O final de agosto terminou mais um reality show na telinha brasileira. A Fazenda, da TV Record, confinou por onze semanas 14 famosos em um sítio em Itu (SP), mostrando as celebridades em meio a afazeres rurais. O investimento da emissora prova que, mais do que modismo, o formato se tornou um item importante no cardápio da TV. Confira alguns números.
O reality show surgiu nos EUA nos anos 70 e, no Brasil, em 1991. O discurso de apresentação é um convite que oferece ao espectador a oportunidade saciar o desejo de bisbilhotar a vida alheia. Passadas décadas de bisbilhotice, vale perguntar: por que seguimos espiando pela telinha?
Para Marion Minerbo, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, a longevidade do formato se deve ao fato de que ele continua a prometer ao espectador seus cinco minutos de fama. A vontade de espiar, portanto, viria da impressão de que é possível ascender do anonimato à notoriedade em uma sociedade onde “quem não aparece não existe”.
Outra razão da permanência dos realities entre nós é a variedade (leia a opinião de diretores de programas brasileiros). Desde que surgiu com An American Family, em 1973, a atração vem sofrendo mutações em busca de sobrevivência. “Hoje, há programas para todo gosto, e o reality show é a forma de lazer mais compatível com a subjetividade contemporânea”, diz Marion.
A empresa Endemol, criadora do Big Brother, já anunciou mais uma aposta: Someone’s Gotta Go. Atento à crise econômica, ele permitirá a funcionários de empresas escolher quais colegas serão demitidos. A atração, ramificação do consagradoO Aprendiz, tem tudo para ser mais um sucesso.
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