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O Brasil na guerra
 VEJA, Fevereiro de 1945
Violento bombardeio aliado aniquila cidade alemã e elimina 50.000 pessoas - RAF emprega mais de 800 aviões no maior 'raid' de sua história - Acusações de terrorismo pairam sobre o comando anglo-americano
Hecatombe na Saxnia: vistas do topo de uma igreja, as runas da cidade, atacada no dia 13

apital histórica da Saxônia, a cidade de Dresden, às margens do rio Elba, caracterizava-se por sua esplendorosa arquitetura e pela fina indústria de porcelana. Isso até o último dia 13, quando seus magníficos edifícios, como se fossem raquíticos mimos de cerâmica, foram despedaçados por mais de 2.000 toneladas de explosivos despejados pelos aviões aliados, na manobra mais lancinante da operação Thunderclap. O belíssimo município, que fora poupado de praticamente todos os bombardeios aliados até então, contava com baterias antiaéreas frágeis demais, o que acabou permitindo uma carnificina: junto às construções, feneceram nada menos do que 50.000 alemães.

Planejada pelo marechal Arthur Harris e pelo general Carl Spaatz, os mandarins aéreos dos Aliados, a mais recente operação de bombardeamento das cidades germânicas começara em 3 de fevereiro, com ataques de aeronaves dos Estados Unidos a Berlim e Magdeburg em plena luz do dia. No dia 6, novos assaltos, desta vez a Chemnitz e novamente Magdeburg - que voltaria a ser alvejada três dias depois. A agressão a Dresden, que pela cartilha inicial seria a primeira da série - só não a foi por falta de condições meteorológicas favoráveis - , ficou para o dia 13. Ainda assim, o mau tempo cancelou os raids vespertinos dos norte-americanos, colocando toda a responsabilidade nas asas da RAF, que investiria à noite.

O comando bombardeiro britânico, então, escalonou forças para a mais violenta tempestade aérea de sua história. Um total de 796 Lancasters e nove Mosquitos deixaram a Grã-Bretanha para atacar Dresden em duas ondas, separadas por três horas. As aeronaves verteram sobre a cidade 1.478 toneladas de bombas de alto poder de explosão e 1.182 artefatos incendiários, fazendo o inferno cair do céu naquela ordinária noite alemã. Apenas seis aviões foram derrubados pela ridícula defesa tedesca. Sob a luz do dia seguinte, 311 bombardeiros B17 norte-americanos completaram o serviço, dardejando 771 toneladas de bombas em direção à cortina de fumaça e fogo que envolvia as ruas da cidade.
...
Moralidade questionada - Do ponto de vista militar, Dresden não representaria um alvo suficientemente importante para justificar tal hostilidade. Oficialmente, a operação Thunderclap anunciava precipitar a rendição alemã pelo ataque à malha ferroviária germânica - e o município, é fato, localiza-se em um ponto de passagem para o front Leste, por onde os soviéticos pretendem investir. Entretanto, fontes próximas ao Alto Comando aliado informaram que a devastação em Dresden foi direcionada unicamente a acelerar o final da guerra pela derrubada do moral dos homens a serviço de Adolf Hitler.

Os mesmos informantes relatam que, inicialmente, os americanos colocaram-se contra o ataque, classificando-o de "terrorismo". Estes, porém, foram convencidos por Harris de que o bombardeio ajudaria os aliados militarmente - por atacar as linhas de comunicação germânica - e politicamente - por ser visto como um suporte ao Exército Vermelho. Se estes argumentos foram suficientes para dobrar os oficiais americanos, o mesmo não se pode dizer da opinião pública em ambos os continentes, que segue questionando a moralidade desse tipo de ataque - por mais que os alemães hoje sejam odiados em quase todo o planeta.

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