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Quase todo o processo de seleção que levou Cristina Yokota, 28 anos, a trabalhar numa empresa de programas para computador na Holanda foi feito pela internet: "A rapidez com que tudo aconteceu me deixou espantada"


 

or onde você começaria a procurar seu próximo emprego? Conforme a opinião de consultores em recursos humanos, as chances serão maiores para quem iniciar a procura pela internet. Veja as razões:

Apenas as empresas pontocom deverão contratar neste ano mais de 20 000 profissionais para tocar suas operações no Brasil, segundo levantamento da Impacta, uma consultoria em tecnologia de São Paulo. O número de vagas no ramo de tecnologia cresce para 60 000, de acordo com um levantamento do instituto de pesquisas IDC, se forem considerados os postos de trabalho que deverão surgir em empresas de telecomunicações, de desenvolvimento de softwares e de todos os ramos de atividades que gravitam em torno do computador. Todas essas empresas têm em comum o fato de utilizar os bancos de currículos existentes na internet como a principal fonte de recrutamento de profissionais.

Só a Passarelli Consultores, de São Paulo, mantém um banco de dados que recebe 600 inscrições por mês (www.passarelliconsultores.com.br). Desses documentos, 40% pertencem a candidatos interessados em conseguir emprego na área de computação ou de internet. "As empresas ligadas à internet praticamente só contratam profissionais por meio da própria rede", diz Laís Passarelli, uma das donas da empresa.

Claudio Rossi

Sandra Soares conseguiu vaga de estagiária na Siemens: "Preenchi vários formulários e fui chamada por algumas empresas"

As páginas on-line da maioria das grandes empresas do país mantêm em seus endereços eletrônicos espaços para os interessados numa vaga preencherem seu currículo. "É o meio mais rápido de selecionar candidatos", diz Lígia Toledo, coordenadora de recursos humanos da Siemens, a gigante alemã fabricante de equipamentos eletroeletrônicos.

Qual o primeiro passo?

Os especialistas em recursos humanos recomendam que os primeiros endereços a ser visitados pelos interessados em conseguir um emprego pela internet devem ser os dos sites de busca. Entre, por exemplo, em www.yahoo.com e digite a palavra emprego. Entre as mais ou menos 10 000 páginas que devem ser listadas, pelo menos 1 000 serão de bancos de currículos. São serviços que nada cobram para guardar suas informações profissionais e deixá-las à disposição dos departamentos de recursos humanos das companhias que entram na rede à procura de candidatos.

Que cuidados é bom ter na hora de mandar o currículo?

A única estratégia é só mandar o currículo para empresas de consultoria em recursos humanos com boa reputação no mercado (veja quadro abaixo).

A Spencer Stuart, uma das mais conceituadas firmas especializadas na contratação de executivos do mercado, tem em seu endereço eletrônico (www.spencerstuart.com.br) um modelo de currículo que basta preencher e dar um clique na área "enviar".

Quem tem mais chance de conseguir um emprego on-line? Quem está procurando o primeiro emprego. "Os profissionais de nível superior que ainda não atingiram cargo de diretoria são os que têm mais chance de conseguir um emprego apenas com a ajuda da internet", explica Maurício Franco, da firma de consultoria em recursos humanos Simon Franco. A estudante Sandra Soares, de São Paulo, conseguiu pela rede uma vaga de estagiária no departamento de controle de contabilidade da Siemens (www.siemens.com.br). "Preenchi os formulários eletrônicos de diversas empresas, fui chamada por algumas e escolhi a Siemens", diz ela.

Os profissionais mais experientes também têm chance?

A tendência é de que, daqui por diante, as empresas passem a aceitar todos os tipos de currículo pela internet. A americana Motorola prefere essa forma de contratação a todas as demais. "O risco de errar na escolha é menor", diz o gerente de recrutamento e seleção, José Carlos Nicolau. "Os mecanismos de cruzamento de informações nos permitem fechar o cerco exatamente sobre o profissional que estamos procurando." A Motorola prepara-se para instalar um banco de currículos mundial (http://employment.motorola.com), que poderá ser acessado pelos departamentos de recursos humanos de todas as filiais. Quem estiver cadastrado poderá concorrer a uma vaga que aparecer em qualquer das unidades da empresa no mundo. Outras empresas seguem a mesma tendência. A administradora de cartões de crédito Credicard mantém um banco com cerca de 20 000 currículos inscritos. "Quando precisamos de alguém, é o primeiro lugar em que procuramos", afirma Priscila Soares, vice-presidente de recursos humanos da Credicard.

Todas as etapas de seleção podem ser feitas on-line?

Não. O casal de engenheiros de software Alexandre de Carvalho e Cristina Yokota, ambos de 28 anos, viviam em são Paulo quando souberam que uma empresa de software estava recrutando profissionais para trabalhar na Holanda. Fizeram contato com a firma por e-mail. No dia seguinte receberam um telefonema de um recrutador da companhia para fazer a entrevista de seleção. Todos os outros contatos foram feitos por e-mail. Uma semana depois da primeira mensagem, já estavam mandando para a companhia, via internet, os documentos necessários para a contratação e para resolver os problemas de imigração. "A rapidez do processo nos deixou espantados", diz Cristina.