Apesar de os profissionais de educação reconhecerem que o bullying é uma prática crescente, o fenômeno ainda não recebeu atenção especial das autoridades. Nem o Ministério nem as secretarias de Educação de cinco estados da federação consultados pela reportagem têm números a respeito – caso de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Ceará. “Falta investimento em pesquisa”, queixa-se Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

“A gente não tem registro de casos de violência, seja de professor contra aluno, aluno contra professor ou aluno contra aluno”, diz Rejane Quirino, articuladora de projeto interinstitucional da Secretaria de Educação do Ceará. “Mas isso não significa que não haja ocorrências, especialmente em escolas de áreas de risco, onde há muitas famílias desestruturadas e os índices de violência são altos”, complementa.

Como as demais secretarias ouvidas pela reportagem, a cearense não possui uma estratégia específica contra o bullying. A questão é tratada a partir de ações de combate à violência em geral ou pontualmente, em atividades expositivas e debates.

Em São Paulo, os especialistas apostam em uma estratégia para enfrentar o problema. “Há anos, lutamos para ter um psicopedagogo em cada escola estadual paulista, o que representaria um apoio importante para aluno e professor, e que poderia ajudar a prevenir o bullying”, diz Quézia. Ela se refere ao projeto de lei nº 128/2000, do ex-deputado estadual Claury Alves da Silva. Aprovado em 2001 pela Assembléia Legislativa, o projeto ainda não saiu do papel. “Em algumas escolas particulares, a situação pode ser melhor, mas, nas públicas, o professor está abandonado”, afirma.

A presença do psicopedagogo é bem vista também pelo vereador Gabriel Chalita, ex-secretário de educação paulista. Ele é autor de projeto para coibir o bullying nas escolas públicas da capital, que prevê, entre outros pontos, a formação de um cadastro em cada instituição de ensino municipal para o registro de ocorrências do fenômeno. “Assim, teríamos um perfil do bullying”, explica. O projeto passou com sucesso pela primeira votação na Câmara de Vereadores e agora precisa vencer uma segunda votação e receber a sanção do prefeito Gilberto Kassab.

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