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Ave, Júlio César!

Como já estou cansado de repetir para os meus dezessete leitores e meio (tem um anão, não se esqueçam), não assisto às partidas para que o resultado do jogo não interfira na minha análise crítica, isenta e imparcial. Assim sendo, lá vão minhas considerações equilibradas, sensatas e serenas sobre jogo. Haaaaaaaaaaaaja coração! O Brasil inteiro assistiu ao dramático jogo contra o Chile com uma ambulância-UTI à porta de casa.

O Brasil esteve o tempo todo à beira de um ataque: do ataque do Chile, do ataque de coração e do ataque de nervos. Felizmente havia um deus ex machina, um Querubim Celeste, um goleiro de beleza apolínea e nome de imperador romano: Júlio César. Ave, Júlio César! Aqueles que vão bater pênalti te saúdam! Não basta ser goleiro, tem de parecer goleiro.

​O Chile jogou completo, com: Tarapacá, Montes Alpha, Altair, Errazuriz, Almaviva, Don Melchor, Tabali, Undurraga, Ventisquero, De Martino, Concha y Toro. Sem contar com o seu banco de “reservas” sempre das melhores safras e cepas. A seleção chilena não tem técnico, tem um sommelier.

Os chilenos apresentaram um futebol frutado e bastante tânico, com toques de cereja, carvalho e xixi de gato no retrogosto. Mas, apesar da boa adega, se não fosse o Júlio César, o Brasil iria acordar com uma tremenda de uma ressaca. Cá estou na capital das Alterosas, terra de Aético Neves, o Beocinho, candidato à Presidência do Brasil. Aécio já avisou que, se for eleito, vai transferir a capital federal para o Rio de Janeiro, de onde governou Minas Gerais por oito anos.

Belo Horizonte é uma festa! As brasileiras dão para os estrangeiros com a maior facilidade. Basta ser gringo que a entrada está liberada, nem precisa pagar ingresso. Para não ficar na mão, eu me disfarcei de paraguaio e acabei pegando um travesti maneiro, quer dizer, um travesti mineiro. Só descobri o engano quando a criatura me ofereceu o seu tradicional tutu com linguiça.

Como todos sabem, cegos, surdos, mudos e pernetas têm o direito de comprar ingressos mais baratos para o Mundial. Por isso mesmo pedi ao meu amigo, o rei Roberto Carlos, que me arrumasse os seus tíquetes para a Copa para vender a bom preço na porta do estádio. Roberto Carlos não vai poder assistir aos jogos do Brasil, pois está muito ocupado censurando a própria autobiografia.

Na porta do estádio encontrei o ex-presidente em exercício, Luísque Inácio Lula da Silva, estacionando o seu jegue em lugar proibido. Enquanto a polícia rebocava o quadrúpede, Lula me confidenciou que não tinha ingresso. Imediatamente vendi ao Guia Genial dos Povos Latino-Americanos uma das minhas entradas para deficiente, falsificada, é claro. Como a entrada era falsa, Lula fez questão de me pagar com dinheiro do caixa dois da campanha da Dilma.

Agamenon Mendes Pedreira não é o Willian, mas também só chuta pra fora