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O Brasil na guerra
 VEJA, Agosto de 1945
Bombas atômicas são trágicas estrelas cintilantes
do final da guerra - Corrida pela energia nuclear é anterior aos combates - Uso do artefato em Hiroxima
e Nagasaki divide opiniões de militares americanos

Cogumelo incandescente: Hiroxima em 6 de agosto, o primeiro ataque nuclear da História

uando a notícia de que a primeira bomba atômica fora testada com sucesso chegou a Potsdam, onde as lideranças aliadas reuniam-se em conferência, o americano Henry Stimson, secretário da guerra do governo Truman, exultou. Na noite de 16 de julho, escreveu em seu diário: "Agora, com nossa nova arma, não precisaremos da assistência dos russos para conquistar o Japão." Estava certo. Com somente dois desses fatais artefatos nucleares - os mais poderosos armamentos já vistos no mundo -, os nipônicos baixaram as armas, rendendo-se quase de imediato, sem a necessidade da intervenção do Exército Vemelho de Josef Stalin. Mas de onde veio essa arma que abreviou a resistência nipônica e deixou os americanos em posição tão segura no jogo militar-diplomático?

As origens da bomba atômica remontam a antes mesmo do início dos combates. Cientistas de diversos países já perseguiam o conceito de energia nuclear em meados da década passada. A Alemanha ganhou um trunfo quando invadiu a Noruega, em 1940, e apoderou-se da única planta para a fabricação da água pesada, fundamental para o processo nuclear. Alguns cientistas germânicos, porém, fugindo da perseguição nazista, estabeleceram-se na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Os britânicos, por sua vez, possuíam estoques de água pesada, mas viram que não contavam com materiais suficientes para criar uma bomba. Assim, concordaram em dividir sua experiência com os EUA. Desta forma, em 1942, instalou-se o ultra-secreto Projeto Manhattan, também com a colaboração do Canadá, destinado a criar a "arma vencedora".

Esta causaria um impacto gigantesco apenas por dividir a menor das partículas da matéria: o átomo. Quando atingido por um nêutron, o núcleo do átomo de urânio-235 - como foi o caso da bomba Fat Man - se parte e libera um fluxo de energia de enormes proporções, além de mais nêutrons. Por sua vez, estes bombardeiam outros núcleos atômicos, dando origem a uma reação em cadeia que gera tamanha quantidade de energia em tão pouco tempo que acaba por provocar uma colossal explosão. Uma quantidade específica de urânio-235, conhecida como "massa crítica", é necessária para engatilhar a reação; dentro da bomba, o urânio é mantido separado em duas partes, reunidas apenas no momento da detonação para formar a "massa crítica" e gerar a explosão.
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Uso desnecessário - De acordo com o coronel Leslie Groves, chefe do Projeto Manhattan em Washington, a empreitada custou mais de 2 bilhões de dólares e envolveu uma força de trabalho de cerca de 600.000 pessoas. A título de comparação, a Grande Pirâmide, segundo o relato de Heródoto, requereu 100.000 homens trabalhando durante 20 anos, enquanto a construção da Muralha da China teria envolvido cerca de um milhão de trabalhadores. Foi emblemático que essa monumental operação tenha culminado no revide ao ataque que arrastou os EUA para a guerra: Pearl Harbor, no fim de 1941. Desde então, os japoneses tornaram-se alvo do mais profundo ódio dos americanos - com a ajuda, como foi comum na guerra inteira, de uma raivosa campanha de propaganda. A construção da imagem malévola dos nipônicos funcionou tão bem que os EUA tiveram de prender os imigrantes daquele país em campos de detenção, uma medida que constrangeu o governo mas foi amplamente aceita entre a população.

Assim que a primeira bomba explodiu em Hiroxima, o coronel telefonou para o doutor Robert Oppenheimer, chefe do laboratório de Los Alamos, no Novo México, onde a bomba fora desenvolvida e construída, para congratular os responsáveis pelo momento histórico. "Estou muito orgulhoso de você e de toda sua equipe", afirmou. Nem todos concordam com Groves, porém. Nos bastidores, o almirante William Leary, Comandante da Marinha dos Estados Unidos, argumentou que o uso da devastadora arma no Japão foi moralmente equivocado e militarmente desnecessário, uma vez que o bombardeio convencional já minava as forças japonesas, ainda mais combalidas pela falta de petróleo no país. Outros, contudo, como o general George Marshall, Comandante do Exército, apoiaram Truman em sua decisão. Para ele, o lançamento da bomba atômica faz o Japão render-se rapidamente e evitou a morte de milhares de soldados americanos, baixas que seriam inevitáveis em caso de invasão.

Talvez ainda mais importante, de acordo com fontes em Washington: a capitulação rápida do Império impediu os soviéticos de alcançar Tóquio, permitindo assim que os Estados Unidos fossem a única força a ocupar o Japão, região estratégica para seus interesses no Pacífico - esta sim, talvez a verdadeira (e também pouco justificável) razão para a devastação de Hiroxima e Nagasaki. De qualquer forma, os americanos não carregam só o peso de ter dizimado duas cidades inteiras – a partir de agora, levam nas costas também a responsabilidade pela detenção da tecnologia mais letal já imaginada pelo homem. Cientistas afirmam que o poder de destruição da bomba atômica é tão monstruoso que seria potencialmente capaz de simplesmente destruir a Terra, reduzindo a pó o planeta e varrendo a humanidade do Universo – bastaria produzir artefatos em número suficiente para isso. O pesadelo da guerra pode ter acabado, mas os tempos de paz prometem ser cheios de incerteza e tensão.
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Propaganda anti-nipônica do governo dos EUA
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A detenção de nipo-americanos durante a guerra
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