Quinhentos jornalistas
e fotógrafos desembarcam nas areias da Normandia ao lado dos aliados -
Relatos da Operação Overlord são escrutinados pelos censores
- Correspondentes participam de plano de dissimulação
Sob fogo cruzado: cena registrada pelo fotógrafo
americano Robert Capa, da revista 'Life'
lém dos mais de 150.000 soldados britânicos, americanos e
canadenses, um outro exército invadiu as praias da Normandia na histórica
madrugada de 6 de junho. Armados com caneta, papel, microfones e câmaras
fotográficas, cerca de 550 jornalistas credenciados pelo Comando de Operações
dos Aliados desembarcaram no Norte da França com a missão de cobrir
as ações do assalto e transmitir as notícias do front
ao público internacional. Órgão oficial de comunicações
da Grã-Bretanha, a poderosa BBC tem 48 correspondentes no front da Operação
Overlord - e foram seus radialistas os primeiros a tornar públicos os primeiros
relatos in loco do ataque.
A cobertura impressionou o público:
antes do Dia D, jamais fora possível ouvir relatos tão detalhados
e completos de uma operação militar dessa magnitude. Contudo, ao
lado destes profissionais da notícia, caminhou, altiva, uma tropa implacável:
a dos censores. Espalhados pelo litoral normando, eles são responsáveis
por checar as reportagens dos intrépidos jornalistas, garantindo que nenhuma
delas contenha informações úteis aos inimigos. Esta situação
se repete desde outubro de 1939, quando os primeiros repórteres britânicos
foram autorizados a visitar os soldados aliados no front.
...
Censura na fonte -
Tecnicamente, a tosquia é voluntária - os censores são consultados
pelos jornalistas sobre quais dados poderiam virar um trunfo na mão dos
oponentes. Mas editores podem ser processados e encarcerados por não seguir
as recomendações dos censores. Na verdade, em tempos de guerra pela
sobrevivência nacional, poucos profissionais arriscam incluir em seus boletins
qualquer material que municie o inimigo; entretanto, para garantir a confidencialidade
de algumas de suas estratégias e operações, os Aliados vinham
procurando controlar a informação pelo método de "censura
na fonte", simplesmente evitando o acesso aos militares que pudessem revelar
fatos e números importantes.
Foi apenas com a chegada de correspondentes
dos Estados Unidos - e dos próprios generais americanos - que, paulatinamente,
as informações voltaram quase que por completo ao conhecimento da
imprensa. Em grande medida, aquele rigor inicial britânico foi afrouxado,
e os jornalistas voltaram a desempenhar suas funções normalmente.
E alguns foram além: como parte dos planos de dissimulação
do ataque à Normandia, concordaram em ser despachados para a Escócia,
a fim de confundir a inteligência nazista. Tudo a serviço da pátria
- e, claro, da notícia.
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Relato
de Colin Willis (rede BBC, Grã-Bretanha) Baixar
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Relato
de Charles Collingwood (rede CBS, EUA) Baixar
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Relato
de Don Fairbairn (rede CBC, Canadá) Baixar
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