Benito Mussolini leva a Itália à guerra, apesar de ter uma
máquina militar frágil e despreparada - Primeira ação
militar da Velha Bota não frutifica - Adolf Hitler começa a perder
a paciência com a jactância do 'Duce'
Amigos, mas nem tanto: verborragia do 'Duce' irrita
Hitler; italiano tem ciúme do alemão
epois de meses sem atar nem desatar, o líder italiano Benito Mussolini,
aliado de primeira hora de Adolf Hitler, finalmente se juntou à Alemanha
e declarou guerra, no último dia 10, à França e à
Grã-Bretanha. É mesmo da breca, o velho Duce: esperou os
germânicos praticamente dizimarem as forças gaulesas para só
então pegar nas armas. Sua campanha militar começou uma semana depois,
precisamente no dia em que as forças francesas começavam a negociar
termos de rendição com a Alemanha. De olho na conquista de alguns
territórios extras, os peninsulares iniciaram uma invasão no Sul
da França - infame punhalada pelas costas em um país que já
estendia a bandeira branca.
A justificativa de Mussolini é a de
sempre. "É chegada a hora do destino de nossa pátria, a hora
das decisões irrevogáveis. Sairemos a campo para lutar contra as
democracias plutocráticas e reacionárias do ocidente, que ao longo
dos tempos têm colocado obstáculos e armadilhas na marcha do povo
italiano, até mesmo ameaçando sua existência. Corram às
armas e demonstrem sua tenacidade, sua coragem e seu valor". Realmente, essas
virtudes são o máximo que os italianos podem oferecer aos aliados
alemães: afinal, seu exército é mal-equipado, mal-treinado
e mal-coordenado. A idéia de que a Itália é uma potência
européia deve-se única e exclusivamente à barulhenta e eficiente
campanha de propaganda do Duce.
O líder italiano é
megalômano, mas não é bobo: sabia que não podia encarar
sozinho nem Grã-Bretanha nem França, e por isso tratou de colar-se
de forma oficial ao igualmente ambicioso Hitler - isso desde a época do
Pacto de Aço, em 1939. Enquanto o Führer pretende ser o governante
soberano desde o Atlântico até os Urais, Benito Mussolini se contentará
com o Mediterrâneo e suas áreas adjacentes - exceto, talvez, a Espanha.
...
Verborragia - Mas a invasão
da França pelos italianos não foi um bom começo nessa nova
etapa de relações: Hitler havia sido claro ao expressar ao Duce
seu desejo de que a queda da França acontecesse inteiramente pelas mãos
da Alemanha. Em um encontro em Munique no dia 18, o líder alemão
deu o troco, dizendo que, apesar do ataque, a Velha Bota não ficaria com
grandes territórios no acordo de rendição com os gauleses.
Dito e feito: no dia 24, apesar do minúsculo estrago feito pelos peninsulares
contra as defesas francesas, que resistiram bravamente no breve combate, Itália
e França assinaram um armistício pouco rentável para Roma.
De forma geral, acordou-se que serão instaladas zonas desmilitarizadas
na França, Tunísia e Argélia, com tropas italianas em suas
linhas avançadas; além disso, a França também se comprometeu
a conceder à Itália direito completo e irrestrito sobre o porto
de Djibuti, na Somália Francesa - quase nada se comparado às pretensões
de Mussolini. Tudo isso porque Hitler precisa do apoio do governo do marechal
Henri Pétain na batalha contra a Grã-Bretanha. Para agradar os franceses,
o tedesco não pensou duas vezes antes de favorecê-los em detrimento
dos italianos, que não têm muito a partilhar senão a verborragia
de seu ditador.
Mussolini e Hitler se parecem, é sabido. O alemão
nutre uma genuína admiração pelo colega italiano, a quem
considera uma espécie de predecessor na categoria dos homens de ferro e
por quem nutre um sentimento de compromisso. Mas o Duce, desde o início,
se aproximou de Hitler mais pela repulsa às democracias ocidentais do que
por qualquer benquerença ao Führer ou à Alemanha. E
nenhum deles, como é óbvio pela natureza ditatorial de seus governos,
demonstra muita afeição pelo diálogo e pela cooperação.
Agora que ambos compraram a mesma guerra, sua convivência será colocada
à prova. Em poucos dias, o gabarola Mussolini já criou as primeiras
rusgas. A continuar nessa toada, deixando correr solta sua sede de poder e seu
ciúme congênito do sucesso alheio, o Duce pode se tornar um
fardo para Hitler. Em último caso, acabará como um alvo do Reich
- algo que, nos dias de hoje, não se deseja nem para o pior inimigo.
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Discurso
de Mussolini, no dia 10, em Roma Baixar
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Declaração
de guerra do 'Duce' aos Aliados Baixar
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