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CBF ignora clubes e confirma que seleção vai desfalcá-los

Marin afirma que as convocações continuarão esvaziando as equipes do país. Na segunda, seleção sub-21 chamou atletas de 11 clubes para longa excursão

“Existe um cronograma em andamento e precisamos respeitá-lo”, disse Marin, sem dar grande importância ao drama dos clubes que perdem seus principais jogadores nas datas Fifa

Na mira das reclamações dos clubes e torcedores que têm seus times desfalcados por jogos da seleção brasileira, o presidente da CBF, José Maria Marin, garante que aceita rediscutir o calendário para evitar os conflitos entre as partidas dos campeonatos locais e as datas Fifa. Por enquanto, porém, nada muda: na segunda-feira, num evento em São Paulo, o cartola avisou que a CBF não vai poupar as equipes nacionais nos amistosos do mês que vem, que coincidem com jogos decisivos do Brasileirão e da Copa do Brasil. Clubes como Cruzeiro, São Paulo, Atlético-MG, Corinthians, Santos e Botafogo temem ser prejudicados numa etapa decisiva da temporada – e não só pela seleção principal como também pela equipe sub-21, treinada por Gallo, que na própria segunda já começou o desmanche dos times brasileiros para novembro.

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“Existe um cronograma em andamento e precisamos respeitá-lo”, disse Marin, sem dar grande importância ao drama dos clubes que perdem seus principais jogadores nas datas Fifa. “No futuro, vamos melhorar o calendário, através do diálogo. Vamos conversar com dirigentes e também com o próprio Dunga. Mas a verdade é uma só: todos os jogadores sonham em atuar pela seleção brasileira. Portanto, precisamos conciliar os interesses.” O presidente da CBF mostrou irritação com o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, que manifestou publicamente sua irritação com a convocação fora de hora de Kaká e Souza, chamados às pressas para completar o grupo depois que Ricardo Goulart e Ramires se machucaram. Aidar disse que cobraria da CBF os salários dos atletas durante a ausência. Isso está previsto em lei, mas Marin reclamou: “Não achei normal a atitude dele”.

O cartola repetiu o técnico Dunga ao recorrer a um argumento altamente questionável para fugir da responsabilidade pelos desfalques nas equipes. “Qualquer dirigente que deseja que algum jogador seu não seja convocado para defender o Brasil precisa manifestar isso por escrito, expressamente. Caso contrário, não há como proceder.” É uma saída fácil para a CBF, que sabe que dificilmente os clubes chegarão ao ponto de pedir a dispensa dos atletas, já que os jogadores não querem perder suas vagas na seleção. Enquanto Marin alfinetava os clubes, o coordenador das seleções de base da CBF, Gallo, divulgava uma lista de convocados para a equipe nacional sub-21. Onze clubes tiveram atletas chamados – entre eles, Gabriel, destaque do Santos, Malcom, que tem jogado entre os titulares do Corinthians, Auro, revelação do São Paulo, e João Pedro, bom lateral do Palmeiras. Enquanto seus clubes disputam partidas importantes no país, eles viajarão à Inglaterra para uma série de treinos e depois irão à China para um torneio amistoso.

(Com agência Gazeta Press)