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  SÉRIE ESPECIAL



 
Índice
Entrevista
Adolf Hitler
A invasão da Polônia
O pacto nazi-soviético
Os europeus em guerra
A 'Blitzkrieg' nazista
Perfil
Josef Goebbels
Veja essa
Frases, números, ilustrações
Gente
Charles Lindbergh
Winston Churchill
Albert Einstein
Leslie Howard
Ingrid Bergman
Werner von Fritsch

Ponto de vista
Neville Chamberlain
Fotos
A ascensão do Reich
Mapa
Guerra relâmpago

 
Junho de 1940
A queda da França

Junho de 1941
O ataque à Rússia

Dezembro de 1941
Pearl Harbor

Fevereiro de 1943
Cerco de Stalingrado

Setembro de 1943
Rendição da Itália

Junho de 1944
O Dia D
Fevereiro de 1945
O Holocausto
Maio de 1945
Queda do III Reich
Agosto de 1945
O fim da guerra

Edição especial
O Brasil na guerra
PONTO DE VISTA: Arthur Neville ChamberlainVEJA, Setembro de 1939
Ao assinar o tratado de Munique, no ano passado, o premiê Chamberlain, da Grã-Bretanha, afirmou ter obtido 'paz para nosso tempo'. Um fracasso - Hitler rasgou o acordo. Agora, com o seu país na nova guerra, ele garante: a política de apaziguamento não era um erro. Só que Hitler foi traiçoeiro.
á dezoito meses, fiz uma oração ao adentrar o Parlamento. Rezei para que jamais fosse o responsável por pedir ao meu país que aceitasse a terrível arbitragem da guerra. Receio não ter escapado dessa responsabilidade. Mas não poderia desejar uma situação mais clara do que esta para carregar tal fardo como líder do meu país.

Nenhum homem teria sido capaz de fazer mais para manter aberto o caminho rumo a um pacto honroso e justo na disputa entre Polônia e Alemanha. Não abri mão de nenhuma maneira de deixar claro aos alemães que, se insistissem em usar a força, como vêm fazendo nos últimos tempos, estaria disposto a confrontá-los.

Fico de pé diante do tribunal da História sabendo que a responsabilidade por essa terrível catástrofe pesa nos ombros de apenas um homem: Adolf Hitler, o chanceler alemão, que não hesitou em mergulhar o mundo na desgraça para alcançar suas insensatas ambições.
...
"Ele já decidira atacar. Hitler só será detido pela força. E, nesse caso, nosso país estará pronto." 
  
Só pela força - Quando falei ao Parlamento pela última vez, não consegui deixar de reparar que, em algumas cadeiras, havia dúvida e perplexidade sobre um possível enfraquecimento, hesitação ou vacilação por parte do governo de Sua Majestade. Dentro das circunstâncias, não censuro ninguém por isso. Se estivesse no lugar dos meus colegas, sem acesso às informações que recebo, talvez pensaria o mesmo.

Não creio, entretanto, que exista algo a mais ou qualquer coisa diferente que pudesse ter feito para lograr êxito. Seria possível ter obtido um acordo pacífico e digno entre Alemanha e Polônia até o último momento. Mas Hitler não queria isso. Ele evidentemente já decidira atacar a Polônia.

Ele disse ter apresentado propostas razoáveis que foram rejeitadas pelos poloneses. Essa não é uma afirmação verdadeira. As propostas jamais foram mostradas a ninguém. Suas ações mostram de forma convincente que não é mais possível esperar que esse homem desista de usar a força para cumprir sua vontade. Ele só pode ser detido pelas armas. Nesse caso, estamos prontos.
...
 "É um dia triste. Foi um amargo golpe constatar que meu esforço para conquistar a paz fracassou."
  
Consciência limpa - Agora só resta entrar nesta luta, que ardentemente tentamos prevenir, com a determinação de vê-la acabar. Não temos rixa alguma com o povo alemão - só não gostamos do fato de que ele aceita ser governado pelos nazistas. Enquanto esse governo existir, não haverá paz na Europa. Passaremos de uma crise para outra, de um país atacado para outro. Se nossa luta devolver ao mundo as regras da boa fé e renúncia à força, os sacrifícios que exigirá terão sido justificados.

Este é um dia triste para todos, mas sobretudo para mim. Foi um golpe amargo constatar que meu esforço para conquistar a paz fracassou. Tudo por que trabalhei, tudo com o que sonhei, tudo no que acreditei durante minha vida pública reduziu-se a ruínas. Sobra apenas uma coisa a fazer: dedicar todas as minhas forças à vitória da causa pela qual me sacrifiquei tanto. Acredito que ainda viverei o bastante para ver o nazismo derrotado e a Europa livre outra vez.

Minha consciência está limpa. Fizemos tudo o que um país poderia fazer para obter a paz, mas a situação tornou-se intolerável. E agora que resolvemos mudá-la, sei que todos cumprirão seus papéis com serenidade e coragem. Que Deus defenda os justos, pois lutaremos contra o mal, a força bruta, a má fé, a injustiça, a opressão e a perseguição. E contra tudo isso, tenho certeza, os justos prevalecerão.
Neville Chamberlain ,70 anos, é primeiro-ministro da Grã-Bretanha há 2 anos.
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