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A idéia
que nasceu à frente de seu tempo
O método desenvolvido pela equipe
de Johanna conseguiu aliar economia na produção
e menos poluição ao meio ambiente

A pesquisadora desenvolvendo a técnica
em laboratório
Descoberto há mais de 100 anos, o processo de fixação
de nitrogênio por bactérias funciona da seguinte
forma: a bactéria inoculada na raiz à planta cria
nódulos para buscar o próprio alimento. Usando
o nitrogênio do ar, a bactéria produz enzimas e
proteínas que servirão de nutriente tanto para
a planta como para ela própria (a bactéria). Esse
processo substitui o uso de fertilizantes químicos. Com
a ajuda de sua equipe, a pesquisadora Johanna Döbereiner
conseguiu adaptar novas linhagens de um determinado tipo de
bactéria fixadora de nitrogênio às condições
da soja brasileira.
O método desenvolvido pela equipe de Johanna conseguiu
aliar economia na produção a um efeito muito menos
nocivo para o meio ambiente, já que não causava
danos aos rios nem aos solos. A técnica logo foi aplicada
comercialmente. Além do fornecimento das sementes pelos
postos da Embrapa, algumas empresas privadas passaram a produzir,
em escala industrial, os saquinhos contendo as sementes inoculadas.
"É mais difícil competir no mercado, sem
o uso dessa técnica", diz o produtor Orcival Guimarães,
do município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso.
As bases do projeto foram inauguradas no programa de melhoramento
da soja brasileira, iniciado em 1964. Johanna foi convidada
a integrar a comissão e teve participação
fundamental no convencimento dos pesquisadores de que a técnica
de fixação biológica de nitrogênio
por bactérias era a melhor forma encontrada para viabilizar
a soja brasileira, já que o adubo nitrogenado no Brasil
era muito caro.
Outro fator fundamental para a expansão do cultivo a
partir dos anos 70 foi o desenvolvimento de variedade de sementes
adaptadas ao clima tropical. O processo de inoculação
de bactérias na soja, que se consolidara na região
sul do país, foi logo implantado no cerrado, onde os
dias são mais curtos.
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DEPOIMENTOS
(áudio):
Eduardo Krieger
Presidente da Academia Brasileira de Ciências
"O trabalho da Dra. Johanna é um exemplo clássico
de aplicação da ciência em benefício
do desenvolvimento do país." Ouça
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Blairo Maggi
Governador do MT e maior produtor individual de soja do
mundo.
"O produtor que não usar o método criado
por ela, terá de arcar com um custo muito maior. A economia
chega a ser de 30 a 40 dólares por hectare."
Ouça
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Otaviano Pivetta
Prefeito de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso e produtor de
soja |
"O que ela fez foi realmente algo extraordinário
que ajudou a provocar a revolução da soja no Brasil."
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Orcival Guimarães
Produtor de soja
"Não conheço a Dra. Johanna Dobereiner, mas
talvez eu use essa técnica sem saber. Se eu não
usar o inoculante em terras novas, a produtividade deve cair
uns 10%."
Ouça
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Avílio Franco
Pesquisador Embrapa
"Dra. Johanna foi uma das cientistas mais respeitadas mundialmente.
De personalidade forte, ela tinha a sensibilidade, como poucos,
de promover a pesquisa na hora certa."
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