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Setembro de 1943
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Edição especial
O Brasil na guerra
 VEJA, Junho de 1941
Bombardeiros da Luftwaffe levam o inferno
à capital britânica - Com 500 caças no ar,
pesada blitz de maio causa estrago recorde -
Campanha na Rússia é esperança londrina,
depois de quase 20.000 mortes só na capital

Céu negro: em apenas uma ofensiva, 1.400 mortos, 1.800 feridos e 2.200 focos de incêndio

uando os ataques aéreos da Luftwaffe às cidades britânicas começaram, no outono passado, obviamente nenhum cidadão imaginava que teria vida fácil pelos meses subseqüentes. O fato da Força Aérea Real ter conseguido manter a superioridade aérea na Batalha da Inglaterra nos célebres embates louvados por Winston Churchill, que forçaram Adolf Hitler a adiar a invasão da Grã-Bretanha, não representou respiro algum para os munícipes de Londres e arredores. Aliás, ao contrário: depois de ter frustrada a Operação Leão do Mar, os comandantes alemães optaram por amplificar os bombardeios contra as cidades inimigas, espalhando terror na esperança de que o moral britânico entrasse em colapso. Mas o que os londrinos realmente não esperavam é que, depois de oito meses de precipitações diuturnas de toneladas de explosivos, ainda não tenha chegado a hora de dizer, simplesmente, que "o pior já passou".

Os bombardeios tedescos têm aumentado em progressão geométrica, e o último deles, na noite de 10 de maio, superou todas as expectativas. Aproximadamente 500 aeronaves da Luftwaffe rasgaram o céu londrino, provocando um número recorde de fatalidades para uma única jornada de assalto: 1.400 mortos, além de 1.800 gravemente feridos. Mais de 2.200 focos de incêndios foram registrados; cerca de 150.000 pessoas estão sem gás, água ou eletricidade; um terço das ruas estão intransitáveis; as principais estações de trem estão fora de funcionamento; mais de 5.000 moradias foram destruídas. Marcos históricos de Londres, como a Abadia de Westminster, o Palácio de St. James, a sede da Scotland Yard e o Escritório de Guerra foram atingidos. Do prédio da Câmara dos Comuns, restaram apenas paredes em ruína.

Apesar das severas adversidades, os obstinados britânicos não se deixam abater. "As atividades do Parlamento não serão interrompidas pela ação inimiga", afirmou o primeiro-ministro Winston Churchill. Famílias inteiras literalmente se mudaram para as estações de trens subterrâneos, formando uma sólida comunidade de 60.000 pessoas que convive todas as noites debaixo da superfície. Peter Prichard, um dos londrinos que encontrou refúgio no chamado tube, revela que, apesar das precárias condições de higiene, as pessoas se adaptam bem ao abrigo improvisado. "Algumas até mantêm relações sexuais aqui, como se estivessem em sua própria casa."
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Perigosa calmaria - Essa tradicional fleuma britânica mascara a real dimensão do estrago causado pelos bombardeiros da Luftwaffe. Desde o início da blitz, há cerca de oito meses, 39.678 pessoas morreram em ataques aéreos na Grã-Bretanha, metade delas apenas em Londres. Outras 46.119 ficaram gravemente feridas. Nada menos que 2.250.000 cidadãos estão desabrigados.

Esses números revelam um equívoco de preparação das autoridades britânicas no pré-guerra, que estimavam 600.000 óbitos - razão pela qual foram encomendados milhões de caixões de papelão e providenciados mais de 750.000 leitos em hospitais, que agora estão vazios. Em compensação, no início da campanha alemã, havia apenas 129 abrigos provisórios em Londres para atender o que hoje são 1.400.000 cidadãos sem-teto. O governo aumentou as vagas, mas ainda há déficit.

Desde o último ataque, no dia 10 de maio, Londres não voltou a sofrer com os bombardeios aéreos alemães. Apesar de temporariamente aliviada, a população teme que o próximo assalto da Luftwaffe seja o mais catastrófico de todos, visando recuperar o tempo perdido nesse período de calmaria. A esperança dos londrinos é que, com a Operação Barbarossa em curso, os bombardeiros rumem ao Leste para ajudar na conquista da União Soviética, e a capital do Império Britânico possa finalmente retomar seu nobre cotidiano.
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Blitz em Londres e o desespero dos britânicos
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