Muitas vezes, a insônia é apenas o reflexo de uma série de comportamentos errados adquiridos durante o dia. Nesses casos, uma mudança de hábitos relativamente simples pode resolver o problema. Confira as recomendações de especialistas para uma boa noite de sono.

Se não é possível pegar no sono, mesmo obedecendo as orientações, é hora de procurar um especialista. “Uma insônia que persiste de um a dois meses já está se encaminhando para uma insônia crônica”, alerta o neurologista Luciano Ribeiro, presidente da Associação Brasileira do Sono. Ele acrescenta: “Insônia não tem dica; tem tratamento”.

Basicamente, o tratamento é dividido em não-farmacológico e farmacológico. No primeiro, a principal indicação é a terapia comportamental cognitiva (TCC). No ambulatório, o paciente é atendido por uma equipe médica, que fornece o diagnóstico e em seguida o encaminha para uma avaliação psicossocial – que avalia em detalhes o cotidiano do indivíduo. A partir daí, ele se torna um candidato à TCC.

A TCC para insônia, por sua vez, é constituída de seis a oito sessões, feitas em grupo de até dez pessoas. Nelas, os pacientes recebem informações gerais sobre o distúrbio e sobre como deve ser uma noite ideal de sono. Também aprendem técnicas de alteração de comportamento. “São mudanças de pensamentos, de conceitos, de mitos, de crenças individuais que o indivíduo adquire. É onde ele se defronta com o seu próprio conhecimento”, explica o neurologista. Todo o tratamento, a contar da chegada do paciente no ambulatório até o fim da TCC, leva de três a quatro meses, calcula Ribeiro.

Medicamentos – O tratamento farmacológico, como diz o nome, apóia-se em administração de remédios. Aí, entram em cena hipnóticos, antidepressivos e tranquilizantes - alguns até um pouco controversos, como os benzodiazepínicos. Criticados por oferecerem maiores riscos de tolerância e dependência, estas drogas são encontradas no Brasil sob nomes como Dormonid, Lexotan, Rivotril e Valium.

Para evitar tais riscos, especialistas apontam o Zolpidem como o principal medicamento não-benzodiazepínico contra a insônia encontrado no mercado. No Brasil, ele aparece com dois nomes fantasia: Stilnox e Lioram. Ao contrário de seus antecessores, que atuam em receptores de uma maneira geral, o Zolpidem atua em sub-receptores. Por ser mais seletivo, ele traz menos efeitos colaterais e proporciona um sono mais natural.

Mas a escolha do remédio adequado vai depender fundamentalmente do diagnóstico, já que a insônia pode estar associada a outros transtornos, como depressão e ansiedade. Nesses casos, que são enquadrados na chamada insônia secundária, a falta de sono é tratada como um sintoma. O tratamento, então, é direcionado à doença de origem.

Na opinião de Ribeiro, a grande chave no tratamento da insônia é uma mudança de pensamento. “O insone vê a insônia como protagonista da vida dele e ele tem que deslocar esse sintoma como coadjuvante; ver o que realmente está acontecendo na vida desse indivíduo, qual é o problema maior que talvez ele tenha. Esse é o grande segredo”, diz.

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