Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Caso Fifa: 8 acusados de corrupção se declaram culpados

Dois brasileiros, José Margulies e Fabio Tordin, estão na lista de dirigentes e executivos que aceitaram pagar multas ao governo americano

A procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, afirmou nesta quinta-feira que oito acusados de corrupção no futebol se declararam culpados e aceitaram pagar à Justiça americana, no total, 40 milhões dólares (cerca de 150 milhões de reais) em multas por envolvimento no escândalo envolvendo a Fifa. São eles: Jeffrey Webb, Alejandro Burzaco, Luis Bedoya, Sergio Jadue, Zorana Danis , Roger Huguet e os brasileiros José Margulies e Fabio Tordin – além de Chuck Blazer e do empresário brasileiro J. Hawilla, os principais delatores do caso.

“Hoje posso informar que oito acusados aceitaram se declarar culpados de sua participação nestas tramas de corrupção”, ressaltou Lynch em uma entrevista coletiva em Washington, na qual anunciou 16 novas acusações a dirigentes em atividade ou já desligados de suas funções, incluindo o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero e o ex-mandatário da entidade, Ricardo Teixeira. O número total de pessoas e organizações acusadas no chamado “Fifagate” chegou a 41.

Leia também:

Del Nero se licencia da CBF e deputado federal assume

Del Nero e Teixeira são acusados de corrupção pelo FBI

Presidentes da Conmebol e da Concacaf são presos em Zurique

Entre os culpados no caso, se destaca o americano Jeffrey Webb, ex-vice-presidente da Concacaf, que aceitou pagar 6,7 milhões de dólares após se declarar culpado de crime organizado, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. O brasileiro José Margulies, também conhecido como José Lázaro, aceitou pagar uma multa de 9,2 milhões de dólares por ter utilizado suas companhias Valente Corp. e Somerton Ltd. para cometer os mesmos crimes.

O ex-presidente do canal de TV Torneos y Competencias S.A., o argentino Alejandro Burzaco, aceitou pagar uma multa de 21,6 milhões de dólares pelas acusações de lavagem de dinheiro e fraude eletrônica, segundo o Departamento de Justiça.

As outras cinco pessoas que reconheceram participação no escândalo na Fifa não figuravam entre os primeiros acusados desta rede, que supostamente enriqueceram durante mais de 24 anos com até 200 milhões de dólares (quase 800 milhões de reais) por meio de propinas, subornos e lavagem de dinheiro.

Entre estas pessoas está o colombiano Luis Bedoya, membro do Comitê Executivo da Fifa, um dos vice-presidentes da Conmebol e até o mês passado presidente da Federação Colombiana de Futebol (FCF). Segundo o Departamento de Justiça, no último dia 12 de novembro, Bedoya se declarou culpado de fraude eletrônica e filiação a organização mafiosa, e concordou em entregar à Justiça americana todos os recursos depositados em uma conta bancária que tem na Suíça.

Sergio Jadue, um dos vice-presidentes da Conmebol e até o mês passado presidente da Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile, que em novembro aceitou acusações por crime organizado e fraude eletrônica e se comprometeu a entregar todo o dinheiro que tem em uma conta bancária nos EUA.

Os demais processados, cujos nomes eram desconhecidos até agora, pertencem ao mundo da publicidade esportiva, como o brasileiro Fabio Tordin, ex-diretor executivo da Traffic Sports USA e atualmente diretor da Media World LLC, uma companhia baseada em Miami que foi hoje alvo de busca e apreensão por parte do FBI. Ele terá que pagar 600.000 dólares de multa, assim como outro diretor da mesma companhia, Roger Huguet.

Já Zorana Danis, confundadora da International Soccer Marketing Inc., se declarou culpada por conspiração para fraudes, incluindo de impostos nos EUA, e pagará 2 milhões de dólares de multa.

Durante sua entrevista coletiva, Lynch não quis revelar o papel do presidente da Fifa, Joseph Blatter (suspenso do cargo durante 90 dias), e afirmou que o caso que estremeceu os alicerces do futebol tem “muitos enfoques e muitos indivíduos” os quais prometeu buscar.

Jeffrey Webb

Jeffrey Webb (VEJA)

(com agência EFE)