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  SÉRIE ESPECIAL



 
Índice
Agosto de 1942
A entrada na guerra
Julho de 1944
O embarque da FEB
Outubro de 1944
Os pilotos da FAB
Novembro de 1944
Cai Monte Castelo
Abril de 1945
Tomada de Montese

 
Setembro de 1939
Alemanha invade a Polônia
Junho de 1940
A queda da França
Junho de 1941
O ataque à Rússia
Dezembro de 1941
Pearl Harbor
Fevereiro de 1943
Cerco de Stalingrado
Setembro de 1943
Rendição da Itália
Junho de 1944
O Dia D
Fevereiro de 1945
O Holocausto
Maio de 1945
Queda do III Reich
Agosto de 1945
O fim da guerra
 EDIÇÃO ESPECIAL: O Brasil Na Guerra
Julho de 1944: O embarque
Força Expedicionária Brasileira embarca para a Itália
- Primeiro batalhão no 'front' conta com 5.000 homens -
Cérebro do corpo militar nacional é general Mascarenhas
de Moraes, que também já está na área do Mediterrâneo
Foto: Ministério da Guerra/Divulgação
No teatro de operações: soldados brasileiros combatendo em trincheira, no 'front' italiano

s mais céticos diziam que o Brasil só iria à guerra quando uma cobra fumasse. Pois tudo indica que, em algum lugar do país, um simpático ofídio puxou ao menos um cigarrinho de palha. No início de julho de 1944, após vários meses de expectativa, os primeiros soldados brasileiros seguiram rumo à Itália para juntar-se ao time Aliado que combatia as potências do Eixo. Nos próximos meses, deverão ser enviados cerca de 25.000 homens da Força Expedicionária Brasileira, a FEB, à Velha Bota.

O embarque do 1º Escalão verde-amarelo, sob o comando do general Zenóbio da Costa, no navio norte-americano General Mann encerra uma longa espera dos brasileiros para finalmente engajarem-se na batalha contra Itália, Alemanha e Japão. Quando, em dezembro de 1942, Getúlio Vargas anunciou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de materiais estratégicos para os países aliados e à simples expedição de contingentes simbólicos ao front, muitos duvidaram.

O primeiro passo oficial para a concretização dos planos do presidente aconteceu em 9 de agosto de 1943. Pela Portaria Ministerial 4.744, publicada em boletim reservado de 13 do mesmo mês, foi estruturada a FEB, constituída pela 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) e por órgãos não-divisionários.

A 1ª DIE, comandada por um general-de-divisão, deveria compreender: um quartel-general constituído de estado-maior geral, estado-maior especial e tropa especial; uma infantaria divisionária comandada por um general-de-brigada e composta de três regimentos de infantaria; uma artilharia divisionária comandada por um general-de-brigada e composta de quatro grupos de artilharia (três de calibre 105 e um de calibre 155); uma esquadrilha de aviação destinada à ligação e à observação; um batalhão de engenharia; um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento, e uma companhia de transmissão - na verdade, de comunicações. A tropa especial, além de um próprio comando, deveria incluir o comando do quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia do quartel-general, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e uma banda de música.

Ainda em agosto, o general João Batista Mascarenhas de Moraes, comandante da 2ª Região Militar, foi convidado pelo ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, para chefiar uma das divisões da FEB. Em seguida, o ministro partiu para os Estados Unidos carregando uma carta de Vargas ao presidente Franklin Roosevelt, em que Getúlio manisfestava o desejo do Brasil de participar das batalhas ativamente.
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Material precário - Na fase de formação e estruturação da FEB, diversos oficiais foram despachados à terra do Tio Sam para participar de estágios nas bases militares estadunidenses. Desse modo, puderam se familiarizar com os procedimentos de combate dos americanos, que substituiriam os métodos franceses, historicamente ensinados nas escolas militares nacionais. Lá, a tropa brasileiro se reeducaria para reduzir o emprego das marchas a pé e a utilização de cavalos, trocando-os por deslocamentos motorizados, rápidos e audazes.

Além de lidar com a dificuldade de adaptação dos soldados à nova doutrina, o general Mascarenhas de Moraes teve de vencer diversos obstáculos para tirar a FEB do papel. Um deles dizia respeito à seleção do contingente da tropa, sem critérios físicos ou intelectuais. O material disponível aos expedicionários também era precário. E, como se não bastasse, figurões do governo, simpáticos aos países do Eixo, trabalhavam contra a formação do agrupamento verde-amarelo.

No final de 1943, porém, decidiu-se que o Brasil mandaria um corpo militar para o teatro de operações do Mediterrâneo. Chefiando a recém-criada Comissão Militar Brasileira, na qual oficiais norte-americanos também tomaram parte, Mascarenhas de Moraes viajou à Itália e à África para observar os combates na região; antes de retornar, foi oficialmente nomeado chefe da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária.

Estava quase tudo pronto. Em 15 de maio de 1944, com a instalação do Estado-Maior Especial, que planejaria e executaria o embarque da 1ª DIE, ficou claro que não haveria mais volta. Na madrugada de 30 de junho para 1º de julho, finalmente, a promessa de Getúlio Vargas se cumpriu. O general Mascarenhas de Moraes e alguns oficiais de seu Estado-Maior embarcaram ao lado dos homens do 1º Escalão, que totalizava 5.075 homens - divididos entre um regimento de infantaria, um grupo de artilharia, uma companhia de engenharia e indivíduos ligados aos setores de manutenção, reconhecimento, saúde, comunicações, polícia, justiça, Banco do Brasil e correio. Todos os militares ostentam no ombro o brasão da Força Expedicionária Brasileira, cuja heráldica traz uma cobra, logo abaixo da inscrição "Brasil". O ofídio em questão, é claro, está fumando.
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Trechos de 'A Cobra Fumou', de Vinícuius Reis (BSB Cinema)
 
'Era mais fácil
a cobra fumar'

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'A guerra nunca é a solução'
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'Muita mina.
Mina, mina, mina'

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'A troco de um
pouco de comida'

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'Das outras, restou o trauma'
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'Era bombardeio
o dia inteiro'

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