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Veja - O senhor acha que esse modelo, o da internet gratuita, veio para ficar? Costa - A sobrevivência dos provedores de acesso gratuito será difícil. O modelo de internet gratuita vem conseguindo algum sucesso na Europa. Mas ele é totalmente dependente da receita compartilhada com as operadoras de telefonia. O provedor recebe da operadora de telefone uma parte da receita adicional que vem com o aumento de tráfego em suas linhas pelos usuários da internet. Quem olhar os números da Freeserve, o provedor inglês sempre citado como exemplo de sucesso da internet gratuita, verá que se trata de um produto extremamente deficitário. Do dinheiro que entra no caixa do Freeserve, 60% vêm do compartilhamento. Veja- E no Brasil? Costa - O modelo
se instalou no Brasil sem essa possibilidade do compartilhamento de receita.
Veja- O acesso gratuito traz algum benefício aos provedores pagos? Costa - Eles beneficiam a internet como um todo porque aumentam o tráfego, aumentam a discussão em torno da existência da rede, e isso é bom. Mas não se esqueça de que estamos num país complicado, num país pobre, onde a palavra gratuito pode dar um sentido equivocado do que representa isso. Você está pagando pelo uso da linha telefônica. Para ser gratuito mesmo, o certo seria que as telefônicas dessem o impulso grátis Aí, sim, o acesso seria realmente sem custo. Veja- Há espaço para todas as empresas que estão aí? Costa - Nesse ramo há três grupos de empresas, cada qual com um interesse distinto. O primeiro é o das empresas que sabem produzir conteúdo e entram para o negócio de internet. É aí que está o próprio UOL, a Globo.com, a America Online e uma série de outras empresas. Não precisa ser conteúdo jornalístico. O Yahoo! também é um site cujo conteúdo é a grande quantidade de páginas que ele ajuda a localizar. O segundo grupo está para a internet assim como o SBT está para a televisão. O negócio do dono do SBT, Silvio Santos, não é fazer televisão, mas vender a Tele-Sena e os carnês do Baú da Felicidade. Nesse segundo grupo estão os sites ligados às operadoras telefônicas. O negócio deles não é internet. É telefonia. Aí estão o Terra, que é um braço da Telefónica, e o Zip.Net, da Portugal Telecom, ou O Site, ligado à Impsat. O terceiro grupo faz internet apenas e tão-somente porque é um negócio que pode dar lucro rápido. Não há nenhum julgamento de valor nisso. Você cria uma companhia, faz uma espuma danada em torno dela e depois vende. É onde estão a StarMedia e o iG. Não me parece que eles tenham compromissos com o negócio internet. Veja - Esse grupo seria composto de aventureiros? Costa - Não estou chamando ninguém de aventureiro. Não é isso. A internet é um negócio. Eles são banqueiros e entram porque vêem a chance de ganhar dinheiro rápido. Não há um compromisso com o negócio internet, nem com o conteúdo, nem com a permanência da empresa. Veja- No mesmo grupo do UOL há uma empresa, a NetGratuita, que também oferece o acesso gratuito. Como o UOL se posiciona em relação a isso? Costa - Acredito que as pessoas não deixarão de assinar o UOL, que tem conteúdo extraordinário, para ter um segundo provedor, seja gratuito ou pago. O importante para a companhia como um todo, e aí vou falar pelo conglomerado UOL, é estar presente em todas as pontas desse mercado. Veja- Mas qual o futuro disso tudo? Costa - A internet anda por ondas. Ela está crescendo, está mais madura, mas ainda há muito que fazer. Vem aí a conexão por banda larga, que promete mudar muita coisa nesse cenário e pode ser a próxima onda. Mas eu insisto num ponto: só sobreviverão as empresas capazes de gerar conteúdo de qualidade.
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