
|
Veja - Qual é a melhor idade para apresentar o computador a uma criança? Tapscott - Depende da criança. Não vejo muito sentido em jogos de computador desenvolvidos para bebês com menos de 3 anos. Brincar com cubos é tão produtivo quanto ficar na frente de uma tela, mas há CD-ROMs que podem ser divertidos e ao mesmo tempo estimulantes para crianças de 4 anos. Eles ajudam a aprender letras, cores, números. Isso é ótimo. Mas os pais nunca devem substituir o tempo que passam com seus filhos por um computador. A chave de uma boa educação ainda é a leitura e as brincadeiras com as crianças. Veja - E os pais estão preparados para enfrentar os desafios da Geração Net? Tapscott - Muitos
sim, outros ainda não. Ao escrever o livro, conversei com vários
pais que participam ativamente da vida de seus "filhos digitais" - eles
fazem de tudo para oferecer o que há de mais moderno no mundo tecnológico
e apóiam suas atividades. Por outro lado, alguns pais proíbem
o acesso à internet. Eles alegam que essa é uma porta que
pode levar as crianças à pornografia e à pedofilia.
Isso é um absurdo, uma grande bobagem.
Veja - E as escolas? Conseguem compreender a rede? Tapscott - As escolas tradicionais estão vivendo um impasse. A maior parte utiliza os mesmos métodos há séculos e a Geração Net não está nem um pouco interessada em ser testada a cada mês para ver se está memorizando as matérias dentro das regras. A garotada quer adquirir conhecimento e habilidade por meio das próprias descobertas. Os professores devem ser seus co-navegadores. Veja - Como a internet está mudando a forma de aprender e pensar dessa geração? Tapscott - Quando
estão on-line, as crianças lêem, analisam, contextualizam,
criticam e compõem seus pensamentos. Estamos assistindo ao nascimento
de uma geração de jovens inovadores, antenados, entendedores
do poder da mídia, que aprendem por meio da interação. Veja - A Geração Net está condenada ao vício do computador e a uma vida sedentária? Tapscott - O tempo que essas crianças passam na frente do computador é o tempo que elas deixam de assistir à televisão. A televisão é passiva: você se reclina na poltrona e simplesmente assiste a ela. A internet é ativa. Veja- Como o senhor vê as crianças milionárias produzindo conhecimento e pilotando comércio eletrônico aos 16 anos? Tapscott - Acho ótimo. Os milionários são raros. Essas crianças têm talento natural para os negócios, e a tecnologia digital está permitindo que explorem suas habilidades. Veja - A Geração Net é mais liberal que a dos anos 60, cuja bandeira era um mundo de "paz e amor"? Tapscott - A ideologia dessa turma ainda não é clara, mas discordo frontalmente da idéia defendida por muitos de que essas crianças são gananciosas, centradas no próprio umbigo e preocupadas apenas com a carreira e o sucesso financeiro. Há uma evidência contrária que revela uma dose de idealismo e consciência social bem maior que a de seus pais. Essa geração tem um forte senso de bem-estar comum, de responsabilidade cívica e coletiva. Além de tudo, ela detém mais conhecimento do que qualquer outra geração nessa idade. Veja - Como assim? Tapscott - Esses jovens têm autoconfiança e auto-estima. Sabem que seu futuro não está nas mãos de governos ou empresas. Valorizam os direitos individuais, como a privacidade e a liberdade de expressão. E mais: querem ser tratados com justiça. Há um traço cultural marcante, que faz com que eles queiram dividir uma parte da riqueza que ganham. Veja - O mundo será mais democrático e divertido quando essa garotada assumir o poder? Tapscott - Não
sei se mais divertido, mas com certeza mais democrático. A Alliance
for Converging Technologies, empresa da qual sou presidente, acaba de
iniciar um grande estudo internacional para descobrir como a tecnologia
digital mudará as relações entre os cidadãos
e o governo. |
|
|
|
|