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Caso Fifa: versão de Teixeira contradiz investigação e desmente Espanha

Ex-presidente disse que apoiou a Copa no Catar em 2022 em troca de votos para Espanha e Portugal no Mundial de 2018 - acordo que é proibido pela Fifa

O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, afirmou nesta semana que não recebeu suborno para votar no Catar como sede da Copa de 2022 e apenas o fez por causa de um acordo de troca de votos entre a confederação sul-americana, o país do Golfo e a Espanha, que concorria para organizar o Mundial de 2018 junto com Portugal. A versão de Teixeira, no entanto, contradiz uma investigação que a Fifa realizou por dois anos, ao custo de 6 milhões de dólares (18,2 milhões de reais).

O acordo de troca de votos era proibido pela Fifa e teria invalidado as campanhas de Catar e da Espanha. Na época, a entidade chegou a anunciar que uma investigação tinha sido aberta e que nada foi provado. “Depois de investigar as suspeitas contra Portugal e Espanha, não encontramos base suficiente para chegar à conclusão que houve qualquer tipo de acordo”, declarou no dia 18 de novembro de 2010 o presidente do Comitê de Disciplina da entidade, Claudio Sulser.

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Naquele mesmo ano, o presidente da candidatura da Espanha, Miguel Angel Villar, também negou a existência de qualquer acordo de troca de votos. “Já dissemos à Fifa que não temos nenhum outro acordo com outra candidatura e estou pronto para trabalhar com a Fifa para limpar esse fato”, disse. Villar chegou a fazer pressão na imprensa espanhola para que a notícia não fosse veiculada, alegando que se tratava de um complô da Inglaterra, que também concorria a receber a Copa de 2018, que acabou ficando com a Rússia.

Na quarta-feira, Teixeira disse em entrevista ao portal Terra que houve o seguinte acordo: o Catar apoiaria a escolha de uma Copa compartilhada entre Espanha e Portugal em 2018 em troca dos votos para sediar o Mundial de 2022. Segundo o brasileiro, houve uma reunião entre ele, Angel Maria Villar, presidente da Federação Espanhola, e Julio Grondona, ex-presidente da Associação de Futebol Argentino, que morreu em 2014.

Essa reunião, na versão de Teixeira, teria como objetivo obter votos para o Catar ganhar a disputa pela sede de 2022. “O Catar votaria conosco para 2018 e em troca receberia nosso apoio em 2022. Foi esse o acordo. Foi somente esse o acordo. E o que se viu? A Espanha conseguiu chegar à última rodada de votação, mas perdeu para a Rússia. A história não difere um milímetro disso aí”, afirmou Teixeira.

A explicação contradiz o que a Fifa concluiu, depois de dois anos de investigações. Em um trecho do informe publicado em novembro de 2014, o juiz admitiu que tinham “certas indicações de que a troca de votos pode ter ocorrido, em uma dimensão limitada. Entretanto, o Comitê de Ética não estabeleceu evidências conclusivas sobre esse ponto “. Diante da “falta de evidências”, a Fifa optou por não processar e nem condenar ninguém. Teixeira e Angel Villar não colaboraram com a investigação.

(com Estadão Conteúdo)