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Comportamento 2008 | O
40º ano de VEJA
A régua da beleza mundial
Fotos Mert Alas, Marcus Piggot, Popperfoto/Getty
Images
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Qual é o limite da magreza?
As formas aerodinâmicas da brasileira
Gisele Bündchen e anoréxicas de sua antecessora,
a inglesa Twiggy (no detalhe), ícone da moda nos
anos 60: não importa o biotipo, a meta é gordura
próxima de zero |
Não existe brasileiro mais global do
que Gisele Bündchen. O rosto deslumbrante e as pernas longilíneas
da modelo gaúcha de 28 anos vendem jóias, perfumes
e roupas no mundo todo. Mulheres como Gisele tornaram-se o parâmetro
mundial da beleza. Elas vêm em todas as cores e nacionalidades
mas são invariavelmente magras, muito magras, numa
variação apenas mais alta (e mais opulenta lá
em cima) da inglesa Twiggy, a modelo esquálida que se tornou
ícone da moda nos anos 60. Esse padrão de gordura
quase zero causa angústia entre as mulheres comuns, mesmo
aquelas que estão longe de ser gordas. E produz doenças
e mortes no universo da moda. É, de fato, preocupante o número
de jovens modelos vitimadas pela anorexia, como a brasileira Ana
Carolina Reston Macan, morta em 2006.
O que disse VEJA em 2004 "Ruiu
a ditadura dos padrões de beleza, que obrigava
a modelo a mudar a cor do cabelo ou as formas do corpo para se adaptar
às fantasias dos estilistas e produtores de moda. Aprendeu-se
a valorizar a diversidade. Ainda assim, é imprescindível
que a candidata a modelo seja alta e magra. Quem não tem
mais de 1,70 metro ou encontra dificuldade para manter o peso deve
pensar duas vezes antes de lutar por um espaço na carreira,
para evitar sofrimento e frustrações."
Perspectiva Alguns países, como
Espanha e Itália, chegaram a proibir que moças patologicamente
desmilingüidas desfilassem em suas passarelas. Elas continuam
a figurar nos catálogos das agências mas, se
pegar em outros países, a proibição pode restringir
os padrões mais doentios do mundo da moda.
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O que as mulheres querem
Thomas Coex/AFP
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Madurona e sapeca
Aos 50 anos recém-completados,
Madonna ainda dita tendências – e continua muito sexy |
Ser independente, mãe de filhos ainda pequenos e sexy
aos 50 anos. Eis o que as mulheres querem, doutor Freud. E
a cantora americana Madonna está aí para provar
que o objetivo é possível ela é,
com o perdão da expressão, a melhor representação
midiática desse ideal. Com oportunidades profissionais
mais amplas, liberdade de planejar a vida familiar e, não
menos importante, recursos estéticos que permitem estender
a juventude, a mulher do século XXI está casando
e se tornando mãe mais tarde. Entre aquelas com educação
universitária, principalmente, a conquista de uma boa
posição no mercado de trabalho é a prioridade
hoje, a proporção de mulheres de 35 a
39 anos com diploma que permanecem solteiras é de 30%
no Brasil. Há cerca de vinte anos, era de 20%. Para
continuar no paralelo com Madonna, vive-se a era das material
women, sem que haja julgamentos negativos embutidos nessa
comparação.
O que disse VEJA em 2006 "A
maioria absoluta das mulheres aspira a encontrar um companheiro,
casar-se, constituir família e, por intermédio
dos filhos, ver cumprido o imperativo tão profundamente
entranhado em seu corpo e em sua psique ao longo de centenas
de milhares de anos de história evolutiva. A diferença
a que se assiste hoje é que não existe mais
um calendário fixo para que isso aconteça. A
formidável mudança que eclodiu e se consolidou
ao longo do último século, com o processo de
emancipação feminina, o acesso à educação
e a conquista do controle reprodutivo, permitiu a um número
crescente de mulheres adiar a programação
materno-familiar."
Perspectiva Inovações
na indústria da beleza prometem estender ainda mais
a juventude feminina. O grande salto que se espera no setor
vai conjugar cremes e afins com os avanços da ciência
médica. A partir do perfil genético de cada
mulher, será possível desenhar produtos individuais,
específicos para as diferentes composições
de pele. O mercado brasileiro de cosméticos
que alcançava apenas metade das mulheres do país
em 1969, segundo uma reportagem de VEJA publicada naquele
ano segue se ampliando. Já é o terceiro
do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Japão,
com vendas de quase 20 bilhões de reais em 2007.
