Comandante supremo da Operação Overlord recebe elogios
de britânicos e americanos - A aliança militar frutifica
sob o comando do cinquentenário general do Texas - Experiência
em batalha, no entanto, é escassa
Comandante em ação:
Eisenhower conversa com soldados antes do embarque para o Dia
D
uando os Estados Unidos entraram na Grande Guerra, em 1917,
o jovem major Dwight D. Eisenhower, então com 28 anos,
tentou de todas as formas uma posição no front
europeu para lutar contra a Alemanha. Seus pedidos para ser
despachado para as missões no Velho Mundo, contudo, foram
solenemente ignorados pelos chefes da academia militar de West
Point, e o major teve de ficar em casa, ensinando futebol americano
aos cadetes. Quase quatro décadas depois, porém,
já como general de quatro estrelas, Eisenhower não
poderia estar mais perto do olho do furacão. Com a bênção
do presidente Franklin Roosevelt, tornou-se o suserano da Operação
Overlord, a mais importante das manobras militares da História.
O fulgurante êxito no desembarque da Normandia, em que
teve sob seu comando mais de 150.000 soldados americanos, britânicos
e canadenses, entre outros, foi a prova definitiva do talento
conciliador deste texano de 53 anos. Quando a chefia da Operação
Overlord passou das mãos dos britânicos para os
americanos, em janeiro último, FDR escolheu Eisenhower
justamente por considerá-lo o melhor político
entre seus chefes militares. E "Ike", como é
chamado pelos mais próximos, soube como ninguém
fazer frutificar - ao menos entre os membros de suas equipes
- a aliança entre Estados Unidos e Grã-Bretanha,
parceria que costumava emperrar por caprichos pessoais de ambas
as partes. "Não me importo se alguém for
chamado aqui de filho da p...", avisou, certa vez, em seu
QG Aliado. "Mas não admito que alguém seja
chamado de inglês filho da p... ou de americano filho
da p...".
...
Fã de faroeste - Quando a Alemanha invadiu a Polônia,
em 1939, Eisenhower - que no final da década de 1910
havia montado o Primeiro Corpo de Tanques dos EUA - , estava
servindo nas Filipinas, no staff do general Douglas MacArthur.
Em seguida, voltou aos Estados Unidos e galgou postos até
chegar a coronel, em março de 1941, e general-de-brigada,
apenas seis meses depois. Depois de ser nomeado responsável
pela Divisão de Planos de Guerra em Washington, Ike foi
enviado a Londres, em junho de 1942, para ser o comandante geral
do Teatro de Operações Europeu, função
prestigiosa e extremamente complexa.
Sua primeira tarefa foi liderar a invasão da África
do Norte, sob o domínio do governo marionete de Vichy
- de fachada francesa, mas real comando nazista - , que estendeu-se
por seis longos meses, culminando com a capitulação
das forças do Eixo na Tunísia em maio de 1943.
Apesar da rendição, a campanha teve alguns problemas:
a estrutura de comando do general Eisenhower era incerta e as
forças americanas, inexperientes - assim como o próprio
militar, que sofreu seu batismo de fogo no front naquela ocasião.
Mesmo assim, Ike foi apontado como comandante nas campanhas
do Sul da Itália, cujo sucesso abriria definitivamente
as portas para a missão de liderar as forças aliadas
no desembarque na Normandia.
A preparação para o chamado Dia D, todavia, seria
pouco harmônica. Enfrentando a oposição
dos comandantes das forças aéreas britânicas
e americanas, que preferiam manter o foco nos bombardeios à
Alemanha, Eisenhower insistia que os aviões aliados se
concentrassem em destruir as linhas de comunicação
germânicas na França. Como os oficiais se mantivessem
irredutíveis, em março deste ano o general ameaçou
deixar o posto se a questão não fosse resolvida
exatamente da forma que desejava. A advertência dobrou
os reticentes, e o plano de Ike foi levado a cabo. Às
vésperas da invasão aliada, a malha ferroviária
da Gália setentrional estava reduzida apenas a um terço
de sua estrutura original.
Fã de livros de faroeste, Eisenhower sabe que são
raras as vezes que o bandido - caso óbvio do tenaz Adolf
Hitler - se entrega sem lutar ao mocinho. Por isso, faz questão
de reiterar a importância dos homens que participaram
do desembarque de 6 de junho - e dos que, a partir de agora,
terão como missão libertar a França. "Vocês
estão para embarcar na Grande Cruzada. Os olhos do mundo
estarão sobre vocês." E, naturalmente, também
sobre Ike.
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Mensagem de Eisenhower
antes do Dia D Baixar
áudio
Visita de Eisenhower
às tropas na véspera Baixar
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