| ENTREVISTA: Adolf Hitler | VEJA,
Setembro de 1939 |
| O líder tedesco promete
êxito militar contra grandes potências ocidentais, desmente estratégia
para conduzir os europeus à guerra e reafirma desejo de aniquilar os judeus
do continente. Aos 50 anos de idade e 6 no poder, o temido chanceler afirma: 'Nenhuma
arma conquistará minha Alemanha'. |  |
dolf Hitler não é exatamente um apaixonado pela música,
mas basta um gramofone começar a assobiar os dramas musicais de Richard
Wagner para que o líder germânico se coloque em tom de reverência.
A exaltação do compositor ao passado mitológico da Alemanha
e à criação de uma identidade nacional coletiva reverbera
em cada um dos atos do poderoso Führer, que ganhou, desde sua nomeação
como chanceler, em 1933, o apoio das massas às suas promessas de esplendor
para o Terceiro Reich. Em uma escalada vertiginosa, Hitler fundou o partido nazista,
perseguiu e silenciou opositores internos, reergueu as forças armadas e
agora se dedica a restaurar a glória do Império Alemão. A
invasão e a conquista da Polônia, mais recente jogada do ditador,
despertou a ira de França e Grã-Bretanha e colocou a Europa outra
vez em pé de guerra. Nesta entrevista, Hitler não mostra uma gota
sequer de arrependimento - e promete ir até o fim em sua luta para provar
a supremacia da raça ariana. "Armas nenhumas conquistarão a
Alemanha. Nunca haverá outro Novembro de 1918 em nossa história."
VEJA - Em 21 de maio de
1935, o senhor anunciou um pacto de não-agressão com os poloneses,
afirmando que a Alemanha reconhecia a Polônia como a "pátria
de um povo consciente". Agora, quatro anos depois, convoca as tropas alemãs
para atacar essa população e ocupar suas terras. O que mudou em
sua cabeça de lá para cá? Hitler - Primeiro
é preciso explicar que uma província inteira foi arrancada do Reich
e que outros territórios alemães foram entregues ao estado polonês
sob a justificativa de uma suposta unidade nacional, por ocasião do Tratado
de Versalhes. Pois bem: mais tarde, plebiscitos em todos esses lugares mostraram
que nenhum deles desejava ser parte do estado polonês, que se erigiu sobre
o sangue de incontáveis regimentos alemães. Uma coisa ficou provada
nesses últimos vinte anos: os poloneses, que não fundaram a cultura
dessas regiões, não souberam mantê-la. Trinta anos foram suficientes
para reduzir novamente ao barbarismo esses territórios que os alemães,
a duras penas, haviam civilizado. Os traços desse retrocesso eram visíveis
por todos os lados.
| | "Dei uma ordem clara
para que vidas humanas fossem poupadas - mas desde que não resistissem." |
| | | VEJA
- Mas isso justificava uma invasão? Hitler - O cotidiano
dos alemães nesses territórios era horrível. Tratava-se de
um estado construído e sustentado na base da força e da truculência
da polícia e dos militares. Mas o mundo se manteve surdo e mudo para o
sofrimento de milhões de alemães que foram forçados a deixar
sua pátria pelo Tratado de Versalhes. Ainda assim, tentei buscar uma solução
que levasse a um acordo justo. E submeti essa tentativa aos governantes poloneses
sob a forma de propostas verbais que eram mais que razoáveis. Você
as conhece. Sinceramente não sei em que condições mentais
estavam os líderes quando refutaram essas propostas. E, como resposta,
a Polônia deu a ordem para a primeira mobilização. Então
a selvageria do terror começou. E era impossível para uma grande
força como a Alemanha tolerar tais atos. A Polônia escolheu a guerra,
e a recebeu. VEJA - A vitória militar alemã na
campanha da Polônia foi inconteste, e sua rapidez surpreendeu a maioria
dos observadores internacionais. O exército alemão já está
completamente refeito da derrota na Grande Guerra, em 1918? Hitler
- Certamente. Com menos de uma semana de combate, não havia mais dúvida
do resultado. Quando as tropas polonesas encontraram as unidades alemãs,
ou foram derrotadas ou foram repelidas. A idéia de uma grande ofensiva
polonesa contra o território do Reich ruiu nas primeiras 48 horas da campanha.
As unidades alemãs sempre foram senhoras da situação, em
todas as batalhas. Do dia para a noite, a maior parte da força militar
polonesa foi massacrada, capturada ou rendida. Enquanto isso, o exército
alemão conseguiu avançar distâncias e ocupar regiões
que, há 25 anos, teria levado 14 meses para conquistar. E isso sempre respeitando
as regras do jogo. Dei uma ordem muito clara nessa campanha para que vidas humanas
fossem poupadas. VEJA - Não são esses os relatos
que vêm do front. Hitler - Não, senhor. Nos lugares
em que as pessoas não ofereceram resistência, garanto que nem uma
vidraça foi quebrada. Na Cracóvia, nenhuma bomba foi atirada, exceto
nos campos de pouso, estradas de ferro e estações ferroviárias,
que eram objetivos militares. Por outro lado, em Varsóvia a guerra foi
conduzida por civis armados em todas as casas e ruas. Lá, obviamente, a
guerra se espalhou pela cidade inteira. Nós seguimos essas regras agora
e gostaríamos de segui-las no futuro. Está nas mãos de nossos
adversários a decisão de conduzir sua estratégia de uma forma
compatível com as leis internacionais ou incompatível com elas.
Nós saberemos nos adaptar a essa escolha.
