Carnificina no mar do Nordeste leva o país a declarar guerra
contra o Eixo - Um único submarino alemão afunda cinco embarcações
e vitima quase 600 pessoas - Ataques realizaram-se em curtíssimo intervalo
de tempo
Retaliação popular: um restaurante de
comida alemã é depredado no Rio de Janeiro (1942)
nquanto o sol de 15 de agosto de 1942 começava a mergulhar no oceano
Atlântico, o navio Baependy, que deixara Salvador com destino a Recife,
aproximava-se do farol do rio Real, perto de Maceió. Os 233 passageiros,
a maioria deles militares do Exército, já haviam jantado. Ao lado
dos 73 homens da tripulação, os viajantes celebravam naquele momento
o aniversário do imediato Antônio Diogo de Queiroz. Rá. Tim.
Bum! Repentinamente, um estampido abala a embarcação. O relógio
apontava exatamente 19h12 quando um torpedo lançado por um submarino alemão
U-507 atingiu o Baependy. Dois minutos depois, com outro torpedo no casco,
o barco foi a pique. 215 passageiros e 55 tripulantes mortos.
Voraz, o
U-507 não se contentaria com o notável estrago. Algumas horas depois,
a embarcação tedesca se aproximaria do Araraquara, que também
saíra de Salvador em direção ao Norte do país. Às
21h03, lançou dois torpedos que afundaram o mercante de 4.871 toneladas
em cinco minutos. Das 142 pessoas a bordo, 131 perderam a vida. Sete horas depois
do segundo ataque, o U-507, que ainda perambulava pela região, assaltou
o Aníbal Benévolo. Às 4 horas da manhã do dia
16, dois torpedos - um na popa, outro na casa de máquinas - meteram no
fundo o pequeno navio de 1.905 toneladas. Todos os 83 passageiros, a maioria deles
recolhidos às suas cabines, morreram; de 71 tripulantes, só quatro
sobreviveram.
Em menos de oito horas, o U-507, brinquedo assassino de Adolf
Hitler, afundara três embarcações brasileiras e matara 541
homens. O país ainda se comovia com a tragédia causada pelos pérfidos
ataques quando o submarino voltou à carga. No dia 17, próximo à
cidade de Vitória, o Itagiba foi atingido às 10h45. O Arará,
que se dirigia de Salvador para Santos, e parou a fim de socorrer o colega, acabou
tornando-se a quinta vítima dos petardos tedescos. Os 36 mortos do Itagiba
e os 20 do Arará fizeram a conta das baixas brasileiras rasparem
nas seis centenas. Ficava difícil esconder o desejo de revanche.
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Estado de beligerância
- Antes de julho de 1942, 13 navios brasileiros já haviam sido afundados
na batalha que as embarcações germânicas travavam contra suas
correlatas brasileiras desde que o presidente Getúlio Vargas cortara relações
diplomáticas com os protetorados de Hitler, Benito Mussolini e Hiroíto
- decisão anunciada em 28 de janeiro de 1942. No total, os danos tinham
causado a morte de cerca de cem tripulantes - apenas sete passageiros pereceram.
Getúlio Vargas, considerando as ocorrências casualidades inerentes
ao contexto internacional, preferira não tomar medidas mais drásticas.
Apesar
de oficialmente neutro na refrega, o Brasil já se bandeara para o lado
dos Aliados desde 1941, quando o chefe da República abriu espaço
para bases aéreas e navais no Nordeste brasileiro. Em dezembro, Natal recebia
uma parte do esquadrão naval VP-52; além disso, a 3º Força-Tarefa
americana passou a ser lotada no Brasil, contando com uma esquadra equipada para
atacar submarinos e navios mercantes rompedores de bloqueio do Eixo, que tentavam
trocar mercadorias com o Japão.
A postura passiva, contudo, já
não era suficiente para acalmar a traumatizada opinião pública
e manter a soberania do país. Getúlio Vargas não teve escolha
senão reconhecer o conflito entre o Brasil e as potências do Eixo.
Em resposta aos apelos da sociedade, finalmente o Brasil anunciou, em 22 de agosto
de 1942, o estado de beligerância - que, porém, duraria pouco. Em
31 de agosto de 1942, com a declaração do estado de guerra, o Brasil
ingressava na mais internacional das batalhas da História.
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A
entrada do Brasil na guerra vista pelos EUA Baixar
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A
imprensa brasileira durante os conflitos Baixar
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