No ar na novela Caminho das Índias, da Rede Globo, como o malandro César –empresário que, além de não punir o filho Zeca, um típico agressor de bullying, chega a incentivá-lo –, o ator Antonio Calloni vive o seu oposto. Em casa, ele conta ser um pai preocupado com o caráter do filho Pedro, 14, a quem impõe limites, mas também oferece atenção. O rapaz, garante o ator, nunca teve problemas na escola. “Um ‘não’ também é um sinal de amor, e isso o César não entende, porque tem uma afetividade deformada: ele admira as atitudes do filho como se fossem provas de virilidade. Ele o educa para ser macho, não para ser homem”, diz Calloni. “É preciso dar limites, o filho tem que aprender a lidar com frustrações.”

A fala de Calloni vai ao encontro da opinião de diversos especialistas em educação. De modo geral, os estudiosos diagnosticam a falta de limites como uma das causas do
 
mau comportamento atual de crianças e adolescentes, ao lado de uma mudança social profunda que teria desequilibrado o esquema familiar. “No começo do século XX, as relações eram diferentes já dentro da família, os papéis eram muito bem definidos. O pai comandava os filhos com o olhar, não precisava falar”, diz a psicopedagoga Edimara de Lima, diretora pedagógica da Prima-Escola Montessori de São Paulo. “Hoje, disciplina é uma palavra fora de moda, por conta da ditadura da não-frustração que vivemos: os pais querem que seus filhos sejam felizes o tempo todo, como se isso fosse possível.”

Como resultado, afirma Edimara, a criança se torna um adulto despreparado para a vida, que é feita de conquistas e também de decepções – ou um adolescente fora de hora. Paula Cantos, coordenadora e psicóloga do colégio Graphein, concorda. “A infância e a adolescência são fases em que cada um constrói o seu ‘eu’, o seu lugar no mundo, e para isso é preciso o suporte dos pais e da escola: se esse suporte balança, o indivíduo se fragiliza e não adquire habilidade para lidar com o mundo.”

Olhos e ouvidos – Além de transmitir regras aos filhos, os pais devem estar sempre alertas para perceber sinais de envolvimento com bullying. Essa percepção pode se dar em diálogos sobre o dia-a-dia escolar e na leitura de possíveis indícios que os filhos tragam consigo ao chegar em casa (confira os sinais mais comuns). Também cabe aos pais acompanhar o comportamento dos filhos e, uma vez sentindo necessidade, encaminhá-los a um psicólogo ou a uma assistência psicopedagógica.

Caso identifiquem no filho uma vítima de bullying, diz a pesquisadora Cleo Fante no livro Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz, os pais devem procurar a direção do colégio – e não o agressor ou sua família. O revide, aliás, nunca deve ser incentivado. Se a escola não der uma resposta adequada, pode-se partir para o Conselho Tutelar. Agressões praticadas por maiores de 12 anos podem ser levadas à Justiça e resultar em advertência e serviço comunitário para o réu (se adolescente) ou pena de seis meses a dois anos de prisão (se adulto).

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