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Talento é o que menos importa
Peter Foley/Reuters
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O VAZIO DA CELEBRIDADE
A superpatricinha Paris Hilton: ela é
famosa porque tem fama e tem fama porque é famosa |
Houve um tempo em que a fama só era
conquistada por quem tinha algum talento. Hoje, tornou-se um monstro
autofágico: alimenta-se de si mesma. O cartaz do jogador
de futebol inglês David Beckham, por exemplo, nunca foi proporcional
à limitada habilidade que ele mostra em campo. Mas Beckham
é bonito e casado com outra celebridade Victoria,
do grupo Spice Girls, um ligeiro febrão pop do fim dos anos
90. Duplica-se, assim, o efeito. A propensão ao escândalo
também é um bom requisito para se manter sob os flashes
dos paparazzi. Veja-se o caso da cantora americana Britney Spears.
Ela continua em evidência mais pelas baixarias inflamadas
pelo álcool e pelas drogas do que pelos dotes artísticos.
Paris Hilton simboliza melhor do que ninguém essa cultura
da celebridade vazia. O que fez de especial a herdeira do grupo
Hilton (aliás, quase deserdada depois que o avô legou
a parte do leão de sua fortuna para a caridade)? Apareceu
em um vídeo de sexo que um ex-namorado vazou para a internet
e passou uns dias em cana por dirigir bêbada. Por que Paris
Hilton é uma celebridade? A resposta é necessariamente
tautológica: porque ela é uma celebridade.
O que disse VEJA em 2000: "O que
caracteriza uma celebridade é que ela não depende
de algum mérito tradicional para ter alcançado fama
e fortuna. Não precisa exibir no currículo realizações
extraordinárias, como o físico Albert Einstein, que
criou a teoria da relatividade, ou Pelé, o maior atleta do
século. A celebridade pode ter eventual-mente realizações
que deixam lastro, mas não precisa necessariamente delas
para se afirmar. Como define o historiador americano Daniel Boorstin,
a celebridade é famosa por ser famosa, e ponto final."
Perspectiva: As nulidades dificilmente
desaparecerão das manchetes. A fama, para quem goza dela,
tende a ser passageira mas o ciclo parece interminável,
também por causa da popularização da internet:
a celebridade de hoje sempre será substituída por
outra mais vistosa ou escandalosa no mês, na semana, no dia
seguinte.
Adolescência sem fio
Pedro Rubens
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ARMAS NA MÃO
Internet, música, comunicação
instantânea com os amigos: os adolescentes exploram todos
os recursos do celular |
Não há nada, mas nada mesmo,
mais essencial para um adolescente de classe média do que
um celular. Uma pesquisa do Instituto Ipsos mostra que cerca de
60% dos jovens brasileiros das capitais têm um aparelho portátil.
Ele é uma extensão do corpo, uma necessidade vital,
uma expressão de sua limitada, mas prezadíssima independência.
Por meio do celular que tem de ser trocado idealmente a cada
seis meses , o adolescente acessa a internet, baixa e reproduz
músicas e envia mensagens instantâneas, com as gírias
e abreviações típicas de um código quase
inacessível para quem tem mais de 20 anos. Ah, sim: o celular
também funciona como telefone. O que eles tanto falam aos
aparelhinhos? Nada muito diferente do que seus pais conversavam
no tempo que telefone era um troço pesadão, fixo ao
lado do sofá da sala de estar, com um disco de plástico
ou ferro que era preciso girar para contatar outro número.
Felizmente, algumas coisas não mudam neste mundo.
O que disse VEJA em 2004 "São
os jovens que abraçam a tecnologia com maior entusiasmo.
Numa época em que os celulares deixaram de ser meros telefones
para se tornar engenhocas de caráter multimídia, capazes
de gravar e enviar imagens e até baixar músicas da
internet, os adolescentes assumiram o papel de desbravadores. Enquanto
muitos adultos ficam atônitos com os recursos cada vez mais
avançados dos aparelhos, estima-se que no Brasil os jovens
sejam responsáveis por algo próximo de 90% do uso
de serviços diferenciados, como as mensagens de texto."
Perspectiva A rede de telefonia móvel
do Brasil entrou neste ano na terceira geração do
celular a 3G. Pelo menos seis vezes mais rápida do
que a geração anterior, a 3G deverá ser uma
revolução análoga à banda larga na internet.
A navegação pela rede e o download de músicas
no celular, por exemplo, serão bem mais ágeis. "Sempre
que há uma mudança tecnológica dessa ordem,
os primeiros a aderir são os jovens", diz o consultor
Eduardo Tude, da empresa Teleco.
O
mundo de hoje
Brasil
Ensaio
José Murilo de Carvalho
Internacional
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Robert Kagan
Cultura
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Eduardo Giannetti
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