Michael Benabib

h.D. em ciência da computação, Steven Bellovin, 48 anos, trabalha na maior operadora telefônica do mundo, a AT&T, dos Estados Unidos. Sua missão é detectar na internet as falhas que permitem a entrada de vândalos eletrônicos. Bellovin é também consultor de universidades e do governo americano para assuntos de segurança na rede.

Veja - O que pode ser feito contra os ataques dos hackers?

Bellovin - Os provedores de acesso podem facilmente barrar as mensagens que tiverem a origem identificada. Para usarmos uma metáfora do trânsito: os provedores podem determinar que todos os carros vermelhos pertencem a hackers e bloquear apenas a saída ou entrada deles.

Veja- O que as empresas e os governos podem fazer para se defender dos vândalos?

Bellovin - A segurança da internet está nas mãos dos provedores. Eles deveriam adotar princípios mais efetivos de segurança. Os provedores seguros não poderiam aceitar conexões vindas daqueles que deixam o tráfego dos hackers passar livremente. O princípio filosófico é simples: você não pode conectar seu computador ao de quem pode colocá-lo em risco.

Veja- O que existe de mais perigoso na rede?

Bellovin - Os hackers, em geral, são pouco engenhosos do ponto de vista técnico. Veja o caso de Kevin Mitnick, o mais célebre deles. O que ele fazia era estelionato. Ligava para as empresas e se fazia passar por outra pessoa. Algumas vezes chegou a conseguir senhas autênticas, que lhe garantiam acesso aos computadores. É trapaceiro e não expert em criptografia.

Veja - Todos os hackers são exibicionistas como Mitnick, que hoje tem até página na internet?

Bellovin - A grande maioria age para chamar a atenção, como as crianças diante dos adultos. Eles vêem a fama como uma recompensa por sua ousadia.