Pracinhas travam em Montese batalha mais sangrenta do país
desde a Guerra do Paraguai - Força total brasileira expele tropas alemãs
da cidade italiana e permite uma passagem tranqüila dos Aliados rumo
ao vale do rio Pó
Ímpeto descomunal: tropa da FEB avança
pela rua durante a violenta conquista de Montese
xcepcionalmente neste ano de 1945, ao contrário do que versejam
as canções napolitanas, o mês de abril, que inaugura a temporada
do amor e da primavera na Itália, revestiu-se de aventuras pouco românticas
na Velha Bota. Obstinados integrantes do 5º Exército americano e do
8º Exército britânico colocaram-se em marcha para, de uma vez
por todas, escorraçar os alemães do Norte da península. Nessa
violenta dança, também os pracinhas tomaram parte. Ligada ao 4º
Corpo, a Força Expedicionária Brasileira foi encarregada, por sugestão
do próprio general Mascarenhas de Moraes, de derrotar as tropas alemãs
que ocupavam a região de Montese - obstáculo para a passagem dos
aliados rumo ao vale do rio Pó.
A ação envolveu, pela
primeira e única vez, as guarnições da artilharia, os três
regimentos de infantaria e o esquadrão de reconhecimento verde-amarelos.
O 3º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria, que avançaria
rumo a Serreto-Paravento-Montelo, estava no centro da formação ofensiva,
sendo sua peça principal. À direita, alinhava-se o 2º Batalhão,
e à esquerda, o 1º. Assim, no dia 14 de abril, às 13h30, os
brasileiros atacaram Montese, fazendo sua estréia na traiçoeira
guerra urbana - bem mais complicada que os combates na montanha, por literalmente
esconder um problema em cada esquina.
...
Marcas indeléveis
- O avanço-mestre dos soldados nacionais era observado de camarote pelos
comandantes conterrâneos em Sassomolare, que fornecia perfeita visão
de Montese. Estes presenciaram uma evolução nota dez dos pracinhas,
que penetraram na defesa inimiga e lancetaram os tedescos com ímpeto descomunal.
Um dia depois da invasão, os soldados de Adolf Hitler começavam
a ser varridos de Montese. A tomada da cidade concretizou-se no dia 16, com o
apoio do 6º Regimento de Infantaria.
Ao final dos combates, Montese
estava praticamente arrasada: das 1.121 casas do burgo, nada menos que 833 foram
destruídas. A pugna também ceifou 189 munícipes. A Força
Expedicionária Brasileira levou a cabo uma campanha irrepreensível
quanto à conquista do objetivo, mas as marcas trazidas do front seriam
indeléveis: cerca de 450 baixas, entre mortos e feridos, no que pode ser
considerada a mais sangrenta batalha envolvendo forças brasílias
desde a Guerra do Paraguai. Foi a última grande peleja dos pracinhas no
Velho Mundo - e, ao menos em Montese, não seria esquecida. Em homenagem
aos "generosos libertadores" - como os expedicionários ficariam
conhecidos na região -, uma das praças da cidade ganhou o epíteto
de Piazza Brasile. Giusto, giustissimo.