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  SÉRIE ESPECIAL



 
Índice
Entrevista
Adolf Hitler
A invasão da Polônia
O pacto nazi-soviético
Os europeus em guerra
A 'Blitzkrieg' nazista
Perfil
Josef Goebbels
Veja essa
Frases, números, ilustrações
Gente
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Ponto de vista
Neville Chamberlain
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A ascensão do Reich
Mapa
Guerra relâmpago

 
Junho de 1940
A queda da França

Junho de 1941
O ataque à Rússia

Dezembro de 1941
Pearl Harbor

Fevereiro de 1943
Cerco de Stalingrado

Setembro de 1943
Rendição da Itália

Junho de 1944
O Dia D
Fevereiro de 1945
O Holocausto
Maio de 1945
Queda do III Reich
Agosto de 1945
O fim da guerra

Edição especial
O Brasil na guerra
 VEJA, Setembro de 1939
Novo conflito volta a mobilizar Europa 25 anos depois da Grande Guerra - Mesmo sem ataques, a rotina dos países beligerantes muda de súbito - Evacuações, racionamentos e blecautes tornam-se parte do cotidiano do Velho Mundo
Foto: museu Yad Vashem À espera das bombas: diante da catedral londrina de Saint Paul, soldado vigia o céu inglês

m 1914, os países da Europa começavam a se engalfinhar no conflito que depois ficaria conhecido como a Grande Guerra. Durante quatro anos, o cotidiano de milhões de pessoas foi marcado pela tensão, pelo medo e pelos sacrifícios compulsórios em apoio àquela que seria "a guerra para acabar com todas as guerras". Tais esforços, porém, de nada adiantaram. Passados 25 anos, uma nova geração de europeus volta a conviver com o terror daquela contenda - agora elevado à enésima potência pela ameaça real do bombardeio aéreo.

Apesar de nenhuma ação militar ter sido empreendida fora da Polônia invadida, a população da maioria dos países em guerra já tem suas vidas ditadas e atrapalhadas pela guerra. Na Grã-Bretanha, só nos primeiros dias do mês, mais de 1.500.000 pessoas foram evacuadas para áreas consideradas livres de ataques aéreos, sendo 827.000 estudantes acompanhados pelos professores e 535.000 mulheres gestantes ou com crianças em idade pré-escolar. Foram organizados centros de distribuição em cidades como Oxford, Cambridge, Reading e Gloucester.
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Cartões de racionamento - Londres, em especial, vive um êxodo generalizado: diversas empresas, instituições e repartições públicas também estão deixando a cidade. Boa parte da estrutura da BBC foi deslocada para o oeste; seções do Almirantado foram transferidas para Bath, enquanto parte do Departamento de Guerra foi deslocado para Droitwich. Quem fica, sofre com a falta de serviços públicos: não há aulas para mais de 1 milhão de crianças londrinas não-evacuadas, já que 2.000 escolas foram requisitadas para uso da Defesa Civil. A chuvosa capital da Inglaterra é prejudicada também pela falta de previsão do tempo, um dos primeiros serviços interrompidos após a declaração de guerra.

A Alemanha, que se preparava para a situação havia anos - "podemos ficar sem manteiga, mas não sem armas", anunciava o Ministro da Propaganda Josef Goebbels já em 1936 -, introduziu o racionamento de alimentos via cartões coloridos no fim de agosto. Carne, laticínios, açúcar, ovos, pães, cereais e frutas entraram na cinta. As únicas exceções foram concedidas aos fazendeiros, livres do racionamento, e aos mineiros, que recebem maiores suprimentos devido à natureza "extrapesada" de seu trabalho. Apesar do triunfo na Polônia, o petróleo também está sendo racionado em solo germânico - o que reflete a preocupação das autoridades do Reich à sua vulnerabilidade em caso de embargo naval às rotas de comércio.
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Sob as trevas - O ponto em comum entre quase todas as nações beligerantes do Velho Mundo são os blecautes. O procedimento de segurança para apagar ou ocultar toda a iluminação de uma área que seja alvo potencial de bombardeio aéreo tem se tornado um fardo diário para a população de centenas de cidades na Europa. Não só pelo tempo desperdiçado para, duas vezes ao dia, colocar e tirar anteparos nas janelas de cada quarto que pudesse ter suas luzes acesas, mas também pelos transtornos causados pela falta de iluminação pública nas ruas durante a noite.

Da Inglaterra, chegam informações de que os acidentes automobilísticos triplicaram desde o início do blecaute, com diversas vítimas fatais. Os pedestres também vêm se machucando ao bater em postes e outros obstáculos; também há relatos de que alguns se afogaram ao cair em canais. Uma senhorita de Wisbech foi condenada a um mês de trabalhos forçados após ofuscar policiais locais com uma lanterna e bradar: "É melhor usar a lanterna do que ficar trombando nas pessoas". Depois de incidentes como esses, as autoridades britânicas vêm permitindo aos cidadãos usar lanternas à noite - desde que seu facho esteja obscurecido por duas camadas de lenços de papel. Por enquanto, o blecaute só não gerou reclamações de ladrões e de casais de namorados.

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