
|
Não é bem assim. Alguns poucos privilegiados no Brasil e no mundo já conseguem acessar a rede por meio de conexões velozes. São usuários dos serviços telefônicos digitais de alta velocidade, conhecidos por siglas mágicas como ISDN ou ADSL. Outros ainda menos numerosos conseguiram instalar em casa os chamados modems a cabo, aparelhos que permitem acessar a internet pelo mesmo mecanismo que leva às casas as imagens e os sons das televisões por assinatura. Os relatos de quem já possui internet veloz por telefone ou cabo são muito realistas. Por um lado, o conforto ao usar a rede aumenta muito. Os computadores ficam plugados o dia inteiro sem custos adicionais e sem que a conta telefônica fique do tamanho do consórcio do carro novo. Por outro lado, há enorme frustração para quem esperava baixar programas massudos em segundos ou buscar filmes inteiros ao cabo de minutos. Eles continuam demorando a chegar e vai ser assim ainda por algum tempo. Em resumo: quem experimentou o modem a cabo ou a internet veloz pela linha telefônica especial conseguiu viajar na rede quatro a cinco vezes mais rápido, em média, do que os usuários dos modems convencionais, os que discam e, quando estão se conectando, produzem aquele chiado de gato asmático tão característico. Para muita gente essa vantagem é bastante para que a internet veloz seja um objeto do desejo. "Não tenho mais paciência para utilizar o sistema antigo", diz o médico radiologista Laércio Rosemberg, usuário do Ajato. Esse sentimento é compartilhado pelos consumidores que conseguiram trazer para dentro de casa o novo modelo de internet. Um dos primeiros a se cadastrar no serviço de alta velocidade Speedy, da Telefônica, que atende a todo o Estado de São Paulo, o publicitário Sérgio Godoy só pretende trocar o sistema pelo cabo da TV por assinatura, ainda inacessível onde mora. "Esse sistema deixa a rede convencional várias voltas para trás", afirma. "A internet está sendo superada." No Brasil, a tecnologia de acesso rápido é oferecida por operadoras de telefonia e pelas duas principais companhias de televisão a cabo, a TVA, do Grupo Abril, que edita VEJA, e a NET, das Organizações Globo. As empresas já instalaram as conexões da banda larga em cerca de 10 000 residências brasileiras, a maioria na cidade de São Paulo. De acordo com as metas das companhias, o número de casas abrangidas pelos serviços deverá superar 200 000 até o final do ano, o que significa 10% do universo das casas com TV a cabo. No mundo, as empresas se desdobram na busca de soluções para saciar o desejo dos usuários de internet por velocidade na rede. Estão sendo investidos atualmente 150 bilhões de dólares por várias empresas para conectar o planeta de maneira rápida. Uma delas, a Global Crossing, vem criando um sistema de cabos submarinos que estará disponível na América Latina dentro de alguns meses. Só na América do Sul, a Global Crossing está investindo 6 bilhões de dólares. Por esses cabos, dizem os especialistas, voz e dados viajarão a uma velocidade 1 000 vezes maior do que pelos atuais serviços de telefonia. Uma das promessas mais acalentadas é a chamada internet 2. O sistema já conecta universidades e centros de pesquisa em algumas partes do mundo - e funciona muito bem. Na internet 2, a velocidade é constante porque as informações viajam pela rede hierarquizadas. Mensagens vão por um caminho enquanto imagens e sons são direcionados por outra rota digital. Dessa maneira, os congestionamentos são muito menos freqüentes. "Em dois ou três anos, no máximo, as aplicações da internet 2 já estarão à disposição do usuário comum", diz Clésio Zotti, coordenador-geral de informática da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O sonho dos pesquisadores é utilizar a internet 2 em programas de ensino a distância ou telemedicina.
|
|
|
|
|