Avião da LaMia fez outras 4 viagens no limite do combustível

Os trechos em que o avião voou próximo de seu limite de combustível foram entre a Colômbia e a Bolívia

Desde agosto, o avião Avro RJ85, da LaMia, fez outras quatro viagens em que quase chegou ao limite máximo de sua autonomia sem reabastecimento. Um desses voos durou apenas quatro minutos a menos do que o percurso encerrado em tragédia na madrugada de terça-feira, quando a aeronave caiu perto do aeroporto de Medellín, depois de o piloto emitir um alerta de falta de combustível à torre.

Os trechos em que o avião voou próximo de seu limite de combustível foram entre a Colômbia e a Bolívia, no sentido Medellín-Santa Cruz de La Sierra, em três ocasiões, e Cochabamba-Medellín. Desde o início do ano, há apenas um registro de percurso sem reabastecimento no sentido Santa Cruz-Medellín – justamente o do voo que terminou em tragédia, com a morte de 71 pessoas, entre jornalistas, tripulantes e atletas e dirigentes da Chapecoense, time que disputaria a final da Copa Sul-Americana com o colombiano Atlético Nacional.

Segundo registros coletados pelo Estadão Dados, o piloto boliviano Miguel Quiroga, que morreu no acidente, não foi o único a colocar os passageiros em risco ao navegar perto da capacidade máxima do avião. Segundo documentação registrada na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), no dia 4 de novembro, o mesmo aparelho sobrevoou o Brasil quando vinha de Medellín com destino a Santa Cruz de La Sierra. O piloto, na ocasião, era o também boliviano Marco Antonio Rocha Venegas. Não houve reabastecimento. No total, o percurso durou 4 horas e 33 minutos. O avião que levava a equipe da Chapecoense emitiu seu último sinal após voar por 4 horas e 37 minutos.

O plano de voo feito na véspera do acidente mostra que o piloto subestimou o tempo do percurso entre Santa Cruz de La Sierra e Medellín. O registrou indicou uma viagem de 4 horas e 22 minutos – performance nunca atingida pela LaMia.

RISCO – Em outros dois voos entre as duas cidades, o tempo da viagem foi próximo ao da que terminou em acidente. Em 22 de agosto e 29 de outubro, o avião fez o percurso em 4 horas e 28 minutos e 4 horas e 32 minutos, respectivamente. Em 28 de outubro, o trecho entre a cidade boliviana de Cochabamba e Medellín foi feito em 4 horas e 27 minutos.

O Estadão Dados analisou todos os voos do Avro RJ85 desde 31 de janeiro deste ano, data a partir da qual há registros no site Flightradar24.com. Nesses 303 dias, o avião deixou o solo em 201 ocasiões. Em 83% dos casos em que o tempo do percurso foi registrado pelo Flightradar24.com (151 vezes), as viagens duraram menos de duas horas e meia.

Além dos trechos entre Bolívia e Colômbia, outra exceção ocorreu na primeira quinzena de novembro, quando a LaMia percorreu os 2.217 quilômetros entre Buenos Aires e Belo Horizonte, nos dois sentidos, ao transportar a seleção da Argentina para jogar contra o Brasil, no dia 10. Messi estava a bordo. O voo de volta durou 4 horas e 4 minutos, e o de ida, 3 horas e 29 minutos.

Capacidade

O percurso máximo que o Avro RJ85 pode atingir, em quilômetros, depende do peso dos passageiros e de sua bagagem, além de condições meteorológicas. O fabricante, a empresa britânica BAE Systems, indica que o avião pode voar, no máximo, 2.965 km.

A distância entre os aeroportos de Santa Cruz de La Sierra e Medellín é de aproximadamente 2.975 km, ou seja, pouco superior ao máximo recomendado pelo fabricante da aeronave.

O que não está claro, e isso as investigações oficiais vão revelar, é se o modelo acidentado era “básico” ou tinha tanques extras de combustível, os chamados panniers. A eventual instalação desses tanques poderia estender a autonomia da aeronave em até 10%.

O piloto Marco Antonio Rocha Venegas, de acordo com reportagem da BBC, também é sócio da LaMia, assim como seu colega que morreu. Ele não fala com a imprensa de seu país desde o dia do acidente. Uma irmã de Venegas publicou nota no Facebook na última terça-feira para informar aos amigos que não era seu irmão que pilotava a aeronave que caiu em Medellín.

(com  Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. Na verdade, o que houve foi homicídio. É como dirigir bêbado, quando o motorista assume o risco. Na legislação brasileira, isso, hoje, é doloso. O piloto assumiu, conscientemente, o risco. Foi homicídio doloso.

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  2. Gerador emprego

    E os cartolas Chapecó e a conmebol indicava e praticamente exigiam esse lixo companhia….são homicidas também…vai ficar por isso mesmo???

    Futebol entidade corrupta e falida…parem assistir e talvez melhore

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  3. Adilson Nagamine

    Piada de boliviano. Depois que vai o único avião e Bolívia proíbe a Lamamamia de voar.

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  4. Robson La Luna Di Cola

    São as forças do mercado atuando. Visando a “otimização” dos resultados operacionais…

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  5. Sergio Campos

    Obviamente que a LAMIA não é empresa de confiança. Entretanto, voar com meios combustível do que o regulamentar é prática diária na aviação brasileira. Visa- economia, produtividade, metas, etc. Haj vista um F100 da TAM ter pousado em um pasto no interior de São Paulo anos atrás.

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  6. Regulamento aereo: aeronave deve ter combustivel para o destino + aeroporto alternativo + 45 minutos de voo. Nao foi um acidente e sim um assassinato coletivo.

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  7. Nelson Carvalho

    Prezado comentarista José, se no Brasil dirigir bêbado é crime com dolo, por que encontramos tantos casos de motoristas que já cometeram 10 ou mais crimes no trânsito – bêbados, ainda dirigindo ?

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  8. Cesar8002UTB

    Homicídio gerado por ganância. E suicídio também pois o piloto era dono do avião. A ganância é tanta que o cara se matou por dinheiro.

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  9. Eu não tenho duvida foi HOMICÍDIO,,pois usar uma empresa dessas para voar nesse espaço aéreo complicado como é esse trecho. Tanto é perigoso que não havia nenhum dos sábios DIRIGENTES entro do avião.

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  10. Carlos Marques

    Comandante Psicopata colocava em riso a vida de dezenas de “clientes”…Que arda onde merecer…

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  11. Carlos Marques

    Comandante Psicopata colocava em risco a vida de dezenas de “clientes”…Que arda onde merecer…Lá mesmo…

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  12. Carlos Marques

    Comandante Psicopata, Empresa Psicopata, pais Psicopata, COMEBOL Psicopata…Socorro! Quero mudar de Continente!

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  13. Carlos Marques

    O máximo que se faz na aviação brasileira, para economizar combustível, é diminuir o teor de O2 na cabine de vôo ( nunca na cabine de comando…). Sou cardíaco, e já cansei de mandar recado pelas aeromoças e comissários, pedindo educadamente para os Comandantes corrigirem a falha…Consome mais combustível…Fiquem de olho…Os lucros de todas elas são suficientes para nós atender…Lucram com os passageiros e lucram com a carga…Em todos os vôos…

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  14. Claudio Rigollet

    Bolivianos e Venezolanos……o que maís poderia se esperar destes países governados por corruptos….

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