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Capitão Thiago Silva sonha com a abertura da Copa

Zagueiro revelado pelo Fluminense é tratado como um Beckenbauer na Europa e sabe que se erguer a taça pode ganhar estátua no Brasil

A timidez incontornável parece não combinar com a braçadeira de capitão que acompanha o zagueiro Thiago Silva desde 2011, quando ele ainda jogava no Milan, da Itália, antes de ser contratado pelo Paris Saint Germain. Aclamado como o melhor do mundo em sua posição, seguro e de excelente saída de bola da defesa para o meio, esse carioca de 29 anos formado pelo Fluminense é uma unanimidade. Um de seus fãs mais ardorosos, que faz questão de cumprimentá-lo no vestiário depois de cada jogo em casa, é o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy. “Ele é fanático pelo time. Sempre fala comigo e me parabeniza pelo jogo, diz que sou o melhor. Me enche de moral e confiança”, conta o brasileiro.

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A idolatria entre os parisienses chegou a tal ponto que o impede de passear anonimamente pelas ruas da capital. “Uma vez fui a um parque de diversões com o meu filho pequeno, mas só aproveitamos um brinquedo”, lembra. “Logo me reconheceram e ficou impossível andar. Tivemos de ir embora.” No Parc des Princes, o estádio do PSG, cada desarme ou lançamento preciso que faz é seguido de aplausos efusivos, como se fosse o protagonista de um espetáculo. As raras falhas são perdoadas. “O início em Paris foi difícil, porque não existe aquele calor humano dos italianos, tão parecidos com os brasileiros. Mas ganhei o respeito dos franceses aos poucos e hoje estou adaptado”, diz.

Há quem descortine na tranquilidade laivos de insegurança, mas é só a aparência – e ela desponta apenas antes e depois do apito do juiz. Nunca no gramado. Ao ouvir de Luiz Felipe Scolari o anúncio da lista dos convocados para a Copa, em maio, Thiago respirou aliviado, chegou a ficar emocionado. “Mesmo que eu seja o capitão e todos digam que estava garantido, é sempre especial o momento de ouvir o seu nome em uma convocação de Copa”, afirma. Emoção não é experiência nova – durante a execução do hino brasileiro nas partidas da Copa das Confederações, naquele junho do ano passado em que o Brasil foi às ruas e levou o título na bola, ele chorava copiosamente.

Agora, no auge da carreira, Thiago entende o tamanho da responsabilidade de ter de erguer a taça que Augusto da Costa, beque do Vasco da Gama, não conseguiu em 1950, ao final do Maracanazo. Uma resposta parcial à tragédia de 64 anos atrás pode ter sido o título da Copa das Confederações, em um Maracanã totalmente reformado e distante daquele coliseu triste da metade do século passado. Thiago, atento aos movimentos históricos, não tem dúvida: menos do que a final em 13 de julho, ou mesmo uma final sem troféu, levará sua geração a um incômodo limbo. Como ponte de tranquilidade e incentivo, ele se apega ao passado carioca, e nele volta para casa, depois de cinco temporadas europeias. “Jogar diante de meus familiares, na cidade em que cresci, é um privilégio”, diz. “No começo da carreira eu era um volante artilheiro. Lembro de uma final em que marquei o gol do título, de falta. É a melhor recordação daquele tempo.” Thiago, tratado como um Beckenbauer na Europa, mas discretíssimo no Brasil, sabe que a chance de erguer a taça pode fazê-lo virar estátua, como a que homenageia os campeões de 1958 do capitão Bellini nos portões do Maracanã.

2014 | CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA

Desde o título na Copa das Confederações, há um ano, um filme insiste em dominar o pensamento do capitão Thiago Silva. “Eu imagino a abertura da Copa, com a torcida cantando junto o hino. E isso se repete a cada jogo, a cada vitória. Até a final.” Como termina o filme? “Ganhamos no Maracanã e eu levanto a taça.”