor de futebol afirma que o volante nem atuaria no sábado contra o Mogi Mirim, quando sofreu estiramento na panturrilha direita que deve deixá-lo fora por cerca de um mês, e alerta para o lado psicológico do atleta, que já se disse envergonhado. Mas Emerson Leão assegura que o camisa 8 tinha condições de atuar.

‘O jogador jamais vai entrar em campo sem sua própria anuência. O Fabrício estava relacionado, e como todo relacionado pode entrar a qualquer momento. E eu já havia dito que, se ele estivesse relacionado, iria jogar porque precisava recuperar sua capacidade física. A lesão estava zerada’, explicou o técnico.

Adalberto Baptista, contudo, tem outra informação. O dirigente entende que o volante – que chegou do Cruzeiro em janeiro com lesão no tornozelo esquerdo, estreou só em 22 de fevereiro e já sentiu contratura na panturrilha direita com 22 minutos em campo contra o Bragantino – não deveria atuar como titular em dois jogos seguidos. O meio-campista esteve no primeiro tempo contra o Ituano e, no fim de semana seguinte, ficou 15 minutos no jogo contra o Mogi Mirim até sentir nova lesão na panturrilha direita.

‘Vimos que foi um espaço de tempo curto para ele ter entrado em campo depois de quase seis meses sem jogar. Mas precisávamos, o Denilson acabou tendo uma gripe e teve que ficar fora. O Fabrício não iria para o jogo, na casualidade teve que ser escalado e, na fatalidade, aconteceu a lesão. Agora terá que recuperar e voltar’, lamentou o diretor de futebol.

O único ponto em que todos concordam é que a nova contusão foi uma fatalidade. O vice-presidente de futebol João Paulo de Jesus Lopes chega a citar como exemplo o volante Wesley, que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito e desfalcará o Palmeiras por um período entre seis e oito meses.

Adalberto Baptista promete até um tratamento menos apressado ao atleta contratado para ser o modelo de ‘sangue nos olhos’ que a diretoria sentiu faltar no elenco em 2011. ‘Quando você reincide, sendo essa a terceira lesão, abala o psicológico. Para melhorar isso, seremos mais conservadores, para não abalar psicologicamente. Agora temos certeza de que cuidaremos com mais cuidado e ele renderá tudo que esperamos. Espero que não tenha problemas de ordem física ou técnica, além de psicológica.’

Mas Leão, mais uma vez, rebate o dirigente neste caso. Alega que nenhuma etapa foi queimada no tratamento de Fabrício, assim como não será na recuperação da nova contusão. ‘Não teve rapidez nem menos tempo, foi tudo no momento exato, tanto que a lesão é nova. Não gosto de bater recorde de recuperação, gosto de ter certeza de atleta apto para desenvolver seu trabalho’, disse o treinador.

‘O atleta só entra em campo quando o departamento médico libera com certeza. Aqui não precisamos de sacrifício. O sacrifício só é válido quando tem uma final e depois um mês sem jogos’, continuou Leão, em recado direto ao Cruzeiro – o volante atuou nos últimos cinco jogos do ano machucado para ajudar a equipe a evitar o rebaixamento no Brasileiro, prejudicando seu início de trajetória no Tricolor paulista em 2012.

Discordâncias à parte, o objetivo geral é animar o jogador. ‘Foi uma fatalidade e estamos tão chateados quanto ele. O Fabrício foi contratado para ser um volante em campo, mas não conseguiu ainda. Há mais de quatro meses não consegue terminar um jogo, é algo que vem lá de trás, não do São Paulo’, comentou Leão.

‘Não tenho decepção com o Fabrício, só alegrias. Além do jogador, é um grande homem. Infelizmente, teve lesão, como aconteceu com o Luis Fabiano. Mas fora de campo, é uma grande pessoa, correspondendo às expectativas. Em breve fará o mesmo dentro de campo’, apostou Adalberto Baptista.