"Quando disse que resolveria a questão
judaica, eles riram. Mas agora os judeus não dão risada." | |
| | | VEJA
- Mas foi reportado que sete Esquadrões de Ação Especial,
os chamados Einsatzgruppen, estiveram na Polônia exterminando de
forma arbitrária setores da elite intelectual polonesa e integrantes da
comunidade judaica... Hitler - Bem, essa é uma outra questão.
Trata-se da purificação racial. Durante toda minha vida, tenho sido
um verdadeiro profeta, e costumo ser ridicularizado por isso. Na época
de minha luta pelo poder, quando disse que um dia tomaria a liderança do
estado e da nação e, entre outras coisas, resolveria a questão
dos judeus, a raça judaica recebeu minha profecia com risadas. Mas acho
que, já há algum tempo, tais risadas cessaram. E, no início
deste ano, fiz uma nova profecia: se os financiadores judeus de dentro e de fora
da Europa tivessem sucesso em colocar os países mais uma vez numa guerra
mundial, o resultado não seria a implantação do bolchevismo
no mundo, com a conseqüente a vitória dos judeus, mas a aniquilação
da raça judia na Europa. A guerra está aí... E minha profecia
está sendo cumprida novamente. VEJA - Como explicar
sua animosidade extrema para com os judeus? O senhor acredita que o anti-semitismo
poderá resolver os problemas da Alemanha? Hitler - O judaísmo
tem um efeito pernicioso não só em nível nacional como também
em nível pessoal, na má impressão deixada por cada indivíduo
judeu. Como resultado, alguns podem tomar o anti-semitismo como um movimento de
caráter estritamente emocional e individual. Isso não corresponde
à realidade. Anti-semitismo como um movimento político não
pode e não deve ser moldado por fatores emocionais, e sim pelo reconhecimento
dos fatos. VEJA - Quais seriam eles, então?
Hitler - Os fatos são que, para os judeus, o valor de um indivíduo
não é mais determinado pelo seu caráter ou pela importância
de seus atos para a comunidade, e sim apenas pelo tamanho de sua riqueza. Tudo
que move alguém a atingir objetivos maiores, seja a religião, o
socialismo ou a democracia, é para os judeus meramente meios para um fim,
uma forma de satisfazer sua ganância e sua sede de poder. O resultado disso
é a tuberculose racial da nação. Por isso, o anti-semitismo
racional deve englobar uma luta legítima e sistemática contra os
privilégios desfrutados pelos judeus, e seu objetivo final deve ser a remoção
total dos judeus de nosso meio. Isso só pode ser alcançado por um
governo forte, não por um governo impotente. E nós somos um governo
forte.
| | "Mr. Churchill pode crer
na sua vitória. Eu não duvido da nossa. E o destino dirá
quem está certo." | | | |
VEJA - O Tratado de Não-Agressão Nazi-Soviético
deu ainda mais força à Alemanha? Alguns acreditam se tratar de um
acordo entre gângsteres, que concordaram em não levantar armas entre
si apenas para ter a garantia de poder cometer agressões impunemente em
outras frentes. Hitler - Tenho escutado que a cooperação
entre a Alemanha e a Rússia vem sendo considerada um crime terrível
na Grã-Bretanha e na França. Um britânico chegou a escrever
que ela é pérfida. Bem, eles é que sabem. Eu acredito que
a Grã-Bretanha toma essa cooperação como pérfida porque
a cooperação entre a Grã-Bretanha democrática com
a Rússia bolchevista falhou, enquanto que a Alemanha Nacional Socialista
com a Rússia soviética deu certo. Queria aproveitar esse momento
para dar uma explicação: a Rússia fica como ela está,
e a Alemanha também. Uma coisa está clara para os dois regimes:
nem a Alemanha nem a Rússia aceitarão sacrificar um só homem
pelo interesse das democracias ocidentais. Uma lição de quatro anos
foi suficiente para ambos os povos. A Alemanha tem reivindicações
limitadas, porém claras e inalteráveis, e irá efetuá-las
de uma forma ou de outra. Agora, se as forças ocidentais acham que essas
reivindicações não podem ser concretizadas sob nenhuma circunstância,
e se a Grã-Bretanha em particular estiver determinada a se opor a elas
numa guerra de três, cinco ou oito anos, que seja. VEJA
- Primeiro o senhor disse que não desejava a guerra sob hipótese
alguma. Em 1933, chegou a afirmar: "Insultam-me ao repetir que quero a guerra.
Serei louco? A guerra? Mas a guerra nada resolveria. Só faria agravar a
situação do mundo." Entretanto, agora o senhor parece radiante
com a perspectiva de uma longa batalha em território europeu, especialmente
contra a Grã-Bretanha, que reconduziu Winston Churchill ao Almirantado
(leia nota na seção Gente). Afinal, a guerra é ou
não é a melhor forma de resolver as pendengas européias?
Hitler - Veja bem: com a guerra, as riquezas nacionais da Europa irão
se desfazer, e o vigor de cada nação se dissipará nos campos
de batalha. Mister Churchill e seus companheiros podem interpretar essa
opinião como uma fraqueza ou covardia, se quiserem. Não estou preocupado
com o que eles pensam. Faço essa afirmação simplesmente para
mostrar que gostaria de poupar o meu povo deste sofrimento. Se, entretanto, prevalecerem
as opiniões de Churchill e seus seguidores, os lordes da guerra, essa afirmação
será minha última. Deveremos então guerrear. E armas nenhumas
conquistarão a Alemanha. Nunca haverá outro Novembro de 1918 na
história alemã. É um erro infantil desejar a desintegração
de nosso povo. Mister Churchill pode estar convencido da vitória
da Grã-Bretanha. Eu não duvido por um só momento que a Alemanha
sairá vitoriosa. O destino dirá quem está certo. |
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