A internet presta assistência também no campo da adoção. Há grupos de discussão e até mães adotivas que tomaram conhecimento dos seus filhos pela rede. Confira a história de duas delas.
No Orkut, site de relacionamento mais visitado pelos brasileiros, 390 comunidades falam sobre o assunto. Muitas procuram esclarecer os trâmites legais e problemas, enquanto outros incentivam a adoção tardia – aquela em que as crianças já passaram dos 4 anos de idade e que, na prática, enfrentam mais resistência de eventuais pais.
Em Adoção, um exemplo de amor, com 48.084 membros, é possível trocar experiências de pais e interessados em adoção e até anunciar a existência de crianças e adolescentes, direcionando o interessado para a Vara de Infância e Juventude responsável por elas. No grupo Adoção Tardia: mitos X verdades, com 1.651 membros, um tema delicado é posto em discussão: como quando e como contar ao filho que ele é adotivo. Já Eu Apoio a Adoção Gay e Direito: Adoção Homoafetiva, que juntas têm cerca de 13.000 membros, divulgam temas relacionados à adoção por casais homossexuais.
Em Adoção Especial, criada por Carla Cristina Penteado, o foco são as crianças com necessidades especiais. Elas são “triplamente abandonadas: pelas famílias biológicas, pelo estado e pelos futuros adotantes”, diz texto de abertura. “O nosso objetivo é orientar sobre o tema e buscar ajuda por meio dos nossos parceiros para tratamentos e exames para aquelas crianças já adotadas”, explica Carla.
O juiz Francisco de Oliveira Neto, da Vara da Infância e Juventude de Florianópolis e vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), no entanto, alerta para a proibição da propaganda específica de crianças e adolescentes pela internet com fotos e dados pessoais delas. “Além de ser proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, as fotos podem criar um elemento fantasioso de identificação por parte dos interessados.” Segundo Neto, é comum que “falsas” expectativas não sejam atendidas. “E a coisa mais triste são as devoluções dessas crianças, algo que infelizmente é muito comum.” |