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Planeta 2008 | O
40° ANO DE VEJA
A reação da Terra
Philippe Huguen/AFP
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ONDAS GIGANTES Tempestade
no porto de Wimereux, no norte
da França, em janeiro de 2007: oscilações
mais freqüentes |
A primeira reportagem
de VEJA sobre o aquecimento global data de 1983. Catorze anos depois,
foi assinado o Protocolo de Kioto. Nesse documento, os países
industrializados, com exceção dos Estados Unidos,
comprometeram-se a frear as emissões de dióxido de
carbono (CO2) e demais gases responsáveis pelo
aumento da temperatura média da Terra e pelas conseqüentes
oscilações e mudanças climáticas. A
previsão era que as 38 nações signatárias
reduzissem as emissões em 5% em relação aos
níveis de 1990, até 2012. Faltando quatro anos para
o prazo estabelecido no protocolo, em dezessete desses países
o lançamento de CO2 na atmosfera aumentou, em
vez de diminuir. Além disso, as nações emergentes
que não assinaram o protocolo estão poluindo mais.
Kioto pode ter fracassado em seus objetivos, mas proporcionou que
o aquecimento global deixasse de ser um assunto restrito às
rodas acadêmicas e diplomáticas. O temor, agora, é
mundial.
Foi comprovado que, de maneira
geral, a temperatura média da Terra subiu 1 grau nos últimos
120 anos o que vem acarretando o derretimento rápido
dos pólos e uma freqüência maior de tempestades
violentas e inundações, entre outros fenômenos.
Como impedir que o planeta se torne ainda mais quente? Deixando
de lado propostas mirabolantes (como a de colocar trilhões
de espelhos na órbita do planeta, a fim de que reflitam para
o espaço parte dos raios solares), o caminho mais exeqüível
parece ser o da substituição gradativa dos combustíveis
fósseis, como petróleo e carvão, por etanol
e outros biocombustíveis. Uma solução paralela,
e bem mais rápida, é retomar a construção
de usinas nucleares, para a produção de eletricidade.
Em que pesem os argumentos dos opositores da energia atômica,
o fato é que um país como a França, que jamais
renunciou a usinas nucleares, tem hoje mais de 80% de sua eletricidade
gerada dessa forma, sem nenhum prejuízo ao ambiente.
O que disse VEJA em 2001
"Sem se dar conta, os 6 bilhões de pessoas tornaram-se
um fardo pesado demais para o planeta, tanto sobre o solo quanto
no mar e no ar. Agora, a natureza está mandando a conta.
O efeito mais apocalíptico dessa mensagem é o aquecimento
global."
Perspectiva
Prevalece, entre os cientistas, a previsão de que, se nada
for feito para reduzir as emissões de gases poluentes, a
temperatura média da Terra, até o fim deste século,
estará 4 graus acima da atual. Isso poderá causar,
entre outras catástrofes, a elevação do nível
do mar e o desaparecimento de regiões costeiras inteiras.
Para que o aumento de temperatura seja limitado a 1,8 grau, é
necessário que 70% das emissões de gases do efeito
estufa sejam cortadas até 2050.

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As grandes migrações
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Denis Poroy/AP

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| SEGREGADOS Cerca
na fronteira entre o México e os Estados Unidos,
construída para barrar imigrantes indesejados |
Quatro décadas atrás,
78,5 milhões de pessoas viviam fora de seu país
de origem. Hoje, esse número é de 190,5 milhões,
o equivalente à população do Brasil.
Os Estados Unidos e a Europa Ocidental são ímãs
poderosos que atraem milhares de imigrantes por ano, provenientes
de nações pobres. Tanto no caso americano como
no europeu, essa mão-de-obra é fundamental para
a realização de trabalhos pouco qualificados
que os cidadãos nativos já não querem
executar. No que se refere à Europa Ocidental, há
outro ponto: os imigrantes passaram a ocupar vazios deixados
por populações originais que, em razão
do binômio baixas taxas de natalidade/envelhecimento,
entraram em declínio. Apesar dessa necessidade de gente,
nunca os países ricos impuseram tantas restrições
à imigração numa atitude que mistura
a mais crua xenofobia com o receio fundamentado de um esgarçamento
do tecido sociocultural. Os Estados Unidos construíram
uma cerca na fronteira com o México e as marinhas de
alguns países europeus agora policiam a costa do norte
da África, para evitar que barcos com clandestinos
aportem na margem próspera do Mediterrâneo.
O que disse VEJA em 2007
"Até a metade do século, a população
mundial tende a parar de crescer. A concorrência por
imigrantes ficará tremendamente acirrada".
Perspectiva
A ONU estima que, em meados deste século, 46 países,
a maioria deles da Europa Ocidental, terão uma população
menor que a atual. A tendência, portanto, é que,
a despeito de todas as barreiras, aumente o número
de pessoas dispostas a cruzar fronteiras em direção
à porção mais afluente e despovoada
do mundo.
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O
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