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Com bombardeio, Bélgica bate os EUA e pega última vaga

Europeus somam recorde de finalizações e eliminam americanos em Salvador, 2 a 1, na prorrogação, em duelo com final eletrizante. Agora, encaram a Argentina

A Bélgica bateu o recorde de arremates a gol na Copa do Mundo: foram nada menos de 39, superando a blitz alemã contra a Argélia, na segunda, em Porto Alegre

Quase três décadas depois de figurar entre as quatro melhores seleções do planeta, a Bélgica está de volta às quartas de final de uma Copa do Mundo. A equipe do técnico Marc Wilmots – que, como jogador, teve de amargar três eliminações nas oitavas – conseguiu sua quarta vitória em quatro jogos na competição e mandou para casa a equipe dos Estados Unidos, nesta terça-feira, na Fonte Nova, em Salvador: 2 a 1, na prorrogação, gols de Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku, depois de um furioso bombardeio no ataque (e de uma atuação quase perfeita do goleiro americano Tim Howard). Green marcou o gol da equipe eliminada, que ainda deu um sufoco nos belgas nos minutos finais do tempo adicional. Nada mais adequado para fechar a primeira rodada eliminatória do Mundial, que foi marcada por partidas emocionantes e decididas em detalhes.

Os EUA, muito bem armados pelo técnico alemão Jürgen Klinsmann, vinham embalados por uma notável onda de apoio em seu país (onde a Copa virou sucesso de audiência e reuniu dezenas de milhares em praças, parques e até no Soldier Field, palco da abertura do Mundial de 1994, em Chicago). Na Bahia, a equipe também tinha o apoio da maioria do público presente. A empolgação, porém, não foi suficiente para fazê-la superar a habilidosa e veloz seleção europeia, que fez seu melhor jogo até agora no torneio e agora vai sonhar ainda mais alto. A aventura belga prossegue no sábado, em Brasília, quando a última equipe classificada entre as oito melhores enfrenta a Argentina por uma vaga na semifinal. Os belgas poderão vingar a derrota sofrida na última vez que a equipe passou das oitavas – no México-1986, a equipe de Maradona parou a seleção dos ótimos Pfaff, Scifo e Ceuelmans na semi, 2 a 0, no Estádio Azteca.

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Chances perdidas – As emoções na Fonte Nova começaram logo no primeiro minuto, com o jovem atacante belga Origi, que arrancou pela faixa central, invadiu a área e exigiu a primeira boa defesa do goleiro Tim �Howard, com o pé. Era a primeira amostra de como seria a maior parte do jogo, disputado em ritmo acelerado, com a Bélgica sempre procurando mais o gol. A correria dos atletas, porém, parece ter dado preguiça nos seguranças de Salvador, que assistiram passivamente enquanto um invasor de campo passeava pelo gramado, correndo entre os jogadores por cerca de meio minuto. Quando um integrante do Comitê Organizador Local (COL) saiu em desespero, tentando acionar os integrantes da segurança privada que trabalha nos estádios, cinco deles resolveram entrar em ação para remover o penetra. Reiniciada a partida, os americanos tentavam criar sua primeira chance. E ela veio apenas aos 20 minutos, com o capitão Clint Dempsey, que tabelou com Bradley e bateu, para fácil defesa do jovem goleiro Courtois. A Bélgica deu o troco: aos 22, depois de um roubo de bola no meio, a equipe treinada pelo ex-atacante Marc Wilmots partiu com três homens contra só um defensor americano, mas Kevin De Bruyne cortou o zagueiro e mandou para fora.

Três minutos depois, o lateral Vertonghen invadiu a área pela esquerda e cruzou forte, mas Beasley estava na pequena área para rebater�. A Bélgica controlava as ações, mas sentia a falta de uma participação mais constante de seu grande craque, Eden Hazard, do Chelsea, que atuava muito aberto pelo lado esquerdo do campo. Aos 28, quando ele enfim apareceu pela faixa central, exigiu boa defesa de Howard num chute rasteiro de fora da área. Aos 30, o lateral direito Fabian Johnson sentiu uma lesão depois de esticar demais a perna e saiu para a entrada do novato DeAndre Yedlin. Num de seus primeiros lances, ele fez um cruzamento perigoso sobre a área, mas Dempsey não conseguiu alcançar. Os americanos tentaram outras vezes na bola aérea, mas a zaga formada pelos experientes Van Buyten e Kompany conseguia dificultava o trabalho dos atacantes dos EUA. A�os 45, em mais uma trama ofensiva em velocidade dos belgas, De Bruyne arriscou de longe de novo, mas Howard mostrou segurança ao agarrar. As seleções terminavam os primeiros 45 minutos do duelo quase empatados na posse de bola, mas com muito mais oportunidades para os belgas – foram nove tentativas contra só duas dos americanos.

