O couraçado 'Bismarck' é afundado pelos
britânicos após caçada feroz no Atlântico
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Marinha Real comemora vingança de seu
velho 'Hood' - A 'Kriegsmarine', de crista baixa,
mantém luta por supremacia no mar
O golpe crucial: o torpedo britânico
deu início à noite de agonia do gigante ferido do Reich
quela tênue linha que separa os extraordinários
triunfos das caudalosas humilhações militares
voltou a aparecer nesta guerra, agora nas águas do Atlântico
- e foi atravessada com sucesso pelos britânicos, no final
de maio. Após ver o Hood, maior navio de guerra
do mundo, ser facilmente afundado pelos alemães, a Marinha
Real já se resignava com a fuga de seu carrasco, o impetuoso
couraçado Bismarck, quando um vôo despretensioso
de um Catalina localizou novamente o temível touro de
aço tedesco. Em seguida, ao colocar a pique o Bismarck,
os britânicos não só vingaram o Hood como
também impingiram uma dolorosa perda moral à Kriegsmarine,
que certamente a enfraquecerá no conceito de Adolf Hitler.
Considerado
o navio de guerra mais bem equipado do planeta, o moderno e rápido Bismarck
era a menina dos olhos da Marinha germânica. Só sucumbiu, em 27 de
maio, após ser caçado por mais de 100 embarcações
britânicas ao longo de sete dias de operações no Atlântico
- operações essas que começaram após o Bismarck
deixar Gotenhafen, nas primeiras horas do dia 19 de maio, ao lado do Prinz
Eugen e outros navios, com a missão de destruir a escolta do estoque
de suprimento dos aliados. O cruzadores-irmãos Norfolk e Suffolk,
que patrulhavam o Estreito da Dinamarca, avistaram o Bismarck e o Prinz Eugen
no dia 23 de maio, informando a localização do inimigo para
o comandante da frota britânica, almirante John Tovey. Sem delongas, este
enviou o Hood e o Prince of Wales para o cerco ao Bismarck.
Na
madrugada de 24 de maio, ambos já estavam na costa da Groenlândia,
e, às 5h53, dispararam contra o couraçado tedesco, cujos canhões
responderam em eco ao ataque. A terceira salva do Bismarck atingiu o Hood,
fazendo crepitar labaredas na chaminé; alguns segundos depois, uma explosão
decretou o óbito do cruzador, que afundou em poucos minutos e deixou apenas
três sobreviventes de sua tripulação de 1.416 - o timoneiro
Ted Briggs, o marinheiro Robert Ernest Tilburn e o aspirante William Dundas.
Entretanto, o Bismarck também não sairia
ileso da batalha: um obus disparado pelo Prince of Wales
acertou seu flanco e causou sério vazamento de óleo,
esgotando seu suprimento e contaminando os outros tanques de
combustível. O almirante alemão Gunther Lütjens
percebeu que isso significaria o fim da jornada do couraçado
pelo Atlântico e dirigiu-se para reparos em Saint-Nazaire,
sentido Sul - ainda que a prudência o recomendasse a seguir
sentido Norte, para as altas latitudes norueguesas. Lütjens
nunca pôde justificar essa decisão, ele que em
breve encontraria seu túmulo marinho.
...
Amargo aniversário - O Norfolk e o Suffolk
continuavam escoltando, a uma distância segura, o Bismarck
e o Prinz Eugen. Por volta das 18 horas do mesmo dia
24, os navios teutônicos se separaram, com o Bismarck
dobrando a Sudeste; o Suffolk seguiu em seu encalço,
mas acabou o perdendo de vista às 3 horas do dia 25.
O sol nasceu e se pôs sem que o alvo fosse novamente localizado.
O Almirantado, então, determinou que todas as embarcações
convocadas para a caçada retornassem aos portos mais
próximos - entre elas, o Revenge, o Victorious,
o Prince of Wales, o Repulse, o King George
V e o Rodney. Os oficiais britânicos, humilhados,
já davam como certa a chegada do Bismarck em segurança
ao círculo polar, fora de seu alcance. Entretanto, como
que por desencargo de consciência, enviaram uma patrulha
de Catalinas para fazer uma última varrição
dos mares, entre a Bretanha e a Islândia.
Houve regozijo no Almirantado quando uma das aeronaves anunciou
ter localizado o Bismarck a 160 quilômetros de
Brest, na França - muito próximo não apenas
da defesa dos submarinos U-boat como também dos aviões
da Luftwaffe ali baseados. Entretanto, a Marinha Real
agiu rápido. Do porta-aviões Ark Royal, partiram
14 caças Swordfish, que atingiram, por volta das 21h,
o golpe crucial: um torpedo que atropelou as hélices
e arrancou o leme. A velocidade, que no início da retirada
era de 28 nós, caiu para 3 nós. Além disso,
sem direção, o couraçado começou
a andar em círculos. O comandante Lütjens, pouco
antes da meia-noite, transmitiu uma funesta mensagem a seus
superiores. "Sem condições de manobrar o
navio. Lutaremos até o último cartucho. Vida longa
ao führer!"
Era o início da noite de agonia do gigante ferido do
Reich. Na madrugada, cinco contratorpedeiros assediaram o Bismarck,
atingindo-o por duas vezes; ao amanhecer, apresentaram-se para
a pugna o King George V e o Rodney, atirando com canhões
de 14 e 16 polegadas de uma distância cada vez menor.
Após a saraivada, o Almirantado convocou de volta a dupla
de navios de guerra, cujo combustível começava
a faltar, e deixou a finalização do trabalho para
o cruzador Dorsetshire e seus torpedos. Padecendo em
chamas, com a totalidade de seus canhões mudos, mas ainda
em sua imponência taurina, o Bismarck afundou às
10h36. Mais de 2.200 tripulantes morreram, incluindo o almirante
Lütjens, que completava 52 anos naquela data. Pouco mais
de uma centena de germânicos foram salvos pelas embarcações
britânicas presentes na área - autoridades alemãs
reclamam de vingança pelo baixo número de sobreviventes
no desaparecimento do Hood.
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A Grande Anfíbia - Desde
que o homem colocou o primeiro barco para navegar, a estratégia de dominação
marítima é a mesma: negar as águas para seu inimigo, controlando-as
de forma total e irrestrita. Nesse sentido, a perda do Bismarck é
duplamente daninha para os alemães: não apenas tira da Kriegsmarine
sua maior arma como também planta na cabeça de Hitler dúvidas
e questionamentos sobre suas próximas ações navais. É
nessa hesitação que a Grã-Bretanha pode fazer sua armada
novamente dominante nas águas européias - como fora no período
de 1805, quando derrotou as frotas de França e Espanha na Batalha de Trafalgar,
até o início da Grande Guerra, em 1914. Ninguém ousa discutir
a importância do controle dos mares no desfecho de um combate prolongado.
Winston Churchill, veterano da Grande Guerra e hoje primeiro-ministro
britânico, conta, em suas memórias, que pensou
em intitular a batalha da década de 1910 como "A
Grande Anfíbia". Se os aliados souberem tirar proveito
desse momento positivo nas águas, Churchill pode reciclar
o título para esta presente refrega.
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Cenas da esquadra naval
britânica em ação Baixar
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