Bombardeiros da Luftwaffe levam o inferno à capital britânica
- Com 500 caças no ar, pesada blitz de maio causa estrago recorde -
Campanha na Rússia é esperança londrina, depois de quase
20.000 mortes só na capital
Céu negro: em apenas uma ofensiva, 1.400 mortos,
1.800 feridos e 2.200 focos de incêndio
uando os ataques aéreos da Luftwaffe às cidades britânicas
começaram, no outono passado, obviamente nenhum cidadão imaginava
que teria vida fácil pelos meses subseqüentes. O fato da Força
Aérea Real ter conseguido manter a superioridade aérea na Batalha
da Inglaterra nos célebres embates louvados por Winston Churchill, que
forçaram Adolf Hitler a adiar a invasão da Grã-Bretanha,
não representou respiro algum para os munícipes de Londres e arredores.
Aliás, ao contrário: depois de ter frustrada a Operação
Leão do Mar, os comandantes alemães optaram por amplificar os bombardeios
contra as cidades inimigas, espalhando terror na esperança de que o moral
britânico entrasse em colapso. Mas o que os londrinos realmente não
esperavam é que, depois de oito meses de precipitações diuturnas
de toneladas de explosivos, ainda não tenha chegado a hora de dizer, simplesmente,
que "o pior já passou".
Os bombardeios tedescos têm
aumentado em progressão geométrica, e o último deles, na
noite de 10 de maio, superou todas as expectativas. Aproximadamente 500 aeronaves
da Luftwaffe rasgaram o céu londrino, provocando um número
recorde de fatalidades para uma única jornada de assalto: 1.400 mortos,
além de 1.800 gravemente feridos. Mais de 2.200 focos de incêndios
foram registrados; cerca de 150.000 pessoas estão sem gás, água
ou eletricidade; um terço das ruas estão intransitáveis;
as principais estações de trem estão fora de funcionamento;
mais de 5.000 moradias foram destruídas. Marcos históricos de Londres,
como a Abadia de Westminster, o Palácio de St. James, a sede da Scotland
Yard e o Escritório de Guerra foram atingidos. Do prédio da Câmara
dos Comuns, restaram apenas paredes em ruína.
Apesar das severas
adversidades, os obstinados britânicos não se deixam abater. "As
atividades do Parlamento não serão interrompidas pela ação
inimiga", afirmou o primeiro-ministro Winston Churchill. Famílias
inteiras literalmente se mudaram para as estações de trens subterrâneos,
formando uma sólida comunidade de 60.000 pessoas que convive todas as noites
debaixo da superfície. Peter Prichard, um dos londrinos que encontrou refúgio
no chamado tube, revela que, apesar das precárias condições
de higiene, as pessoas se adaptam bem ao abrigo improvisado. "Algumas até
mantêm relações sexuais aqui, como se estivessem em sua própria
casa."
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Perigosa calmaria - Essa
tradicional fleuma britânica mascara a real dimensão do estrago causado
pelos bombardeiros da Luftwaffe. Desde o início da blitz, há
cerca de oito meses, 39.678 pessoas morreram em ataques aéreos na Grã-Bretanha,
metade delas apenas em Londres. Outras 46.119 ficaram gravemente feridas. Nada
menos que 2.250.000 cidadãos estão desabrigados.
Esses números
revelam um equívoco de preparação das autoridades britânicas
no pré-guerra, que estimavam 600.000 óbitos - razão pela
qual foram encomendados milhões de caixões de papelão e providenciados
mais de 750.000 leitos em hospitais, que agora estão vazios. Em compensação,
no início da campanha alemã, havia apenas 129 abrigos provisórios
em Londres para atender o que hoje são 1.400.000 cidadãos sem-teto.
O governo aumentou as vagas, mas ainda há déficit.
Desde
o último ataque, no dia 10 de maio, Londres não voltou a sofrer
com os bombardeios aéreos alemães. Apesar de temporariamente aliviada,
a população teme que o próximo assalto da Luftwaffe
seja o mais catastrófico de todos, visando recuperar o tempo perdido nesse
período de calmaria. A esperança dos londrinos é que, com
a Operação Barbarossa em curso, os bombardeiros rumem ao Leste para
ajudar na conquista da União Soviética, e a capital do Império
Britânico possa finalmente retomar seu nobre cotidiano.
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Blitz
em Londres e o desespero dos britânicos Baixar
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