Confira todas as estatísticas do jogo desta terça na Fonte Nova

Bombardeio – Na segunda etapa, os Diabos Vermelhos aceleraram o ritmo. Howard precisou mostrar elasticidade ao dar um tapinha sobre o gol após uma boa tentativa de Mertens, de cabeça, logo aos 2 minutos, depois de cruzamento feito por De Bruyne. �Aos 8, Vertonghen voltou a aparecer bem no apoio, cruzando uma bola perigosíssima para a pequena área. De Bruyne e Origi não conseguiram alcançá-la. Aos 11, o eficiente Vertonghen, do Tottenham, emendou mais duas belas jogadas, desta vez com finalização dele próprio – na primeira, Howard defendeu, e na segunda, um bonito sem-pulo, a bola saiu pelo alto. A Bélgica já fazia por merecer o gol: aos 14, Mertens apareceu para desviar um cruzamento na área mas mandou para fora. Foi seu último lance no jogo: ele deu lugar a Kevin Mirallas, do Everton. A Bélgica martelava, e aos 23, o volante Witsel arriscou de longe. Seu tiro saiu rente à trave. Aos 26, outra chance de Origi, que de novo parou nos pés do goleiro Howard. Tentando reagir, Klinsmann fez uma troca no ataque, com Wondolowski substituindo Zusi. Mas era só Dempsey, o dono do time, quem ameaçava: ele criou uma rara oportunidade para os americanos aos 29, chutando com efeito, para Courtois agarrar.

Logo em seguida, porém, a Bélgica voltou a desperdiçar uma chance clara, com Mirallas, acionado por Origi depois de boa jogada de Hazard. Ele entrou na área e tentou deslocar Howard, mas o americano fez mais uma defesa com os pés. Howard, que já merecia o título de melhor em campo, voltou a brilhar aos 34, quando parou mais uma chance clara, agora de Hazard. Aos 37 foi a vez do zagueiro Besler cortar, bloqueando chute do zagueirão Van Buyten num escanteio. O bombardeio foi retomado dois minutos depois, com Origi, fazendo Howard espalmar para novo escanteio. Aos 42, De Bruyne lançou Hazard, que bateu para fora no 29º arremate a gol dos belgas, superando o recorde da Alemanha contra a Argélia, na segunda (a equipe terminaria o jogo com 39 tentativas). Faltando um minuto, Howard salvou mais uma, de Hazard. Pela quinta vez nas oitavas de final, a decisão da vaga ia para a prorrogação. A Bélgica retornou com ataque renovado, com Lukaku no lugar de Origi. E foi do centroavante do Everton a jogada que enfim furou o bloqueio americano, aos 2 minutos do tempo extra.

No lance que transformou o jogo, Lukaku disparou pela direita, invadiu a área e encontrou De Bruyne, que cortou a zaga e bateu cruzado, desta vez sem chance para o incrível goleiro Howard. Aos 14, Lukaku parecia resolver o jogo de vez para os belgas: De Bruyne retribuiu o presente do primeiro gol e passou para o atacante ampliar. No início do segundo tempo extra, porém, Green, que havia substituído o apagado Bedoya, reacendeu o jogo, diminuindo o placar após jogada de Bradley. Logo em seguida, Jones quase empatou, perdendo boa chance dentro da área. Aos 8 minutos, numa jogada ensaiada ao melhor estilo germânico do técnico Klinsmann, Dempsey recebeu pelo meio em ótimas condições, mas Courtouis apareceu bem para interceptar. A Bélgica já tentava esfriar o jogo, demorando a cobrar cada falta e arremesso lateral. Mas a pressão americana continuava, com quase todo o time postado na área belga, apostando principalmente nos cruzamentos e na força física de seus jogadores nas divididas pelo alto. A reação dos americanos, no entanto, começou tarde demais, e a Europa colocou mais uma representante na próxima fase.