Ascensão meteórica leva Charles de Gaulle à liderança da
França - Timoneiro no exílio foi prisioneiro na Grande Guerra -
General recusa-se a aceitar o armistício com os inimigos nazistas e defende
a continuação da pugna
'Allez, les Bleus': com o microfone da rádio
inglesa BBC, De Gaulle comanda a resistência
á menos de três meses, o general Charles de Gaulle era um
ilustríssimo desconhecido do público francês. Mesmo entre
o Comitê de Segurança Nacional, não seriam todos os membros
que poderiam falar sobre suas propostas ou mesmo identificá-lo. Mas desde
o último dia 28, quando De Gaulle, que se recusou expressamente a aceitar
o armistício firmado pelo marechal Pétain com a Alemanha, foi reconhecido
por Londres como líder supremo da França, todos sabem de cor qual
é a bandeira levantada pelo agora general-de-brigada. Último estandarte
da resistência francesa, De Gaulle está na Inglaterra convocando
seus patrícios a não desistir da luta. "Falando com o pleno
conhecimento dos fatos, eu peço a vocês que acreditem em mim quando
digo que a causa da França não está perdida", bradou.
Nascido em Lille em novembro de 1890, criado nos preceitos católicos
e com profunda convicção da grandeza da França, o jovem patriota
ingressou nas fileiras do Exército em 1909 e serviu como soldado da infantaria
na Grande Guerra. Ferido três vezes e tomado como prisioneiro em março
de 1916, escapou ileso no final da batalha; entretanto, sua luta não foi
suficiente para que galgasse postos na hierarquia gaulesa das armas. Em 1937,
era o mero comandante de um regimento de tanques, e seus parcos momentos de notoriedade
se resumiam à publicação de dois livros de estratégia
- A Lâmina da Espada, em 1932, e Rumo a um Exército Profissional,
em 1934 -, nos quais defendia movimentos de guerra agressivos, semelhantes aos
empregados pelo general alemão Heinz Guderian, pai dos Panzers.
Foi apenas neste ano de 1940 que a sorte começou a soprar para o lado do
general. Afilhado político de Paul Reynaud, teve sua lealdade recompensada
com a nomeação deste para primeiro-ministro, em março. De
Gaulle, que no início da guerra comandava remotas unidades blindadas no
5º Exército, foi então apontado como Comandante-Geral da 4º
Divisão Blindada, em processo de formação. Após liderar
a nova divisão com relativo sucesso na batalha de Laon, de 17 a 20 de maio,
e conseguir nova proeza no confronto de Abbeville, de 28 a 30 de maio, De Gaulle
foi promovido a general-de-brigada no último dia 1º. Mas, cinco dias
depois, já foi apontado por Reynaud como subsecretário da Defesa
Nacional, cargo que ocupou por apenas 10 dias. Em 16 de março, Reynaud
renunciou e Petáin, seu substituto, já pedia o armistício.
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Na vanguarda - Em seu período
de ministério, o general francês encontrou-se com Winston Churchill
por três vezes e impressionou o primeiro-ministro britânico por sua
repulsa a qualquer tipo de acordo com os alemães. Depois da rendição,
a Força Aérea Britânica o tirou clandestinamente da França
e o levou à Inglaterra, onde, no dia 23, criou o Comitê Nacional
Francês, que passou a exercer a autoridade perante todos os cidadãos
tricolores em solo britânico. Também criou uma legião voluntária
francesa no país, além de um centro de armamentos e pesquisas científicas.
Todas essas ações de De Gaulle estão sendo apoiadas
pelas autoridades britânicas, notadamente por Churchill, que enxergou no
general um timoneiro para conduzir a França, ainda que extra-oficialmente,
nesse período de adversidade. Apesar de sua personalidade introspectiva,
o francês realmente tem um notável carisma como líder e pode
ajudar a conseguir o apoio de boa parte do Império Francês para a
continuação da guerra - ao contrário do que pretende o marechal
Henri Pétain, que deve formar um governo de colaboração com
a Alemanha. No final de junho, De Gaulle fez seis pronunciamentos na BBC, tentando
arregimentar adeptos para a facção "França Livre".
"Aconteça o que acontecer, a chama da resistência francesa não
deverá nem irá morrer. A guerra não está perdida,
o país não está morto, a esperança não está
extinta. Viva a França!", declarou, em 18 de junho.
De qualquer
forma, sua liderança ainda está verde - tão verde que sua
face ainda não é conhecida pela maioria dos franceses. É
com muita dificuldade que se encontra uma fotografia do general-de-brigada na
França. Por enquanto, ele pode ser identificado apenas por um registro
oficial da equipe da última administração de Reynaud. Ao
menos nessa cena, De Gaulle, que hoje representa a liberdade dos Bleus
em sua vanguarda, ainda está na última fileira.
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De
Gaulle lidera forças francesas no exílio Baixar
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Tropas
nazistas invadem a capital da França Baixar
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