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Edição especial
O Brasil na guerra
 VEJA, Junho de 1941
O couraçado 'Bismarck' é afundado pelos
britânicos após caçada feroz no Atlântico -
Marinha Real comemora vingança de seu
velho 'Hood' - A 'Kriegsmarine', de crista
baixa, mantém luta por supremacia no mar
Foto: British Pathe
O golpe crucial: o torpedo britânico deu incio à noite de agonia do gigante ferido do Reich

quela tênue linha que separa os extraordinários triunfos das caudalosas humilhações militares voltou a aparecer nesta guerra, agora nas águas do Atlântico - e foi atravessada com sucesso pelos britânicos, no final de maio. Após ver o Hood, maior navio de guerra do mundo, ser facilmente afundado pelos alemães, a Marinha Real já se resignava com a fuga de seu carrasco, o impetuoso couraçado Bismarck, quando um vôo despretensioso de um Catalina localizou novamente o temível touro de aço tedesco. Em seguida, ao colocar a pique o Bismarck, os britânicos não só vingaram o Hood como também impingiram uma dolorosa perda moral à Kriegsmarine, que certamente a enfraquecerá no conceito de Adolf Hitler.

Considerado o navio de guerra mais bem equipado do planeta, o moderno e rápido Bismarck era a menina dos olhos da Marinha germânica. Só sucumbiu, em 27 de maio, após ser caçado por mais de 100 embarcações britânicas ao longo de sete dias de operações no Atlântico - operações essas que começaram após o Bismarck deixar Gotenhafen, nas primeiras horas do dia 19 de maio, ao lado do Prinz Eugen e outros navios, com a missão de destruir a escolta do estoque de suprimento dos aliados. O cruzadores-irmãos Norfolk e Suffolk, que patrulhavam o Estreito da Dinamarca, avistaram o Bismarck e o Prinz Eugen no dia 23 de maio, informando a localização do inimigo para o comandante da frota britânica, almirante John Tovey. Sem delongas, este enviou o Hood e o Prince of Wales para o cerco ao Bismarck.

Na madrugada de 24 de maio, ambos já estavam na costa da Groenlândia, e, às 5h53, dispararam contra o couraçado tedesco, cujos canhões responderam em eco ao ataque. A terceira salva do Bismarck atingiu o Hood, fazendo crepitar labaredas na chaminé; alguns segundos depois, uma explosão decretou o óbito do cruzador, que afundou em poucos minutos e deixou apenas três sobreviventes de sua tripulação de 1.416 - o timoneiro Ted Briggs, o marinheiro Robert Ernest Tilburn e o aspirante William Dundas.

Entretanto, o Bismarck também não sairia ileso da batalha: um obus disparado pelo Prince of Wales acertou seu flanco e causou sério vazamento de óleo, esgotando seu suprimento e contaminando os outros tanques de combustível. O almirante alemão Gunther Lütjens percebeu que isso significaria o fim da jornada do couraçado pelo Atlântico e dirigiu-se para reparos em Saint-Nazaire, sentido Sul - ainda que a prudência o recomendasse a seguir sentido Norte, para as altas latitudes norueguesas. Lütjens nunca pôde justificar essa decisão, ele que em breve encontraria seu túmulo marinho.
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Amargo aniversário - O Norfolk e o Suffolk continuavam escoltando, a uma distância segura, o Bismarck e o Prinz Eugen. Por volta das 18 horas do mesmo dia 24, os navios teutônicos se separaram, com o Bismarck dobrando a Sudeste; o Suffolk seguiu em seu encalço, mas acabou o perdendo de vista às 3 horas do dia 25. O sol nasceu e se pôs sem que o alvo fosse novamente localizado. O Almirantado, então, determinou que todas as embarcações convocadas para a caçada retornassem aos portos mais próximos - entre elas, o Revenge, o Victorious, o Prince of Wales, o Repulse, o King George V e o Rodney. Os oficiais britânicos, humilhados, já davam como certa a chegada do Bismarck em segurança ao círculo polar, fora de seu alcance. Entretanto, como que por desencargo de consciência, enviaram uma patrulha de Catalinas para fazer uma última varrição dos mares, entre a Bretanha e a Islândia.

Houve regozijo no Almirantado quando uma das aeronaves anunciou ter localizado o Bismarck a 160 quilômetros de Brest, na França - muito próximo não apenas da defesa dos submarinos U-boat como também dos aviões da Luftwaffe ali baseados. Entretanto, a Marinha Real agiu rápido. Do porta-aviões Ark Royal, partiram 14 caças Swordfish, que atingiram, por volta das 21h, o golpe crucial: um torpedo que atropelou as hélices e arrancou o leme. A velocidade, que no início da retirada era de 28 nós, caiu para 3 nós. Além disso, sem direção, o couraçado começou a andar em círculos. O comandante Lütjens, pouco antes da meia-noite, transmitiu uma funesta mensagem a seus superiores. "Sem condições de manobrar o navio. Lutaremos até o último cartucho. Vida longa ao führer!"

Era o início da noite de agonia do gigante ferido do Reich. Na madrugada, cinco contratorpedeiros assediaram o Bismarck, atingindo-o por duas vezes; ao amanhecer, apresentaram-se para a pugna o King George V e o Rodney, atirando com canhões de 14 e 16 polegadas de uma distância cada vez menor. Após a saraivada, o Almirantado convocou de volta a dupla de navios de guerra, cujo combustível começava a faltar, e deixou a finalização do trabalho para o cruzador Dorsetshire e seus torpedos. Padecendo em chamas, com a totalidade de seus canhões mudos, mas ainda em sua imponência taurina, o Bismarck afundou às 10h36. Mais de 2.200 tripulantes morreram, incluindo o almirante Lütjens, que completava 52 anos naquela data. Pouco mais de uma centena de germânicos foram salvos pelas embarcações britânicas presentes na área - autoridades alemãs reclamam de vingança pelo baixo número de sobreviventes no desaparecimento do Hood.
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A Grande Anfíbia - Desde que o homem colocou o primeiro barco para navegar, a estratégia de dominação marítima é a mesma: negar as águas para seu inimigo, controlando-as de forma total e irrestrita. Nesse sentido, a perda do Bismarck é duplamente daninha para os alemães: não apenas tira da Kriegsmarine sua maior arma como também planta na cabeça de Hitler dúvidas e questionamentos sobre suas próximas ações navais. É nessa hesitação que a Grã-Bretanha pode fazer sua armada novamente dominante nas águas européias - como fora no período de 1805, quando derrotou as frotas de França e Espanha na Batalha de Trafalgar, até o início da Grande Guerra, em 1914. Ninguém ousa discutir a importância do controle dos mares no desfecho de um combate prolongado.

Winston Churchill, veterano da Grande Guerra e hoje primeiro-ministro britânico, conta, em suas memórias, que pensou em intitular a batalha da década de 1910 como "A Grande Anfíbia". Se os aliados souberem tirar proveito desse momento positivo nas águas, Churchill pode reciclar o título para esta presente refrega.
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Cenas da esquadra naval britânica em ação
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