|
|
 |
A mulher que revolucionou
a agricultura
Pesquisadora de origem checa desenvolveu
técnica que ajudou o Brasil a se tornar um dos grandes
produtores de soja

Nos últimos anos de vida,
Johanna Döbereiner se dedicou a projetos com gramíneas
Com uma produção de 56 milhões de toneladas
por ano, a soja tornou-se nos últimos tempos a grande
estrela do agronegócio brasileiro. Mas pouca gente sabe
que por trás desse grande sucesso está o empenho
de cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária
(Embrapa), e de uma pesquisadora em especial, chamada Johanna
Döbereiner, que morreu em 2000. Ao insistir nos estudos
da fixação biológica de nitrogênio
por bactérias, a pesquisadora checa naturalizada brasileira
e sua equipe conseguiram produzir uma conta assombrosa para
a agricultura brasileira. Com a técnica (leia
mais), o país economizou bilhões de dólares
ao deixar de consumir milhões de toneladas em adubos
nitrogenados nas últimas quatro décadas. Hoje,
essa economia chega a 6 bilhões de reais por ano.
 |

Johanna foi uma das cientistas brasileiras mais
citadas internacionalmente e sua assinatura aparece
em mais de 500 trabalhos científicos. |
 |
|
 |
Pouco conhecida no Brasil, mas respeitada no mundo inteiro,
Johanna foi uma das cientistas brasileiras mais citadas internacionalmente
e sua assinatura aparece em mais de 500 trabalhos científicos.
Projeção que lhe valeu indicação
para o Prêmio Nobel de Química em 1997. Todos
que trabalharam com ela são unânimes em dizer
que ela se orgulhava da façanha, mas não era
de ficar se vangloriando. "Ela não trabalhava
para isso, achava que era uma obrigação. Ela
se importava mais com os benefícios que suas pesquisas
traziam para a agricultura e para o meio ambiente", disse
o marido Jürgen Döbereiner.
Com um currículo desses, poderia se imaginar que Johanna
ficou milionária com suas pesquisas. Mas não,
e nem era de seu interesse. "Nunca trabalhei para ficar
famosa e milionária", disse ela em entrevista
a VEJA em 1996. Johanna viveu do salário de pesquisadora
da Embrapa até o final da vida. Em outro país,
uma cientista com descoberta tão estratégica
teria estátua em praça pública, laboratórios
de última geração para pesquisa e ganharia
milhões com a patente de seus inventos.
Nascida na Checoslováquia em 1924, Johanna Döbereiner
viveu em Praga uma juventude marcada pelo horror da 2a
Guerra Mundial. Sua mãe acabou morrendo em um campo
de concentração e sua família acabou
dividida. Expulsa do país ao terminar o conflito, Johanna
ficou um tempo com os avós na Alemanha Oriental trabalhando
duro no campo. Foi quando surgiu seu interesse pela agricultura.
Logo depois, entrou para Universidade de Munique, onde estudou
agronomia e conheceu o estudante de veterinária Jürgen
Döbereiner, com quem se casou em 1950. (Assista ao
depoimento: 56k
| 100k
| 200k).
A futura pesquisadora chegou ao Brasil no final de 1950 a
convite do pai, químico, que imigrara anos antes. Em
1951, com um português bem escasso, Johanna conseguiu
seu primeiro emprego no país como assistente de pesquisa
no Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícolas
(IEAA) do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas.
O então diretor da instituição Álvaro
Fagundes confiou nas qualidades de Johanna, que ainda não
tinha muita experiência em pesquisas de laboratório.
Sua tese de conclusão de curso na Alemanha tinha sido
uma revisão de bibliografia, já que a faculdade
sucateada pela guerra não tinha laboratórios.
Apesar disso, Johanna já acreditava na possibilidade
de usar bactérias para revolucionar a agricultura.
E Fagundes percebeu que dali podia nascer uma bela parceria.
Sorte do Brasil.
voltar ao topo
|
|
 |
 |
DEPOIMENTOS
(áudio):
Eduardo Krieger
Presidente da Academia Brasileira de Ciências
"O trabalho da Dra. Johanna é um exemplo clássico
de aplicação da ciência em benefício
do desenvolvimento do país." Ouça
| 1
| 2
| 3
|
Blairo Maggi
Governador do MT e maior produtor individual de soja do
mundo.
"O produtor que não usar o método criado
por ela, terá de arcar com um custo muito maior. A economia
chega a ser de 30 a 40 dólares por hectare."
Ouça
| 1
|
Otaviano Pivetta
Prefeito de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso e produtor de
soja |
"O que ela fez foi realmente algo extraordinário
que ajudou a provocar a revolução da soja no Brasil."
Ouça
| 1
|
Orcival Guimarães
Produtor de soja
"Não conheço a Dra. Johanna Dobereiner, mas
talvez eu use essa técnica sem saber. Se eu não
usar o inoculante em terras novas, a produtividade deve cair
uns 10%."
Ouça
| 1
|
Avílio Franco
Pesquisador Embrapa
"Dra. Johanna foi uma das cientistas mais respeitadas mundialmente.
De personalidade forte, ela tinha a sensibilidade, como poucos,
de promover a pesquisa na hora certa."
Ouça
| 1
| 2
| 3
| 4
| |
|