| Multidão em êxtase
celebra nas ruas a queda do Reich - Cidades americanas, britânicas,
francesas e soviéticas são tomadas por populares embriagados de
alegria - Um sóbrio Churchill alerta: ainda falta derrubar o Japão
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Carnaval em Manhattan: aliviados, nova-iorquinos comemoram
o dia da vitória na Europa
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astião-mor da resistência ocidental ao nazi-fascismo,
foi o primeiro-ministro Winston Churchill quem oficializou aos britânicos
o final da guerra, em transmissão radiofônica diretamente de Downing
Street, às 15 horas do dia 8 de maio. "Avante Britânia! Vida
longa à causa da liberdade!" A voz sempre ébria e inspiradora
do leão de Oxfordshire foi a senha para os londrinos cancelarem o chá
das cinco e iniciarem, nas mesmas ruas castigadas pelos bombardeios da Luftwaffe,
um impetuoso derramamento de cerveja e conhaque em comemoração à
derrota da Alemanha. Agitando bandeiras, assoprando apitos e cantando,
os populares entraram em verdadeiro frenesi coletivo. Diversos postes de luz foram
tirados para dançar por alcoolizados Fred Astaires, ao som da tradicional
canção Terra da Esperança e da Glória, trilha
sonora do dia. Boa parte dos festeiros agrupou-se na frente do Palácio
de Buckingham, onde, em uníssono, pediam a presença do Rei George
VI. Sem a coroa, mas acompanhado da esposa e das filhas, o monarca apareceu para
a massa, acenando enquanto o povo entoava "O Rei é um bom camarada...
Ninguém pode negar!" Mais tarde, o casal real recebeu a perenemente
edificante e prazenteira visita de seu rotundo primeiro-ministro. O trio voltou
à varanda do palácio, onde a população seguia aglomerada,
para que Winnie pudesse dirigir mais algumas palavras aos britânicos.
"Esta é a vitória de vocês", afirmou. "Em toda
nossa longa história, nós nunca vimos um dia maior que este." Cascata de papel - Nos
Estados Unidos, a notícia da rendição incondicional tedesca
foi anunciada por uma agência de notícias oficial no dia 7 de maio.
O ponto alto das celebrações ocorreu em Nova York - mais precisamente
em Wall Street, onde milhares de pessoas comemoravam a queda do Reich. Os trabalhadores
deixaram em peso seus escritórios e foram às ruas ver a cascata
de papéis picados que precipitava-se do alto dos arranha-céus. O
trânsito nas ruas principais teve de ser interrompido. A Catedral de Saint
Patrick ficou superlotada para a missa em celebração do final dos
confilitos na Europa. Em Paris, o jornal Paris-Soir noticiou a
capitulação germânica em uma manchete com letras de quinze
centímetros de altura. Os aviões aliados que sobrevoavam os céus
gauleses foram saudados por famílias inteiras, fartamente servidas de vinho,
que sairam às varandas de suas moradas para festejar a proeza. Em Moscou,
soldados do Exército Vermelho foram carregados pela multidão em
êxtase - nesse caso, aquecidas por vodca puríssima. A grande solenidade,
porém, ainda está por vir: o desfile militar oficial para celebrar
a vitória contra o nazismo e o final da Guerra Patriótica está
marcado para o dia 24 de junho próximo. Em meio às comemorações
pela Europa, contudo, uma voz fez questão de lembrar que a guerra ainda
não está ganha por completo - justamente a que deu impulso às
celebrações no Velho Mundo. "Não podemos nos esquecer
do Japão, que, com toda sua ganância e seu egoísmo, ainda
não está subjugado. Suas detestáveis crueldades exigem justiça
e retribuição", afirmou, em discurso na Câmara dos Comuns,
Winston Churchill - que, apesar do gosto por uísque e champanhe nas mais
diversas horas do dia, era o mais sóbrio dos ingleses naquela tarde. |