Oscar Cabral

beira do mar na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o internauta Jackson Domingues de Figueiredo deu uma demonstração daquilo que pode transformar-se numa rotina no Brasil se a internet sem fio se tornar, como se espera, um fenômeno tão popular quanto o telefone celular.

Em plena praia, ele verificou as mensagens que recebeu pelo correio eletrônico. Em seguida, conferiu seu extrato bancário, entrou num site de busca e fez pesquisas sobre o formato musical MP3. Conseguiu reservar uma passagem aérea, entrou numa loja de comércio eletrônico e, no final, ficou impressionado com a nova tecnologia. "Tudo o que tentei fazer consegui sem problemas", diz ele. Figueiredo foi um dos escolhidos pelo Bradesco para iniciar os testes de internet pelo celular, que começaram no mês de março, no Rio. A internet sem fio tem algumas limitações em relação à rede convencional. A principal delas é a tela do celular, de dimensões reduzidas e monocromática, como a dos monitores de quinze anos atrás. Todas as mensagens aparecem em letras de cor verde-claro sobre um fundo verde-escuro. A operação é um pouco mais lenta que quando se conecta via rede convencional.


Divulgação
Alguns dos modelos de celular com acesso à internet não têm teclas. O visor é sensível ao toque, como as telas dos palmtops

Até o final deste ano, o serviço de internet pelo telefone celular deverá estar em operação comercial nas principais cidades brasileiras. A previsão é de que esteja implantado em todo o país até 2003. Conforme os analistas, a possibilidade de acesso pelo telefone celular marcará o início de um ritmo de expansão ainda não experimentado pela rede no Brasil. O sistema tem a vantagem de substituir a conexão por linha telefônica convencional, que ainda é artigo raro no país, pelo celular, que oferece serviços a preço cada vez menor. Outra característica da internet sem fio é óbvia: o acesso dispensa uso de computador. Na conexão pelo celular, o mesmo aparelho utilizado para as conversas serve para navegar pela rede, sem a necessidade de nenhum acessório.

Conforme estimativa do mercado, um aparelho celular com acesso à rede deverá chegar ao consumidor pelo preço equivalente ao dos modelos de celular mais caros existentes hoje em dia: alguma coisa entre 800 e 1 000 reais. E, como tudo nesse segmento, o preço deve cair com o passar do tempo. "É uma aposta boa dizer que dentro de três anos haverá mais gente entrando na rede pelo telefone móvel que pelo micro", diz Thomas Rizzo, gerente de desenvolvimento de negócios da Nokia para a América Latina. O laboratório da Nokia na Finlândia é um dos principais centros de desenvolvimento da internet sem fio no mundo.

A tecnologia mais utilizada para permitir a navegação pelo celular chama-se wireless application protocol, que pode ser traduzida por "protocolo de programa sem fio". O programa é conhecido no mundo inteiro pela sigla wap (veja quadro). O telefone preparado para essa operação é equipado com um pequeno navegador, que percorre uma versão monocromática e simplificada das páginas da internet. Com ele, será possível ter acesso a quase todas as informações existentes na internet convencional, desde que as páginas estejam adaptadas para esse tipo de navegação. No visor de dimensões reduzidas dos celulares e das agendas eletrônicas wap, as páginas aparecem com letras mais legíveis, sem imagem nem movimento.

Gaillarde Raphael

Linha de montagem da Nokia, na Finlândia: a empresa é uma das responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia wap, que garante o acesso do celular à internet
 

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