Cielo quebra silêncio: só volta a nadar quando ‘saudade bater’

Ídolo da natação brasileira disse que não tem previsão para voltar às piscinas e não descartou a hipótese de se aposentar

César Cielo segue sendo um nadador de alto rendimento ou está aposentado? Nem ele próprio sabe responder. Nesta quarta-feira, o único brasileiro campeão olímpico na natação fez sua primeira aparição pública desde a frustrante eliminação nas seletivas para a Rio-2016, em abril, e disse que ainda não decidiu quando e se voltará a competir.

“Eu decidi dar uma pausa, tanto que desde o Maria Lenk não competi e não tenho previsão ainda. Acelerei uns projetos fora da água, mas contato com a água nunca vou deixar de ter. São 22 anos dentro da piscina. Para mim é como escovar os dentes”, afirmou, durante apresentação do projeto “Novos Cielos” em sua cidade natal, Santa Bárbara D’Oeste (SP).

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Visivelmente mais magro, Cielo disse que deixará o desejo de competir retornar naturalmente. “Tem dia que brigo com a piscina, tem dia que eu amo. Passei um período brigado, mas estou com um pouquinho de saudade. (…) Não vou dizer que vou voltar em janeiro, ou em 2018, mas a natação nunca vai sair da minha vida. Talvez eu ache que vai ser mais interessante ajudar fora da água, mas faz falta. A rotina e piscina fazem falta, sim”, admitiu o atleta de 29 anos, que tem contrato com o Minas Tênis Clube apenas até o fim do ano.

Cielo ficou quatro meses sem vestir uma sunga e só retornou aos treinos no Centro Olímpico do Ibirapuera, por enquanto de três a quatro vezes por semana, sem obrigações. Ele recusou participar de eventos durante todo esse tempo e acompanhou a Rio-2016 à distância. Ele disse que ficou chateado com a perda da medalha de Thiago Pereira nos Jogos e comparou sua situação à do amigo. “A gente está numa fase parecida. A gente não está gostando da piscina, mas também não quer largar.”

Cielo, que curte o primeiro ano do filho Thomas, diz que primeiro precisa encontrar motivação para depois voltar a competir em alto nível. “Se eu achar que não estou disposto a acordar às 5h da manhã para pular na água fria, não vou voltar. Estou esperando essa vontade aparecer. Eu vi que forçado não é o jeito certo. Fiquei me questionando muito tempo. A desmotivação era estar fazendo uma coisa forçada. Estou deixando a piscina me atrair de novo.” Cielo possui três medalhas olímpicas, sendo um ouro em Pequim-2008, e mais 11 medalhas de ouro em mundiais.

(com Estadão Conteúdo)