Arbitragem europeia testa novos cartões para premiar fair play

Série B italiana já distribuiu seu primeiro cartão verde; em Portugal, está em discussão o mesmo projeto na cor branca

O primeiro cartão verde da história do futebol foi dado a um jogador na semana passada, durante a Série B do Campeonato Italiano. É isso mesmo, nem amarelo nem vermelho: o novo cartão, por enquanto testado exclusivamente na divisão de acesso da Itália, serve para exaltar o bom comportamento de um atleta dentro de campo em vez de punir.

O atacante do Vicenza, Cristian Galano, estreou a novidade com um gesto de fair play: em um lance de ataque, o jogador chutou para fora e o juiz considerou que houve desvio, marcando escanteio. Mas Galano admitiu ter chutado direto para a linha de fundo, sem o toque adversário. O juiz voltou atrás e deu tiro de meta. A ação voluntária do atleta rendeu-lhe o cartão verde, que, diferentemente do amarelo e vermelho, não é mostrado dentro de campo – o juiz apenas relata na súmula após a partida. Abaixo o lance:

“Este primeiro cartão verde é um momento de grande valor simbólico do Campeonato Italiano. Nossa contribuição para o verdadeiro futebol, limpo, justo e confiável também precisa destes exemplos que demonstram a capacidade de combinar espírito competitivo e respeito, através da colaboração com os árbitros”, disse em comunicado Andrea Abodi, presidente da Série B italiana.

Implementado como teste há um ano pela Série B italiana, o cartão verde servirá para os jogadores manterem a disciplina e, no final do torneio, será divulgado um ranking com os jogadores mais bem posicionados – o primeiro lugar ganhará um troféu simbólico.

Cartão branco – Em Portugal está em discussão outra cor que prevê o mesmo objetivo do cartão verde. O árbitro João Capela apresentou há uma semana, em Lisboa, proposta de um cartão branco que seria dado aos jogadores com boas ações dentro de campo. De acordo com o jornal português Record, este cartão já foi implementado em associações esportivas amadoras no país, inclusive em outros esportes, como basquete, vôlei e hóquei.

O ídolo da seleção francesa e ex-presidente da Uefa, Michel Platini, já havia dado a ideia do cartão branco em 2014, quando dirigia a entidade europeia. Sua ideia, no entanto, era ter um caráter punitivo, porém intermediário ao vermelho e amarelo. De acordo com Platini, na ocasião, o cartão branco tiraria o jogador da partida por 10 minutos. A punição parcial prevista por Platini já foi testada pelo futsal e futebol de areia com o cartão azul.