PERFIL: Dwight D. EisenhowerVEJA, Junho de 1944
Comandante supremo da Operação Overlord recebe elogios de britânicos e americanos - A aliança militar frutifica sob o comando do cinquentenário general do Texas - Experiência em batalha, no entanto, é escassa

Comandante em ação: Eisenhower conversa com soldados antes do embarque para o Dia D

uando os Estados Unidos entraram na Grande Guerra, em 1917, o jovem major Dwight D. Eisenhower, então com 28 anos, tentou de todas as formas uma posição no front europeu para lutar contra a Alemanha. Seus pedidos para ser despachado para as missões no Velho Mundo, contudo, foram solenemente ignorados pelos chefes da academia militar de West Point, e o major teve de ficar em casa, ensinando futebol americano aos cadetes. Quase quatro décadas depois, porém, já como general de quatro estrelas, Eisenhower não poderia estar mais perto do olho do furacão. Com a bênção do presidente Franklin Roosevelt, tornou-se o suserano da Operação Overlord, a mais importante das manobras militares da História.

O fulgurante êxito no desembarque da Normandia, em que teve sob seu comando mais de 150.000 soldados americanos, britânicos e canadenses, entre outros, foi a prova definitiva do talento conciliador deste texano de 53 anos. Quando a chefia da Operação Overlord passou das mãos dos britânicos para os americanos, em janeiro último, FDR escolheu Eisenhower justamente por considerá-lo o melhor político entre seus chefes militares. E "Ike", como é chamado pelos mais próximos, soube como ninguém fazer frutificar - ao menos entre os membros de suas equipes - a aliança entre Estados Unidos e Grã-Bretanha, parceria que costumava emperrar por caprichos pessoais de ambas as partes. "Não me importo se alguém for chamado aqui de filho da p...", avisou, certa vez, em seu QG Aliado. "Mas não admito que alguém seja chamado de inglês filho da p... ou de americano filho da p...".
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Fã de faroeste - Quando a Alemanha invadiu a Polônia, em 1939, Eisenhower - que no final da década de 1910 havia montado o Primeiro Corpo de Tanques dos EUA - , estava servindo nas Filipinas, no staff do general Douglas MacArthur. Em seguida, voltou aos Estados Unidos e galgou postos até chegar a coronel, em março de 1941, e general-de-brigada, apenas seis meses depois. Depois de ser nomeado responsável pela Divisão de Planos de Guerra em Washington, Ike foi enviado a Londres, em junho de 1942, para ser o comandante geral do Teatro de Operações Europeu, função prestigiosa e extremamente complexa.

Sua primeira tarefa foi liderar a invasão da África do Norte, sob o domínio do governo marionete de Vichy - de fachada francesa, mas real comando nazista - , que estendeu-se por seis longos meses, culminando com a capitulação das forças do Eixo na Tunísia em maio de 1943. Apesar da rendição, a campanha teve alguns problemas: a estrutura de comando do general Eisenhower era incerta e as forças americanas, inexperientes - assim como o próprio militar, que sofreu seu batismo de fogo no front naquela ocasião. Mesmo assim, Ike foi apontado como comandante nas campanhas do Sul da Itália, cujo sucesso abriria definitivamente as portas para a missão de liderar as forças aliadas no desembarque na Normandia.

A preparação para o chamado Dia D, todavia, seria pouco harmônica. Enfrentando a oposição dos comandantes das forças aéreas britânicas e americanas, que preferiam manter o foco nos bombardeios à Alemanha, Eisenhower insistia que os aviões aliados se concentrassem em destruir as linhas de comunicação germânicas na França. Como os oficiais se mantivessem irredutíveis, em março deste ano o general ameaçou deixar o posto se a questão não fosse resolvida exatamente da forma que desejava. A advertência dobrou os reticentes, e o plano de Ike foi levado a cabo. Às vésperas da invasão aliada, a malha ferroviária da Gália setentrional estava reduzida apenas a um terço de sua estrutura original.

Fã de livros de faroeste, Eisenhower sabe que são raras as vezes que o bandido - caso óbvio do tenaz Adolf Hitler - se entrega sem lutar ao mocinho. Por isso, faz questão de reiterar a importância dos homens que participaram do desembarque de 6 de junho - e dos que, a partir de agora, terão como missão libertar a França. "Vocês estão para embarcar na Grande Cruzada. Os olhos do mundo estarão sobre vocês." E, naturalmente, também sobre Ike.