Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

China se rende a Ye, a ‘Sereia Oriental’, e encara polêmicas com bom humor

Antonio Broto.

Pequim, 2 ago (EFE).- Com o pivô de basquete Yao Ming aposentado e trabalhando como comentarista esportivo e à espera das provas de Liu Xiang nos 110 metros com barreiras, o coração dos torcedores chineses já tem um lugar privilegiado para a nadadora Ye Shiwen, que com dois ouros e uma competitividade blindada contra polêmicas já é uma heroína nacional.

Alguns a apelidaram de ‘Sereia Oriental’: seu ouro na última terça-feira nos 200 metros medley, batendo pela segunda vez o recorde olímpico, a consagrou por enquanto como o grande orgulho do esporte chinês nos Jogos Olímpicos de Londres, mesmo após algumas acusações de doping. Nem o fracasso no revezamento 4x200m livre ofuscou seu brilho.

A China terminou a quarta-feira, quinto dias de finais, liderando o quadro de medalhas com 17 ouros. Porém, a controvérsia que rodeou a nadadora e seu espetacular desempenho nos 400 metros medley – marcando um tempo melhor que o de Ryan Lochte entre os homens no nado livre – ofuscaram as outras conquistas do país.

Nas redes sociais, Ye é a rainha dos Jogos para os internautas chineses: em apenas três dias, 2,5 milhões de usuários da rede social Weibo (uma versão chinesa do Twitter) manifestaram sua admiração e apoio à nadadora.

Muitos deles tentam encarar com bom humor as acusações de doping recebias pela jovem de 16 anos. Um dos temas mais comentados é o artigo de um jornal britânico que questionava a possibilidade de Ye ter sido modificada geneticamente para ganhar.

‘Eu também quero modificar meus genes, quero os genes de David Beckham!’, comentou um internauta, enquanto outros publicaram fotos de atletas americanos que foram flagrados por doping, como Marion Jones e Justin Gatlin.

Outros internautas brincaram com as substâncias dopantes: ‘Poderíamos ministrá-las à seleção de futebol chinesa’, ironizou um internauta, em alusão aos fracos resultados da equipe mais acompanhada pelos torcedores nacionais.

O sucesso de Ye e a polêmica que lhe rodeou serviram para que a imprensa chinesa se interessasse pela vida da adolescente, nascida em um povoado montanhoso nos arredores de Hangzhou, região leste do país. Segundo seu pai, Ye Qingsong, Shiwen começou a nadar na escola, aos cinco anos, por recomendação de seus professores, pois ‘tinha as mãos muito grandes’.

‘A levamos à escola de treino e ela adorou, então a deixamos ficar’, lembra o pai em entrevista à Agência ‘Xinhua’, na mesma escola, de onde viu a conquista da segunda medalha de ouro junto a amigos e treinadores.

Ye Qingsong lembra que durante cinco anos levou sua filha numa bicicleta elétrica aos treinamentos todos os dias, fizesse chuva ou sol, e que ela ‘parecia um menino, por seu cabelo curto’ – não deixavam crescer para que nadasse melhor.

Seus técnicos lembram que era a menina mais disciplinada: ‘Se lhe mandavam nadar mil metros, fazia 3 mil’, conta Wei, um de seus antigos treinadores, à agência estatal.

Coincidência ou não, a escola de treino Jinglun, onde Ye Shiwen começou sua paixão pela natação, também é ‘berço’ de outro nadador chinês campeão em Londres, Sun Yang (um ouro, uma prata e um bronze e campeão Mundial em Xangai 2011). Nestes dias, um cartaz foi pendurado na entrada da escola com os dizeres: ‘fábrica de campeões’.

Ye Shiwen, de acordo com a página oficial dos Jogos, conta que em seu tempo livre gosta de ver televisão e ler romances policiais, e que seu sonho era ser campeã olímpica.

Seu sucessp não é totalmente surpreendente para os chineses, depois de conseguir dois ouros nos Jogos Asiáticos de 2010 e um ouro no Mundial de Xangai 2011, em que não competiu 100% por conta de uma virose. EFE